Internacional Cuba: Anistia Internacional condena retórica de guerra do presidente

Cuba: Anistia Internacional condena retórica de guerra do presidente

Diretora da instituição afirma que o discurso de Migue Díaz-Canel gera um 'ambiente violento' no país

Agência EFE
Anistia condena discursos inflamatórios de Miguel Díaz-Canel após protestos de cubanos

Anistia condena discursos inflamatórios de Miguel Díaz-Canel após protestos de cubanos

EFE/Ernesto Mastrascusa

A diretora para as Américas da Anistia Internacional, Erika Guevara Rosas, condenou nesta segunda-feira (12) as manifestações do presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, depois dos protestos ocorridos ontem no país, e cobrou que o governo atenda as demandas populares.

"A retórica inflamatória de guerra e de confronto do presidente Migue Díaz-Canel gera um ambiente violento contra quem cobra prestação de contas e o livre exercício de seus direitos", disse a atual líder da organização, por meio de comunicado.

Milhares de cubanos foram às ruas neste domingo para protestar contra o governo, em um dia inédito de atos contrários ao regime, marcado por detenções e confrontos. Os atos ocorreram após o presidente do país convocar apoiadores para enfrentar manifestantes e defender a Revolução Cubana.

Guevara Rosas afirmou que ontem aconteceu algo histórico, quando "milhares de pessoas tomaram as ruas em manifestações pacíficas" e lamentou que durante décadas tenha sido negada a liberdade de expressão na ilha.

A diretoria da Anistia Internacional disse ter recebido com preocupação relatos na internet sobre detenções arbitrárias, uso excessivo de força, inclusive com policiais disparando contra participantes doso atos, além de denúncias de pessoas desaparecidas.

"Em vez de reprimir a população, as autoridades cubanas têm a obrigação de proteger o direito delas se manifestarem pacificamente", garantiu Guevara Rosas.

Além disso, a diretora da Anistia Internacional cobrou o Executivo de Cuba de "atender as demandas sociais da população, diante da crise econômica, do desabastecimento de alimentos e remédios e do colapso do sistema de saúde, que não atende à pandemia da covid-19".

Estes foram os maiores atos populares desde agosto de 1994 ocorridos em Cuba, em meio de uma grave crise que o país atravessa, em meio à situação provocada pela propagação do novo coronavírus, inclusive, com interrupções no fornecimento de energia, que foram o estopim para a população.

Hoje, Díaz-Canel fez um pronunciamento em cadeia de rádio e televisão, em que afirmou existir os protestos de ontem no país foi uma tentativa de desacreditar o governo que lidera e a Revolução Comunista local.

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