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Consumo frequente de bolacha recheada tira 40 minutos de vida, diz estudo

Pesquisa analisou o impacto dos 33 alimentos mais consumidos no Brasil

Internacional|Do R7

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Apenas 115 gramas de bolacha recheada está associado à perda de 39 minutos de vida Steve Buissinne/Pixabay

Um estudo liderado por pesquisadores da USP, UERJ e da Universidade Técnica da Dinamarca concluiu que o consumo contínuo de alimentos ultraprocessados, como bolacha recheada, pode reduzir significativamente o tempo de vida saudável das pessoas. Segundo os dados, apenas 115 gramas do alimento — o equivalente a menos de um pacote — está associado à perda de 39 minutos de vida saudável.

O levantamento, publicado na revista International Journal of Environmental Research and Public Health, avaliou os 33 alimentos mais consumidos no Brasil. A análise combinou dados nutricionais e ambientais, utilizando o Índice Nutricional de Saúde (Heni), que estima a expectativa de vida saudável baseada na qualidade da alimentação. Esse índice considera anos vividos sem doenças ou incapacidades.


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Além dos danos à saúde, o estudo avaliou também o impacto ambiental dos alimentos em termos de emissão de CO₂ e consumo de água. Alimentos de origem animal, como carne vermelha, foram os mais prejudiciais ao meio ambiente, enquanto alimentos vegetais, como feijão e frutas, apresentaram os menores impactos e os melhores índices de saúde.


O ranking de alimentos mais prejudiciais à saúde inclui, além da bolacha recheada, carne suína (-36,09 minutos), margarina (-24,76), carne bovina (-21,86) e biscoito salgado (-19,48). Na outra ponta, os alimentos mais benéficos foram os peixes de água doce (+17,22 minutos), banana (+8,08), feijão (+6,53) e a combinação arroz com feijão (+2,11).


Segundo os pesquisadores, os números não se referem a um consumo eventual, mas a um hábito contínuo. Segundo ela, comer bolacha recheada de forma esporádica não trará prejuízos imediatos, mas o consumo frequente e por longos períodos tem efeito cumulativo.


O impacto ambiental também chamou a atenção. Uma porção média de pizza de mussarela consome mais de 306 litros de água para ser produzida. Já um prato com carne bovina emite mais de 21 quilos de CO₂ equivalente. Em comparação, uma banana consome apenas 14,8 litros de água e emite 0,1 kg de CO₂.

A pesquisa apontou ainda a baixa diversidade alimentar entre os brasileiros, com forte dependência de arroz, feijão e carnes. Regiões como o Nordeste e parte da região Norte apresentaram as piores médias de tempo de vida saudável, com destaque negativo para a carne seca e positivo para o açaí com granola, que adiciona mais de 40 minutos à expectativa de vida saudável.

Os pesquisadores defendem que os dados devem servir de base para políticas públicas que incentivem a produção e o consumo de alimentos saudáveis e sustentáveis. A agricultura familiar, por exemplo, é responsável por grande parte da produção de alimentos mais nutritivos, como feijão, mandioca, hortaliças e frutas, e deveria ser mais valorizada.

Os autores alertam que fatores como genética, estilo de vida e prática de exercícios não foram considerados no cálculo. Mesmo assim, os resultados fornecem um panorama importante sobre como as escolhas alimentares diárias afetam tanto a saúde individual quanto o futuro do planeta.

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