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Corrupção e escândalos ao estilo canadense

Internacional|Do R7

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Julio César Rivas. Toronto (Canadá), 23 mai (EFE).- De acordo com os analistas, o Canadá é um dos países menos corruptos do mundo, mas a série de escândalos e acusações nas quais está imerso há meses parece sugerir que a realidade é bem diferente. Quem duvidar pode perguntar ao primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, que na terça-feira declarou que estava "muito zangado" depois que dois de seus senadores favoritos e seu próprio chefe de gabinete foram envolvidos em um escândalo por supostamente fraudar orçamentos. Os dois senadores, os ex-jornalistas Mike Duffy e Pamela Wallin, são acusados de embolsar de forma inadequada dezenas de milhares de dólares em despesas. Durante meses, Harper defendeu os dois senadores, que ele colocou pessoalmente no Senado, especialmente quando Duffy aceitou devolver mais de US$ 87 mil. Mas, na semana passada, se soube que Duffy não tinha pagado com dinheiro de seu bolso, como o senador conservador afirmou, mas sim que o braço direito de Harper e chefe de seu gabinete, Nigel Wright, lhe deu o dinheiro pessoalmente. Após a revelação, na sexta-feira Duffy abandonou o Partido Conservador e no domingo Wright pediu demissão de seu cargo. Para agravar a situação, na terça-feira se soube que o ex-assessor legal de Harper, Benjamin Perrin, redigiu um contrato que estipulava que Wright daria o dinheiro a Duffy e que a investigação que o Senado estava realizando sobre suas despesas seria magnânima com o senador. Estas acusações são especialmente dolorosas para Harper e seu Partido Conservador, que chegaram ao poder em 2006 exatamente graças a suas promessas de limpar o governo da corrupção e escândalos que dominaram a última etapa do mandato do Partido Liberal. Em sua declaração de terça-feira, pouco antes de partir em viagem a Peru e Colômbia, Harper repetiu que "o Canadá tem um dos sistemas de governo mais responsáveis e transparentes de todo o mundo". Porém, o escândalo dos senadores conservadores não é o único caso de corrupção que sacode o Canadá. Em Québec, a província francófona do país, são realizadas há meses audiências públicas de uma explosiva comissão investigadora sobre as acusações que a máfia controla o negócio da construção e suborna há décadas políticos da região em troca de contratos de obras públicas municipais. A comissão também revelou que desde 2006 a Polícia Montada do Canadá gravou 35 mil horas de vídeo dos principais chefes da máfia de Québec, que incluíam suas reuniões com os responsáveis das principais empresas de construção de Québec. A maior empresa de construção do Canadá, a SNC Lavalin, também é centro de outro escândalo de corrupção, desta vez internacional. Nos últimos meses a SNC Lavalin foi acusada de pagar milhões de dólares em subornos à família de Muammar Kadafi enquanto estava no poder na Líbia. Após a queda do regime de Kadafi, empregados da companhia estiveram envolvidos nas tentativas de transferir de forma clandestina ao México um de seus filhos, Saadi. E em abril, o Banco Mundial proibiu a participação da companhia canadense em projetos da instituição durante dez anos após ser acusada de corrupção em dez países da África e da Ásia. Além disso, o ex-prefeito de Laval, um dos maiores subúrbios de Montreal, Gilles Vaillancourt, foi detido junto com outras 37 pessoas no último dia 9 de maio e acusado de conspiração, fraude, tráfico de influência e formação de quadrilha. Como se não bastasse, o prefeito de Montreal, segunda maior cidade canadense, Gérald Tremblay, renunciou em novembro de 2012 e seu partido, União Montreal, de tendência liberal, se dissolveu. Mas talvez o escândalo que mais mobilize os canadenses neste momento é o que envolve Rob Ford, o prefeito conservador da maior cidade do país, Toronto. Segundo dois meios de comunicação, um nos Estados Unidos e outro no Canadá, um grupo de narcotraficantes de Toronto está tentando vender um vídeo do prefeito no qual aparece fumando crack. O vídeo, pelo qual os traficantes pediram aos dois meios US$ 200 mil, foi visto por três redatores que disseram que parece indubitável que a pessoa que aparece nas imagens é o prefeito de Toronto e que o que fuma é crack. Por sua parte, Ford se limitou a assinalar que a acusação é "ridícula" apesar de, em 1999, ter sido detido na Flórida por dirigir bêbado e em posse de maconha e de, em 2006, ter brigado, aparentemente embriagado, com um casal de turistas que assistiam uma partida de hóquei. EFE jcr/rsd-fk

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