Internacional Coreia do Norte lança novos mísseis no último dia de manobras de EUA e Coreia do Sul

Coreia do Norte lança novos mísseis no último dia de manobras de EUA e Coreia do Sul

País liderado por Kim Jong-un já disparou cerca de trinta mísseis balísticos nesta semana

AFP
TV em Seul, na Coreia do Sul, mostra imagens de míssil da Coreia do Norte sendo disparado

TV em Seul, na Coreia do Sul, mostra imagens de míssil da Coreia do Norte sendo disparado

Jung Yeon-je/AFP - 03.11.2022

A Coreia do Norte disparou quatro mísseis balísticos de curto alcance neste sábado (5), em novos lançamentos que se somam à longa série realizada esta semana e que coincidem com o último dia das maiores manobras aéreas organizadas por Washington e Seul. 

O Exército sul-coreano detectou o lançamento "a partir de Tongrim, na província de Pyongan do Norte, em direção ao Mar Amarelo", informou o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul em comunicado. 

A Coreia do Norte lançou cerca de trinta mísseis balísticos esta semana. Um deles caiu em águas territoriais sul-coreanas. 

Os Estados Unidos e a Coreia do Sul consideram que esses disparos podem culminar em um teste nuclear da Coreia do Norte, o que seria o primeiro desde 2017.

Na sexta-feira, Washington e Seul decidiram estender por um dia os exercícios militares conjuntos chamados de "Tempestade Vigilante", que começaram na segunda-feira. 

Um bombardeiro estratégico B-1B dos Estados Unidos participou hoje dos exercícios aéreos, marcando o primeiro voo de uma aeronave desse tipo na península coreana desde dezembro de 2017. 

Especialistas apontam que o regime comunista liderado por Kim Jong Un ficou especialmente irritado com essas manobras, as maiores já realizadas por Seul e Washington, com centenas de aviões mobilizados pelos dois países.

AMEAÇA SIGNIFICATIVA

Em outras ocasiões, a Coreia do Norte manifestou sua indignação com o envio de armas estratégicas dos EUA, como bombardeiros B-1B ou porta-aviões, geralmente enviados para a região em momentos de alta tensão. 

Embora os B-1B já não sejam mais equipados com armas nucleares, a Força Aérea americana os define como "sua espinha dorsal dos bombardeiros de longo alcance", que podem atacar em qualquer lugar do mundo. 

Um especialista em assuntos norte-coreanos, Ahn Chan-il, comentou à AFP que, dado o fato de os Estados Unidos verem os B-1B como um elemento estratégico, sua implantação pode ser encarada pela Coreia do Norte como uma "ameaça significativa". 

Na sexta-feira, a Coreia do Sul ordenou a decolagem de dezenas de caças após detectar a mobilização de 180 aviões norte-coreanos. 

Especialistas dizem que Pyongyang também é particularmente sensível a essas manobras porque sua Força Aérea é um de seus pontos fracos. O regime não possui caças de alta tecnologia nem pilotos devidamente treinados.

Em comparação com a envelhecida frota da Coreia do Norte, os exercícios conjuntos serviram para mostrar os mais modernos caças americanos e sul-coreanos, incluindo caças F-35, em ação. 

Falando no Conselho de Segurança da ONU na sexta-feira, a embaixadora dos EUA, Linda Thomas-Greenfield, rejeitou as críticas feitas às manobras e as qualificou de "propaganda" norte-coreana, dizendo que não representavam ameaça a outros países. 

A diplomata acusou a China e a Rússia de protegerem a Coreia do Norte, que "zombou" do Conselho de Segurança com os lançamentos sem precedentes de mísseis, que agravaram as tensões na península coreana. 

Mas a China, o aliado mais próximo do regime de Pyongyang, e a Rússia, cujas relações com o Ocidente se deterioraram desde que invadiu a Ucrânia em fevereiro passado, acusam os Estados Unidos de provocarem a Coreia do Norte.

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