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De Buckingham ao Parlamento, novas revelações do caso Epstein abalam a política britânica

Rede de relacionamentos do criminoso sexual condenado nos EUA incluía príncipe, duquesa e embaixador

Internacional|Christian Edwards, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A divulgação de documentos dos EUA expõe vínculos do ex-príncipe Andrew, Sarah Ferguson e Peter Mandelson com Jeffrey Epstein.
  • O primeiro-ministro Keir Starmer pede que Andrew deponha perante o Congresso dos EUA, pressionando-o a se distanciar de instituições britânicas.
  • Ferguson e Mandelson enfrentam escrutínio devido ao seu relacionamento com Epstein, levantando questões sobre seus comportamentos e associações.
  • Mandelson renunciou ao Partido Trabalhista e foi solicitado a perder seu título na Câmara dos Lordes, em meio a apelos por transparência e responsabilidade.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Financista aparentemente teve acesso privilegiado ao governo e à família real britânica

A divulgação pelo governo dos Estados Unidos de mais de 3 milhões de documentos relacionados a Jeffrey Epstein levantou novas questões sobre os laços de três figuras proeminentes da vida pública britânica com o financista desonrado, que aparentemente teve acesso privilegiado ao núcleo do governo e da família real britânica.

O ex-príncipe Andrew, sua ex-esposa Sarah Ferguson e Peter Mandelson, ex-embaixador do Reino Unido nos EUA, são citados diversas vezes no mais recente lote de arquivos de Epstein, aumentando a pressão para que o trio explique seus laços com o falecido criminoso sexual e se distancie ainda mais das instituições britânicas.


O primeiro-ministro Keir Starmer instou Andrew Mountbatten-Windsor a depor perante o Congresso dos EUA, enquanto Mandelson — que renunciou ao Partido Trabalhista no domingo (1º) — enfrenta apelos de figuras importantes, incluindo Starmer, para que se aposente da Câmara dos Lordes.

Veja como a mais recente divulgação de arquivos pelo Departamento de Justiça dos EUA está escandalizando a Grã-Bretanha.


Andrew Mountbatten-Windsor

O ex-príncipe Andrew tentou, durante anos, desviar as perguntas sobre seus vínculos com Epstein. Em uma entrevista agora infame à BBC em 2019, Andrew afirmou ter rompido todos os laços com Epstein em 2010, após a condenação do financista em 2008 por aliciar uma menor de idade para prostituição.

E-mails descobertos no ano passado colocaram a afirmação de Andrew em dúvida. A mídia britânica noticiou que Andrew pareceu contatar Epstein novamente em 2011, dizendo-lhe para “manter contato próximo” e que eles estavam “juntos nessa”. Logo depois, o rei Charles 3º retirou os títulos reais de Andrew, seu irmão, em outubro, e iniciou o processo para expulsá-lo da propriedade real em Windsor.


Mas a mais recente coletânea de arquivos de Epstein aumentou ainda mais o escrutínio sobre o membro da realeza em desgraça. Três fotos sem data parecem mostrar o ex-príncipe, agora Andrew Mountbatten-Windsor, ajoelhado sobre o que parece ser uma mulher — cujo rosto foi ocultado — que está deitada de costas no chão, completamente vestida. Em duas fotos, Andrew toca seu estômago e cintura; em uma terceira, ele olha para a câmera enquanto está de quatro, inclinado sobre o corpo dela.

Não está claro quando ou onde as imagens foram tiradas; nenhuma legenda ou contexto para as fotografias foi fornecido com a divulgação do documento. Nem as fotografias nem as mensagens de e-mail sugerem qualquer irregularidade.


Andrew já havia sido pressionado a explicar uma fotografia de 2001 que o mostrava ao lado de Ghislaine Maxwell, ex-namorada de Epstein e condenada por tráfico sexual de menores, e Virginia Giuffre, uma importante acusadora de Epstein que morreu por suicídio em abril.

