Rússia x Ucrânia

Internacional Corpos com marcas de tortura são encontrados no leste da Ucrânia; região é alvo de bombardeios

Corpos com marcas de tortura são encontrados no leste da Ucrânia; região é alvo de bombardeios

'Vítimas foram torturadas por muito tempo. No final, cada uma recebeu um tiro na têmpora', informaram as autoridades locais

AFP
Soltados ucranianos realizam exercícios militares em cidade próxima a Kharkiv

Soltados ucranianos realizam exercícios militares em cidade próxima a Kharkiv

SERGEY BOBOK/AFP

As autoridades ucranianas informaram a descoberta de três corpos de homens com marcas de tortura em uma vala perto de Bucha, uma área que foi ocupada durante semanas pelas tropas russas, que neste sábado (30) bombardearam Kharkiv e outras cidades do leste do país.

Os cadáveres, retirados de uma vala da localidade de Myrotske, estavam com as mãos amarradas e os olhos vendados, afirmou o chefe de polícia de Kiev, Andriy Nebytov. "As vítimas foram torturadas durante muito tempo (...) No final, cada uma recebeu um tiro na têmpora", disse.

Myrotske fica perto de Bucha, cidade da região de Kiev que virou símbolo das atrocidades da guerra na Ucrânia desde a descoberta, no início de abril — após a saída das tropas russas —, de dezenas de corpos vestidos com roupas civis espalhados pelas ruas.

Nebytov disse que em Myrotske "os ocupantes [russos] tentaram esconder evidências de seus abusos, então jogaram os corpos em uma cova e os cobriram com terra".

Promotores ucranianos disseram nesta semana que haviam identificado mais de 8.000 crimes de guerra desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro, e que investigam dez soldados russos por seu suposto envolvimento nas atrocidades de Bucha.

A Rússia nega o envolvimento nos massacres e afirma que essa é uma armação orquestrada pelo governo ucraniano.

Bombardeios em Kharkiv

Rússia aumenta pressão em Kharkiv, alvo de vários bombardeios

Rússia aumenta pressão em Kharkiv, alvo de vários bombardeios

DILKOFF/AFP

As tropas russas, confrontadas com uma resistência inesperada no norte, concentram seus ataques há várias semanas no leste, onde contam com o apoio de separatistas pró-russos na região de Donbass e no sul.

Kharkiv (no leste) sofreu diversos bombardeios de artilharia neste sábado, que deixaram um morto e cinco feridos, informou a administração militar da cidade, a segunda maior da Ucrânia. Antonina, uma moradora de Kharkiv, encontrou a casa destruída e um foguete na área em que ficava o banheiro. "Foi assustador", disse.

A concentração de tropas russas no leste não impede o bombardeio de outras regiões. O aeroporto de Odessa (sul) foi alvo neste sábado de um disparo de míssil russo que destruiu sua pista, mas não causou vítimas, anunciou o governador da região.

Na quinta-feira (28), vários mísseis foram disparados contra Kiev durante a visita do secretário-geral da ONU, António Guterres. O governo russo afirmou que o ataque teve como alvo uma fábrica de mísseis.

O presidente ucraniano Volodmir Zelenski lamentou que "uma humilhação tão deliberada e brutal das Nações Unidas pela Rússia não tivesse resposta" da comunidade internacional.

Combates palmo a palmo

O governo ucraniano reconhece que várias aldeias da região do Donbass caíram nas mãos dos russos, mas garante que também está provocando golpes significativos. "A situação na região de Kharkiv é dura, mas nossas Forças Armadas e nossa inteligência registraram importantes êxitos táticos", declarou Zelenski em um discurso exibido na televisão.

As tropas ucranianas anunciaram que haviam recuperado um vilarejo "importante estrategicamente" perto de Kharkiv, Ruska Lozova, e que tinham retirado centenas de civis.

Uma fonte da Otan afirmou que a Rússia registrou avanços "pequenos e irregulares" devido ao contra-ataque das tropas ucranianas, armadas pelos países ocidentais. 

O ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, afirmou em entrevista à agência estatal chinesa Xinhua que a ofensiva de seu país acontece "de acordo com os planos". Lavrov também pediu à Otan o fim do envio de armas a Kiev, "se realmente está interessada em resolver a crise ucraniana".

Milhares de pessoas morreram e milhões foram forçadas a fugir de suas casas desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, uma ex-república soviética que esteve sob seu domínio durante a Guerra Fria, mas agora busca fortalecer a aliança com os países ocidentais.

O porta-voz do Pentágono, John Kirby, denunciou na sexta-feira a destruição da Ucrânia e criticou o que chamou de "depravação" do presidente russo Vladimir Putin.

A Rússia conseguiu assumir o controle do porto estratégico de Mariupol (sudeste) após semanas de cerco e bombardeios à cidade. Mas o último reduto de combatentes, ao lado de muitos civis, persiste nos túneis do grande complexo siderúrgico de Azovstal.

A ONU afirmou que tenta retirar os civis, mas Dennis Pushilin, líder da região separatista pró-Moscou de Donetsk, acusou as forças ucranianas de "atuar como terroristas", por supostamente reterem os civis na siderúrgica.

Na área portuária de Mariupol, repórteres da AFP ouviram o pesado bombardeio de Azovstal na sexta-feira (29), durante uma visita de imprensa organizada pelo Exército russo.

A vice-primeira-ministra ucraniana, Irina Vereshchuk, afirmou que 14 cidadãos ucranianos, inclusive uma militar grávida, foram trocados neste sábado por um número indeterminado de prisioneiros russos.

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