Internacional Dados internos indicam elo entre Facebook e comunismo do Vietnã

Dados internos indicam elo entre Facebook e comunismo do Vietnã

Gigante da tecnologia, de Mark Zuckerberg, permitiu censura de postagens contrárias aos interesses de autoridades do país asiático

  • Internacional | Do R7, com AFP

CEO do Facebook, Mark Zuckerberg

CEO do Facebook, Mark Zuckerberg

MANDEL NGAN / AFP

Os recentes vazamentos de documentos internos do Facebook revelaram novos detalhes da atuação da empresa em diversas partes do mundo. Uma reportagem publicada pelo Washington Post, na última segunda-feira (25), esmiuçou os bastidores do funcionamento da rede social no Vietnã e a relação de Mark Zuckerberg com o partido comunista do país.

Segundo o jornal americano, o Facebook se submeteu ao trabalho de censurar e bloquear postagens que iriam de encontro com os interesses do governo local — as chamadas postagens “anti-Estado”.

Ativistas vietnamitas afirmam que a rede social impulsionou significativamente a censura no país, o que afetou a liberdade de expressão entre os usuários, e que o partido comunista tinha amplo controle da plataforma.

A postura de aceitar interferências teria sido adotada para preservar um dos maiores mercados do Facebook na Ásia. Uma estimativa da Anistia Internacional mostra que a empresa teve uma receita de mais de US$ 1 bilhão, o equivalente a R$ 5,5 bilhões, no mercado vietnamita em 2018. 

Três pessoas próximas ao CEO do Facebook disseram ao Washington Post, em condição de anonimato, que a decisão de se alinhar ao governo do Vietnã e seguir as restrições impostas pelo partido comunista foi tomada pessoalmente por Zuckerberg.

No caso específico do país asiático, a empresa afirmou, em nota, ao Post que a intenção ao permitir a influência na rede social era "garantir que serviços fossem disponibilizados para milhões de pessoas que dependem deles todos os dias".

Ex-funcionários

A ex-funcionária do Facebook Frances Haugen relatou aos congressistas americanos, em uma audiência no começo do mês, que, em várias ocasiões, a empresa pôs o "lucro acima da segurança".

"O Facebook se tornou uma empresa de US$ 1 trilhão [cerca de R$ 5,57 trilhões], que financia seus lucros com nossa segurança, incluindo a segurança dos nossos filhos", disse Haugen no Senado dos EUA.

Protesto no dia em que Frances Haugen foi depor às autoridades britânicas

Protesto no dia em que Frances Haugen foi depor às autoridades britânicas

TOLGA AKMEN / AFP

Em depoimento ao Parlamento britânico nesta semana, Frances disse que a rede social não protege seus usuários e que o algoritmo da plataforma alimenta a polarização tóxica na internet.

Anteriormente, Frances tinha vazado ao Wall Street Journal, outro jornal americano, documentos internos que lançaram nova luz sobre abusos conhecidos das redes sociais, como os problemas psicológicos de adolescentes superexpostas à vida e ao corpo aparentemente "perfeitos" de influenciadoras no Instagram.

Regulação da rede social

Apesar das muitas polêmicas que o Facebook tem enfrentado, as autoridades dos Estados Unidos não criaram uma nova e substancial legislação para regular as redes sociais.

Ex-funcionária do Facebook pede regulamentação da empresa

A companhia se recuperou de outros escândalos que tiveram destaque mundial, como o da Cambridge Analytica, uma consultoria britânica que usou dados pessoais de milhões de usuários do Facebook para direcionar anúncios políticos, inclusive de mais de 440 mil dados de perfis de usuários brasileiros.

No caso da Cambridge Analytica, Zuckerberg foi a Washington para se desculpar, e a empresa fez um acordo com os reguladores americanos que envolveu o pagamento de US$ 5 bilhões, mais de R$ 27 bilhões.

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