Críticos celebram condenação das big techs e as comparam com indústria do tabaco
Meta e YouTube foram responsabilizadas por danos causados a jovens devido ao vício em redes sociais
Internacional|Brian Stelter, da CNN Internacional
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
Para críticos de empresas de tecnologia como Meta e Google, o veredicto desta quarta-feira (25) no julgamento sobre vício em redes sociais levou, literalmente, anos para acontecer.
Pais, especialistas em segurança infantil e alguns parlamentares disseram que a decisão que reconheceu a responsabilidade das empresas foi um momento há muito aguardado de prestação de contas.
“Para os pais cujos filhos morreram em decorrência dos danos causados pelas redes sociais, o veredicto de hoje é um enorme passo em direção à verdade, à justiça e à responsabilização”, afirmou Sarah Gardner, CEO da Heat Initiative, um grupo criado há três anos que diz existir para “aumentar a pressão sobre as big techs”.
Gardner argumentou que o veredicto desta quarta-feira, dado por um júri de Los Angeles, “é o momento big tabaco das redes sociais — o dano que essas empresas causam intencionalmente às crianças foi comprovado em um tribunal”.
Álvaro Bedoya, comissário da FTC durante o governo Biden, escreveu na rede X que “um júri de pessoas comuns conseguiu fazer o que o Congresso e até as assembleias legislativas estaduais não fizeram: responsabilizar Meta e Google por viciar jovens em seus produtos”.
O julgamento se concentrou em acusações de que as gigantes da tecnologia projetaram deliberadamente suas plataformas com recursos viciantes, capazes de manter usuários jovens presos e prejudicar seu bem-estar.
Ambas as empresas afirmam ter investido pesadamente em ferramentas de segurança para usuários mais jovens e contestam as alegações de que suas plataformas sejam responsáveis pelos problemas de saúde mental entre adolescentes.
“Respeitosamente discordamos do veredicto e vamos recorrer”, afirmou a Meta em nota divulgada nesta quarta-feira. “A saúde mental dos adolescentes é profundamente complexa e não pode ser associada a um único aplicativo. Continuaremos a nos defender com firmeza, pois cada caso é diferente, e seguimos confiantes em nosso histórico de proteção aos jovens no ambiente online.”
O Google também afirmou que vai recorrer. “Este caso interpreta de forma equivocada o YouTube, que é uma plataforma de streaming construída de forma responsável, e não uma rede social”, disse o porta-voz José Castañeda, em comunicado.
No processo, a autora da ação, identificada como Kaley, ou KGM, alegou que o uso compulsivo das plataformas a levou a desenvolver ansiedade, distorção da imagem corporal e pensamentos suicidas.
Jonathan Haidt, autor de A Geração Ansiosa e um dos mais conhecidos defensores de escolas sem celulares, disse que, graças à decisão do júri, “estamos em um novo mundo: uma nova era na luta para proteger as crianças dos danos online”.
Haidt afirmou que o resultado do julgamento civil “pertence, antes de tudo, às famílias, especialmente aos muitos pais que, diante de uma perda inimaginável, optaram por se manifestar, exigir responsabilização e suportar um processo legal doloroso para que outras crianças pudessem ser poupadas”.
Ele acrescentou: “Isso é apenas o começo. Milhares de casos virão, levando Meta, Snap, TikTok e YouTube aos tribunais. Ainda há muito trabalho a ser feito nos tribunais, nos parlamentos, nas escolas e nas comunidades”.
Diversos pais que atribuem as mortes prematuras de seus filhos às redes sociais acompanharam o julgamento em Los Angeles e chamaram atenção para o que consideram uma ameaça contínua às famílias em todo o mundo.
A organização Parents for Safe Online Spaces, que pressiona o Congresso a aprovar a Lei de Segurança Online para Crianças (Kids Online Safety Act), afirmou nesta quarta-feira que a decisão do júri foi uma “vitória rara e histórica” em uma luta que dura anos.
“Finalmente, um júri disse: chega”, afirmou o grupo. “As empresas de redes sociais não podem mais agir com tamanho desprezo pela saúde e pelo bem-estar de seus usuários mais jovens. Finalmente, elas estão sendo obrigadas a pagar um preço por sua ganância.”
A Kids Online Safety Act existe, em diferentes versões, há vários anos, mas ainda não avançou no Congresso. O texto exige que plataformas de tecnologia adotem múltiplas salvaguardas para menores de idade.
A senadora republicana Marsha Blackburn, uma das várias parlamentares que defendem o projeto, disse que o veredicto desta quarta-feira deve impulsionar a proposta: “Agora que as Big Techs foram consideradas responsáveis pelos danos que impuseram às nossas crianças, é hora de o Congresso transformar proteções às famílias americanas em lei, aprovando a Kids Online Safety Act”.
Já o senador democrata Ed Markey, que defende seu próprio projeto de segurança online infantil, afirmou que a decisão deve estimular uma ação do Congresso. “O momento Big Tobacco das Big Techs chegou”, disse Markey. “Não podemos depender apenas dos tribunais — o Congresso precisa fazer a sua parte e impor limites reais a essas plataformas.”
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp







