Conselho de Segurança da ONU aprova plano de Trump para Gaza
Cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista Hamas entrou em vigor no mês passado
Internacional|Billy Stockwell e Jennifer Hansler, da CNN Internacional
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O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta segunda-feira (17) uma resolução elaborada pelos Estados Unidos que visa superar a frágil trégua em Gaza e alcançar uma paz mais sustentável, além da reconstrução do enclave devastado.
O Conselho, composto por 15 membros, votou por unanimidade (13 a 0) a favor da resolução, com abstenções da Rússia e da China, que optaram por não usar seu poder de veto para bloquear a medida.
A resolução tinha como objetivo conferir legitimidade internacional ao plano de 20 pontos do presidente dos EUA, Donald Trump, para Gaza, cujos pontos serviram de base para o cessar-fogo que entrou em vigor na Faixa de Gaza no mês passado. Os Estados Unidos fizeram forte lobby para sua aprovação.
“Um voto contra esta resolução é um voto para o retorno à guerra”, disse o embaixador dos EUA na ONU, Michael Waltz, antes da votação de segunda-feira. Ele aplaudiu a aprovação, afirmando que ela “representa mais um passo significativo rumo a uma Gaza estável e próspera, e a um ambiente que permita a Israel viver em segurança”.
A resolução autorizou elementos do plano, incluindo o estabelecimento de um “Conselho de Paz” como autoridade de transição e a criação de uma Força Internacional de Estabilização (FIE) temporária em Gaza, de acordo com uma minuta vista pela CNN. Waltz afirmou na segunda-feira que Trump lideraria o Conselho de Paz.
Algumas fontes diplomáticas disseram que a resolução ajudará a conceder autoridade para que os países participem da FIE, já que agora ela terá o apoio da ONU. Autoridades americanas, incluindo o Secretário de Estado Marco Rubio, reconheceram a necessidade de um “mandato internacional” para apoiar o plano.
Notavelmente, a resolução também contém uma referência à criação de um Estado palestino, afirmando que “após a fiel execução do programa de reformas da Autoridade Palestina e o avanço da reconstrução de Gaza, as condições poderão finalmente estar reunidas para um caminho crível rumo à autodeterminação e à criação de um Estado palestino”.
“Os Estados Unidos estabelecerão um diálogo entre Israel e os palestinos para chegar a um acordo sobre um horizonte político para a coexistência pacífica e próspera”, diz a minuta.
A resolução afirma que o Conselho também supervisionará o desarmamento do Hamas e de outras facções — uma exigência fundamental de Israel — e a reconstrução de Gaza.
Embora a resolução tenha sido aprovada, muitas dúvidas permanecem sobre sua implementação, visto que a minuta parece vaga em relação à sequência e aos detalhes.
Fontes diplomáticas ocidentais disseram à CNN que a falta de detalhes na resolução dificultará sua implementação. O Hamas afirmou no domingo que considera a minuta da resolução “uma tentativa de impor tutela internacional sobre Gaza e promover uma visão tendenciosa a favor da ocupação”.
Após a votação de segunda-feira, o Hamas declarou que atribuir a qualquer força de estabilização “tarefas e funções dentro da Faixa de Gaza, incluindo o desarmamento da resistência, a priva de sua neutralidade e a transforma em parte do conflito”.
Após a aprovação da resolução, Waltz afirmou que o Conselho de Paz “coordenará a entrega de assistência humanitária, facilitará o desenvolvimento de Gaza e apoiará um comitê tecnocrático de palestinos responsável pelas operações diárias do serviço público e da administração de Gaza, enquanto a Autoridade Palestina implementa integralmente seu programa de reformas”.
Autoridades americanas não detalharam como seria esse programa de reforma.
Alguns membros do Hamas continuam descartando o desarmamento do braço armado do grupo. Os combatentes do Hamas relutariam em abrir mão de armas leves para se protegerem de outros grupos em Gaza que buscam retaliação.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou no domingo que “Gaza será desmilitarizada e o Hamas será desarmado — seja pelo caminho fácil ou pelo caminho difícil”.
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