Coronavírus e desemprego fazem venezuelanos voltarem da Colômbia
Prefeito de Cúcuta, cidade colombiana que faz fronteira entre os dois países, diz que 34 mil venezuelanos já retornaram em busca de ajuda
Internacional|Mariana Ghirello, do R7, com EFE

Os venezuelanos na Colômbia começaram a retornar para seu país de origem após a chegada do novo coronavírus. Segundo o prefeito de Cúcuta, no departamento de Bucaramanga, Jairo Yáñez em um mês 34 mil venezuelanos cruzaram a fronteira de volta em busca de ajuda.
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De acordo com o jornal El Tiempo, a fronteira entre os dois países está fechada desde o dia 13 de março. Mesmo assim, os imigrantes têm retornado por trilhas ilegais para a Venezuela. No departamento de Arauca, calcula-se que cerca de 1.700 venezuelanos cruzaram para a Venezuela.
Segundo dados oficiais do Departamento de Migração da Colômbia, durante os meses de janeiro e fevereiro houve um crescimento de quase 14% no movimento, o que equivale a 70.000 venezuelanos retornando ao seu país. E este número pode dobrar no final de março e abril.
Motivos pra voltar
Um dos motivos alegados pelos imigrantes é que eles não estão conseguindo alugar residências para se instalarem. E alguns que já estavam instalados dizem que foram despejados. Os imigrantes relataram também casos de xenofobia.
Além disso, com as medidas de controle sanitário e isolamento decretados pelo governo contra a disseminação do coronavírus, eles acabam impedidos de trabalhar, o que faz com que os recursos fiquem bastante limitados.
Na última terça-feira (14), venezuelanos chegaram a bloquear a via que liga os dois países exigindo que pudessem retornar à Venezuela. A polícia nacional precisou intervir com bomba de gás lacrimogênio para dispersar o protesto.
Todos os dias, centenas de venezuelanos chegam de diversas partes da Colômbia para tentar voltar para sua terra natal.
Bandeira vermelha

Mas não são apenas os venezuelanos que estão protestando por formas de sobreviver durante a pandemia. Moradores das periferias de Bogotá romperam o isolamento social e fecharam as vias que dão acesso à capital para protestar contra a falta de apoio por parte do governo para as famílias vulneráveis.
"Bloqueamos a estrada porque queremos ser ouvidos pelo governo, que nos abandonou. Não estamos recebendo ajuda em lugar algum", disse um trabalhador à Efe, acrescentando que, se eles não vão doar comida, então eles precisam voltar trabalhar.
De acordo com a prefeita de Bogotá, Claudia Lopez, a cidade possui 500 mil famílias pobres e vulneráveis, e quase 1 milhão de residências de classe média baixa que precisam receber ajuda.
A maior parte destas famílias trabalha de maneira informal como ambulantes e em outras tarefas, vivendo da renda que conseguem no dia. Além disso, boa parte são vítimas do conflito armado e deslocados de outras cidades do interior, que chegam na capital sem nenhum recurso.
O Ministério da Saúde informou, nesta quarta-feira (15), 126 novos casos da covid-19, no total são 3.105 infectados no país. O governo reportou mais quatro mortes e o número total de vítimas fatais chegou a 131.











