Crise da Groenlândia pode gerar reestruturação da ONU e da Otan; veja análise
Professor destaca importância dos órgãos e defende que mudanças devem ser pensadas para a manutenção da paz
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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Países da União Europeia convocaram, para esta quinta-feira (22), uma reunião de emergência para discutir a situação da Groenlândia após as investidas do presidente Donald Trump. A tensão entre o bloco e os Estados Unidos aumentou com o anúncio de Trump em taxar em 10% oito países do velho continente, além da declaração de que não se sente mais obrigado a se comprometer com a paz.
Para Luiz Renato Vedovato, professor de Direito Internacional na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), o líder estadunidense se sente encorajado a tomar esses tipos de ações graças ao apoio de seus eleitores, que o acompanham independentemente da situação. No entanto, ele também pontua que, apesar de ter negociado as tarifas impostas no último ano com os Estados Unidos, a Europa deve ter uma postura mais dura desta vez.

“Então, imagino que a União Europeia deva alterar a sua conduta a partir desse momento e, alterando essa conduta, possa jogar um pouco mais duro com relação ao presidente norte-americano”, analisa o professor em entrevista ao Jornal da Record News desta segunda-feira (19).
Com o aumento das tensões, o possível risco de um fim da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e até mesmo questionamentos do poder da ONU (Organização das Nações Unidas) atualmente, Vedovato avalia que uma reestruturação desses órgãos deve ser pensada.
Um exemplo dado é o do pedido de nações, como o Brasil, para uma mudança nos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e com a sugestão de que mais países façam parte do grupo.
“A Otan ou vai chegar ao seu final, ou ela vai ter que ser reestruturada. Provavelmente com o novo posicionamento norte-americano, os países da Europa vão ter que ser reestruturados para se defender. Lembrando que a principal força militar da Otan, os Estados Unidos, nesse momento se colocam contra a Europa, o que é bastante surpreendente”, completa.
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No entanto, ele ressalta que a extinção desses entes seria um erro, uma vez que são essenciais para a manutenção da paz mundial. Como um dos pontos positivos dos tratados internacionais, o internacionalista lista a ausência de conflitos mundiais nos 20 primeiros anos deste século — algo que não ocorria desde o século 10.
“Vamos lembrar que a violação ao direito internacional não significa o fim do direito internacional. Assim como a violação ao direito penal não significa o fim do direito penal. Por isso é que nós temos que repensar as estruturas de aplicação e como vamos agir daqui adiante”, finaliza.
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