Corpos carbonizados, bombas e mais: entenda crise diplomática entre Equador e Colômbia
Países entram em rota de colisão após descoberta de artefato militar em área rural, relatos de aviões na fronteira e versões conflitantes
Internacional|Do R7
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A tensão entre Colômbia e Equador ganhou um novo e explosivo capítulo nesta semana. O presidente colombiano, Gustavo Petro, acusou o país vizinho de realizar um bombardeio em território colombiano, próximo à fronteira, após a descoberta de uma bomba não detonada e o relato de 27 corpos carbonizados na região. Já o líder equatoriano, Daniel Noboa, nega qualquer incursão fora de suas fronteiras e afirma que as ações militares miram apenas grupos criminosos dentro do próprio país.
Em meio às versões conflitantes, a crise diplomática se intensifica. O estopim foi a descoberta de um artefato explosivo de grande porte em uma área rural no sul da Colômbia, a poucos quilômetros da divisa entre os dois países. Agricultores encontraram uma bomba do tipo Mark-82, de fabricação americana, próxima a plantações e casas de moradores. O dispositivo, que não detonou, tem potencial destrutivo equivalente a cerca de 192 quilos de TNT, com capacidade de atingir um raio de centenas de metros.
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Moradores relatam que, no início de março, aviões sobrevoaram a fronteira e lançaram bombas. Parte delas teria explodido do lado equatoriano, mas ao menos uma caiu em território colombiano. Testemunhas dizem que o explosivo foi visto a cerca de 60 metros de uma residência, o que provocou pânico na comunidade. Imagens divulgadas mostram uma cratera e o cilindro metálico intacto em meio à vegetação, enquanto autoridades alertaram para o risco e pediram o isolamento da área.
Corpos carbonizados
As acusações ganharam ainda mais peso após Petro afirmar que 27 corpos foram encontrados carbonizados na região, sem detalhar identidades ou circunstâncias. “Os bombardeios na fronteira entre Colômbia e Equador não parecem ser nem de grupos armados, que não têm aviões, nem das forças públicas da Colômbia. Eu não dei essa ordem. Há 27 corpos carbonizados e a explicação apresentada não é crível”, afirmou Petro em publicação nas redes sociais.
Do outro lado, Noboa classificou as declarações como falsas e disse que o Equador conduz uma ofensiva contra o narcotráfico apenas dentro de seu território. O presidente afirmou que os alvos são grupos criminosos, muitos deles com origem na Colômbia, e que não recuará nas operações militares. A escalada ocorre dias após o país iniciar uma grande ação contra cartéis de drogas, com apoio internacional.
A origem do conflito e por que a tensão cresce
O suposto bombardeio teria ocorrido nas proximidades de Ipiales, no sul da Colômbia, região historicamente marcada pela atuação de grupos ligados ao tráfico de drogas, como os Comandos de la Frontera. A área de fronteira é considerada estratégica para o cultivo e escoamento de cocaína, o que torna frequentes as operações militares dos dois lados.
Além da crise militar, Colômbia e Equador também enfrentam uma disputa comercial desde fevereiro. O governo de Noboa impôs tarifas a produtos colombianos, acusando Bogotá de não agir com rigor no combate ao narcotráfico na fronteira. Petro respondeu com medidas semelhantes, aprofundando o desgaste diplomático.
Agora, com denúncias de bombardeios, mortes e violações territoriais, o impasse entre os dois países entra em um novo patamar, com troca de acusações, pressão internacional e um cenário ainda cercado de dúvidas sobre o que, de fato, aconteceu na fronteira.













