Internacional Conselho da ONU aprova envio de força multinacional ao Haiti

Conselho da ONU aprova envio de força multinacional ao Haiti

A missão, solicitada em 2022 pelo próprio governo do país, será liderada pelo Quênia

Agência EFE
Missão policial no Haiti será liderada pelo Quênia

Missão policial no Haiti será liderada pelo Quênia

Richard Pierrin/AFP - 03.10.2023

O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou nesta segunda-feira (2) o envio, pelo período de um ano (prorrogável), de uma força multinacional para ajudar a polícia do Haiti, atendendo a um pedido feito em 2022 pelo próprio governo do país e imediatamente apoiado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres. A resolução foi adotada por 13 votos a favor e duas abstenções (Rússia e China), sem nenhum voto contrário entre os 15 membros do conselho, um fato raro em tempos recentes de grande divisão geopolítica.

De qualquer forma, fontes do conselho disseram à agência EFE que não se espera uma mobilização imediata, mas que o processo leve "vários meses" até que os agentes comecem a patrulhar as ruas do Haiti. A resolução foi aprovada depois de um longo mês em que o rascunho preparado por Estados Unidos e Equador circulou, com as negociações mais difíceis na parte da limitação da venda de armas ao país, que a China queria que fosse a mais ampla possível e os EUA queriam que fosse limitada a alguns grupos criminosos conhecidos, disseram as fontes.

Relutância da América Latina em contribuir com tropas

Sabe-se que a missão de cerca de mil agentes será liderada pelo Quênia, que fornecerá a maior parte do contingente. Vários países do Caribe — incluindo Jamaica, Barbados e Bahamas — também manifestaram disposição de contribuir com militares, em números a ser determinados. Por outro lado, chama atenção o fato de nenhum país latino-americano ter se manifestado a respeito do assunto, embora o México tenha deixado claro que contribuirá à sua maneira, concordando em treinar 660 agentes em seu território (550 já treinados e 110 em fase de preparação).

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A mesma atitude será adotada pelo Brasil, disseram fontes do país à EFE, que descartaram o envio de agentes para o local. Já o governo dos EUA sinalizou uma ajuda de duas parcelas de US$ 100 milhões (R$ 506,7 milhões) procedentes dos departamentos de Estado e de Defesa, sujeitas à aprovação do Congresso, para as necessidades logísticas da missão. 

Missão policial, não de capacetes azuis

Guterres deixou claro desde o início que seu pedido de uma força para o Haiti precisaria do apoio do Conselho de Segurança para ter legitimidade internacional, mas ele descartou uma missão de interposição ou de capacetes azuis, dada a trágica experiência da última investida desse tipo.

Em 2017, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah) retirou sua missão de interposição no Haiti depois de 13 anos, em meio a um grande escândalo, quando seus membros foram considerados responsáveis por um vazamento de água que causou um surto de cólera que matou mais de 7.000 haitianos.

Esse fato, somado a alegações de abuso sexual, deixou a imagem da ONU seriamente manchada por um longo tempo, e o envio de uma missão semelhante foi totalmente descartado. A força que será enviada agora será exclusivamente de natureza policial e ficará sob o comando da polícia haitiana. 

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