Em suas memórias póstumas, Giuffre acusou Andrew de abusá-la sexualmente quando ela tinha 17 anos. Ela escreveu que Andrew “acreditava que fazer sexo comigo era seu direito de nascença”. Apesar de alegar nunca tê-la conhecido, Andrew teria pago milhões de dólares a Giuffre em 2022 para encerrar um processo civil movido por ela contra ele. Ele negou repetidamente todas as acusações de irregularidades e afirmou nunca ter testemunhado ou sequer suspeitado de qualquer comportamento do qual Epstein foi acusado.

Os documentos mais recentes sobre Epstein também contêm uma troca de e-mails entre Epstein e Andrew em agosto de 2010, na qual o financista convida o príncipe para jantar em Londres com uma “amiga” — cujo nome foi omitido. Andrew respondeu que ficaria “encantado em vê-la” e pediu a Epstein que lhe passasse seus dados de contato. Epstein então descreve a mulher como uma russa de 26 anos, “inteligente, bonita e confiável”, e confirma que ela possui o e-mail de Andrew.

Em novembro, os democratas da Comissão de Supervisão da Câmara solicitaram que Andrew comparecesse a Washington para prestar depoimento como parte da investigação da comissão sobre Epstein. Embora Andrew não tenha respondido ao pedido na época, Starmer, no sábado, instou o ex-príncipe a se submeter a interrogatório.

“Qualquer pessoa que tenha informações deve estar preparada para compartilhá-las da forma que lhe for solicitada”, disse Starmer. “Não se pode ser centrado na vítima se não estiver preparado para fazer isso.”

Sarah Ferguson

A ex-esposa de Andrew, Sarah Ferguson – conhecida como “Fergie” – também é mencionada diversas vezes no último lote de documentos, embora isso não indique qualquer irregularidade. Ferguson foi destituída no ano passado de seus cargos de patrona ou embaixadora de diversas instituições de caridade britânicas, depois que documentos anteriores mostraram que ela havia chamado Epstein de seu “amigo supremo”. Na época, um porta-voz de Ferguson disse que ela se arrependia de sua associação com Epstein.

Mas os documentos mais recentes são mais uma prova da profundidade do relacionamento deles. Em março de 2009, Ferguson — então Duquesa de York — enviou um e-mail agradecendo a Epstein, mencionando veículos de moda e mídia que, segundo ela, agora queriam trabalhar com ela.

“Em apenas uma semana, depois do seu almoço, parece que a energia se elevou. Nunca me senti tão tocada pela gentileza de um amigo”, escreveu ela. “Obrigada, Jeffrey, por ser o irmão que sempre desejei ter.”

Em janeiro de 2010, ela escreveu: “Você é uma lenda. Realmente não tenho palavras para descrever meu amor e gratidão por sua generosidade e bondade. Beijos, estou ao seu dispor. Só case comigo.”

Os e-mails também parecem sugerir que Epstein queria usar Ferguson para limpar seu nome. Em um e-mail sem data, Epstein escreveu para Mike Sitrick, presidente da empresa de gerenciamento de crises Sitrick and Company, contratada por seu escritório de advocacia, dizendo: “Gostaria que você redigisse uma declaração que, em um mundo ideal, Fergie divulgaria.” Sitrick disse à CNN que nunca havia contatado Ferguson ou seus representantes diretamente.

Em um e-mail de março de 2011 para Sitrick e outras duas pessoas, Epstein escreveu: “Acho que Fergie agora pode dizer: ‘Eu não sou um pedófilo’”. Em resposta, Sitrick disse que havia uma “estratégia” para “fazer com que os jornais parem de chamá-lo de pedófilo e divulguem a verdade”, e que uma das táticas era “fazer com que Fergie se retratasse”.

No mês seguinte, Ferguson escreveu um e-mail para Epstein e James Henderson, seu porta-voz na época, dizendo que ela “não o chamava” e “não o chamaria” de “P”.

