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Crise de confiança faz Obama passar por um dos piores momentos de seu mandato

Escândalo de espionagem e falha nos projetos domésticos minaram a imagem do líder americano

Internacional|Do R7

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Obama tem o mesmo índice de George W. Bush ao final do primeiro ano do segundo mandato
Obama tem o mesmo índice de George W. Bush ao final do primeiro ano do segundo mandato

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enfrenta uma crise de confiança pelos problemas na aplicação da reforma da saúde, a impossibilidade de antecipar a reforma migratória e a falta de conquistas na política externa que o colocou em um dos piores momentos de seu mandato.

Esta semana uma pesquisa da Universidade Quinnipiac revelou que, pela primeira vez desde que chegou à Casa Branca em 2009, a maioria dos americanos (52%) não vê Obama como um homem honesto e digno de confiança.


Além disso, o índice de aprovação a sua administração caiu para 39%, o mesmo nível do ex-presidente George W. Bush no final do primeiro ano de seu segundo mandato.

O último mês "foi ruim" para Obama, comentou Roberto Izurieta, professor da Universidade George Washington.


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"Eu não sou um homem perfeito e não vou ser um presidente perfeito, mas vou me levantar todos os dias para trabalhar tão duro quanto eu puder em nome dos americanos de todas as classes que estão trabalhando duro para cumprir com suas responsabilidades", disse Obama nesta quinta-feira (14) em um pronunciamento na Casa Branca.


Além disso, admitiu que "é legítimo" que os cidadãos esperem dele que recupere um pouco da "credibilidade" perdida sobre a reforma da saúde e outros assuntos de sua agenda.

Em seu pronunciamento de ontem, Obama anunciou mudanças com as quais pretende melhorar a aplicação da reforma da saúde e tentar recuperar a confiança em seu governo, seriamente abalada pelos problemas no site www.HealthCare.gov e pela política de cancelamento que afeta alguns planos médicos.


Segundo Izurieta, o "fiasco" na hora de colocar em prática essa reforma, promulgada em 2010 e considerada a maior conquista no âmbito doméstico de Obama, "é um fracasso que não devia ter ocorrido".

Até Clinton criticou

Mas os problemas vão além, já que, de acordo com uma recente pesquisa do Instituto Gallup, a população também tem dúvidas sobre a gestão econômica e a política externa de Obama, assim como sobre quais são seus planos para resolver as principais preocupações dos americanos.

"Nunca esquecerei Bill Clinton falando que Barack Obama e sua agenda eram o maior conto de fadas que já tinha visto", comentou na terça-feira (12) à emissora CNN a ex-candidata republicana à vice-Presidência Sarah Palin, em alusão aos comentários do ex-presidente quando fazia campanha a favor de sua mulher, Hillary, nas primárias democratas em 2008.

E Clinton "tinha razão, porque Barack Obama não estava qualificado, não estava preparado" para assumir a Presidência, acrescentou Palin resumindo as impressões de muitos de seus colegas republicanos.

O certo é que a oposição não está facilitando as coisas para Obama e ontem mesmo o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, descartou que este órgão venha a considerar o projeto de lei sobre a reforma migratória que foi aprovada pelo Senado, uma postura que reduz as esperanças de aprová-la ainda este ano.

Em resposta, Obama declarou hoje que não há razões para não aprovar essa reforma, que é uma das prioridades de sua agenda, e criticou aqueles que procuram por "desculpas" para não avançar em um acordo que já foi aprovado por ambos os partidos no Senado.

Política externa falhou

A falta de avanços nas prioridades no âmbito doméstico se juntou ao prejuízo evidente que o escândalo de espionagem teve para a política externa, pois muitos aliados que foram espionados perderam sua confiança em Obama.

Se houvesse "uma conquista" nas negociações nucleares com o Irã ou nas conversas entre israelenses e palestinos, "isso definitivamente ajudaria" Obama, afirmou Izurieta.

O presidente pediu hoje precisamente ao Congresso dos EUA que "dê tempo" ao Irã e adie enquanto isso a imposição de novas sanções contra o país para que este demonstre sua seriedade nas negociações nucleares, porque assegurou que Washington "não perderá nada" no caso de um fracasso da tentativa diplomática.

Os ministros das Relações Exteriores de seis grandes potências (EUA, Rússia, França, China, Reino Unido e Alemanha) estiveram na semana passada próximos de fechar um acordo com o Irã para suspender algumas sanções se Teerã aceitasse congelar totalmente várias partes de suas atividades nucleares.

Em relação à questão da Palestina, as partes retomaram o processo de paz em julho sob forte pressão de Washington, mas não foram divulgados avanços e ontem se soube que a equipe negociadora da Palestina renunciou às conversas por considerar que Israel faltou com seriedade.

Apesar de tudo, Izurieta acredita que a atual conjuntura "não deve fazer Obama perder a perspectiva" e que ele "será avaliado principalmente" por sua administração da economia após a grave crise de 2008, porque essa é ainda "a principal preocupação dos eleitores" e o que "vai marcar o seu legado".

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