Conselho da Paz está ‘focado fundamentalmente no mercado imobiliário’, analisa professor
Plano para Faixa de Gaza prevê arranha-céus, centro industrial e aeroporto na região destruída pela guerra
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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Para compreender melhor a criação do Conselho da Paz, fundado por Donald Trump nesta quinta-feira (22) em Davos, Suíça, o Hora News entrevistou Leonardo Paz Neves, professor de relações internacionais e pesquisador do núcleo de inteligência internacional da FGV (Fundação Getúlio Vargas).
Segundo o professor, embora seja correto abraçar qualquer iniciativa que vise acabar com conflitos, o novo grupo não possui um plano claro para a reconstrução de Gaza, objetivo principal do Conselho nos primeiros anos. “Não foi dito qual vai ser a estrutura, se vai ter parlamento, um presidente, um primeiro-ministro”. Neves comparou o plano apresentado durante a cerimônia de abertura com um plano de mercado imobiliário ao invés de um projeto de reestruturação.
O especialista não crê que o Conselho da Paz conseguirá substituir a ONU (Organização das Nações Unidas) e elabora a tese de que, na verdade, ele não passa de um fundo multibilionário sob o controle do norte-americano, já que para um país garantir um assento permanente ele deve pagar uma quantia de US$ 1 bilhão. “Jared Kushner, o genro de Trump, explicou que toda a lógica do projeto incluía a ideia de trazer investidores privados para esse processo nos próximos 100 dias”.
O título de “cadeira permanente” também abre diversas questões, como elabora o professor. Uma deles é em relação à permanência do título. Ele exemplifica ao supor que o presidente Lula deposite US$ 1 bilhão: “Quem mantêm a posição? O Lula na sua pessoa que será vitalício ou será o cargo da presidência da República do Brasil que será permanente?”.
Na opinião de Neves, um dos fatores mais interessantes da união é o fato de Trump ser o presidente vitalício dele, algo inédito até então. Ele compara a existência do Conselho com outra aliança, o Grupo de Contadora, formado em 1983 para resolver conflitos na América Latina. “Conselhos e grupos alternativos paralelos à ONU não são uma ideia inovadora. Agora, começando de um Conselho desse perfil, com uma presidência vitalícia, isso é um pouco estranho”.
Quando analisa os projetos dos prédios que seriam erguidos na orla de Gaza e é questionado se o plano atinge as necessidades humanitárias da região, o entrevistado declara que “essa reconstrução de Gaza, definitivamente, não é para o povo que mora lá”. Fora isso, ele vê que ainda vai demorar muito para atingir os resultados esperados e que a falta de esclarecimento em relação ao governo local atrasa ainda mais os objetivos: “É bem mais fácil você construir a infraestrutura institucional necessária para você poder administrar a Gaza”.
Ao levar em conta a experiência que tem com relações internacionais e a imprevisibilidade do presidente, o especialista diz que “Trump não joga mais o jogo com as regras que costumávamos jogar”. Ele nota como na foto dos integrantes atuais do Conselho não há nenhum líder de alguma superpotência, como Japão, Canadá ou Brasil.
“Dá para ver na foto que basicamente a maioria dos líderes ali são do Oriente Médio e têm um interesse muito forte no que está acontecendo em Gaza. Isso ou são presidentes que estão querendo demonstrar o máximo de lealdade possível”.
Ainda assim, Neves considera que recusar o convite pode ser problemático. Ao saber que a França não faria parte do Conselho, Trump já ameaçou taxar espumantes e vinhos franceses em 200% nos EUA. O analista também identifica que o momento atual entre o país e o Brasil é positivo e que uma recusa de Lula poderia jogar fora todo o progresso feito. “Eu acho uma armadilha. É ruim fazer parte, é ruim também não fazer parte”.
Para evitar punições, Neves acredita que o Brasil deveria recusar a entrada junto de uma leva de outros países, mas que ainda assim a situação é bem sensível. “Eu não queria estar no lugar do presidente Lula agora”, diz.
O plano também peca pela falta de consulta à população e liderança local, avalia o professor. “Isso é uma das coisas que faz com que vários líderes tenham uma preocupação muito grande em relação a esse plano”.
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