Em outubro de 2009, ela escreveu para Epstein dizendo que precisava “urgentemente” de 20 mil libras (aproximadamente R$ 144 mil) para o aluguel e que seu senhorio havia “ameaçado ir aos jornais se eu não pagasse”.

Não ficou claro se Epstein enviou esse dinheiro. No entanto, em 2001 – anos antes do pedido de Ferguson – documentos recentemente divulgados pareciam mostrar que Epstein transferiu US$ 150.000 (cerca de R$ 789 mil) para a ex-Duquesa depois de ajudá-la a resgatar as opções de ações que ela ganhou com seu trabalho para a Weight Watchers. A CNN solicitou um comentário a um porta-voz de Ferguson.

Peter Mandelson

Mandelson, amplamente conhecido nos círculos políticos como o “Príncipe das Trevas” por sua abordagem maquiavélica ao poder, foi demitido do cargo de embaixador do Reino Unido em Washington em setembro, devido ao crescente escândalo envolvendo seus laços com Epstein. Naquele mês, parlamentares americanos divulgaram um “livro de aniversário”, compilado para o 50º aniversário de Epstein em 2003, no qual Mandelson escreveu uma nota manuscrita descrevendo o financista como “meu melhor amigo”.

O último lote de documentos revelou que Mandelson aparentemente vazou planos tributários confidenciais do governo britânico para Epstein. Eles também mostram que seu parceiro, Reinaldo Avila da Silva, recebia regularmente pagamentos não declarados dele.

Em setembro de 2009, da Silva — que se casou com Mandelson em 2023, após três décadas juntos — enviou um e-mail a Epstein pedindo 10 mil libras (cerca de R$ 71,9 mil) para ajudar a financiar seu curso de osteopatia. Epstein respondeu: “Transferirei o valor do seu empréstimo imediatamente”.

Em abril de 2010, da Silva enviou outro e-mail para Epstein, compartilhando seus dados bancários. Epstein encaminhou a mensagem para seu contador, Rich Kahn, acrescentando: “envie 13 mil dólares”.

Naquele mesmo mês, Epstein disse a Kahn para “enviar 2 mil dólares por mês para Reinaldo”. Quando Kahn perguntou se isso era adicional aos 13 mil dólares originais, Epstein respondeu: “não, depois de repensar, envie apenas 4 mil dólares”.

Em outubro daquele ano, Mandelson perguntou a Epstein, em tom de brincadeira: “Você cancelou definitivamente os empréstimos para Reinaldo?! Talvez eu tenha que colocá-lo para trabalhar nas ruas”.

Os arquivos mais recentes também revelaram que Mandelson vazou um documento confidencial do governo britânico para o financista enquanto era secretário de negócios em 2009. O memorando, escrito para o então primeiro-ministro Gordon Brown, defendia a venda de 20 bilhões de libras (quase R$ 144 bilhões) em ativos para ajudar a aliviar o peso da dívida britânica após a crise financeira de 2008 e revelava os planos de política tributária do Partido Trabalhista.

No domingo, Mandelson — que também é membro da Câmara dos Lordes — anunciou sua renúncia do Partido Trabalhista, dizendo que não queria causar “mais constrangimento” ao partido. Ele também pediu desculpas “às mulheres e meninas cujas vozes deveriam ter sido ouvidas há muito tempo”. A CNN não conseguiu contatar Mandelson para mais comentários.

Alguns parlamentares pediram que Mandelson se apresentasse ao Comissário de Padrões da Câmara dos Lordes, que investiga supostas violações do código de conduta.

Mandelson está afastado da Câmara dos Lordes desde fevereiro do ano passado, para poder servir como embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos. Na segunda-feira, um porta-voz de Downing Street afirmou que Starmer acredita que Mandelson deveria perder seu título de nobreza.

“O primeiro-ministro solicitou que isso seja analisado com urgência. O primeiro-ministro acredita que Peter Mandelson não deveria ser membro da Câmara dos Lordes nem usar o título”, disse o porta-voz.

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