De família síria, diplomata israelense no Brasil revela: "O árabe é minha língua principal"
Vice-cônsul em São Paulo mostra preocupação com futuro dos drusos, seu povo, na Síria
Internacional|Eugenio Goussinsky, do R7

Uma condição diferencia o vice-cônsul de Israel em São Paulo, Fares Saeb, 37 anos, da maioria dos cerca de 8 milhões de habitantes do país. Ele não é judeu, é de origem drusa, uma comunidade religiosa, ligada ao islamismo, mas com características próprias, espalhada por alguns países da região.
Filho de sírio, falando português ainda com dificuldades, ele conta ao R7 que a população drusa é uma das que mais sofrem na guerra civil que assola a Síria desde 2011. Ela está acuada tanto por seguidores do ditador Bashar al-Assad quanto por radicais que querem derrubar o governo.
— A situação na Síria é trágica para todos não só para drusos. Há curdos oprimidos e grupos de religiosos cristãos com problem grandes com Estado Islâmico, para eles todos os outros são infiéis, também os drusos.
Ele acredita que o seu grupo de origem não terá alternativa a não ser buscar a própria defesa. Mas espera que o conflito acabe antes disso acontecer.

Na Síria, os drusos estão mais ou menos concentrados em uma região. São mais de 200 mil, o que os fortalece, segundo o vice-cônsul.
— Mas eles estão muito preocupados com o seu futuro. Historicamente os drusos sempre dependeram de segurança de outros, por serem um grupo proporcionalmente pequeno. Acho que vão ter de pegar em armas para lutar pela sobrevivência.
Saeb conta que ele tem familiares que ficaram na Síria, após seu pai, Asaad, hoje com 66 anos, levado pelo avô, migrar com a família para Israel, no fim dos anos 50, em busca de melhores condições de vida. Acolhido, serviu o exército israelense por 25 anos. A família de Saeb se estabeleceu na cidade de Isyfia, perto de Haifa. E vive até hoje lá.
— Tenho sorte por ter nascido em Israel e orgulho por representar o Estado de Israel, que não é só de judeus é um estado democrático, liberal e aberto para todos.
Em relação aos seus familiares na Síria, o diplomata, cuja esposa é enfermeira no principal hospital público israelense, diz não ter informações.
— Familiares de meu pai ficaram na Síria, não os conheço, não tenho contato, isso ocorreu há muitos anos. Poucas notícias chegam, mas inflelizmente não temos muito o que fazer para ajudar.
Contra a campanha de boicote, desinvestimento e sanções (BDS), feita para isolar Israel, ele mostra um outro lado.
— Quando empresas como Intel e Microsoft abrem empresas em Israel (o que ocorreu recentemente), outras também chegarão.
Essa ligação de Saeb com Israel, porém, não é capaz de fazê-lo deixar para trás sua origem - familiar e cultural - síria.
— Minha língua principal é o árabe, a segunda é hebraico e o português está ficando a terceira. Converso com meus pais em árabe, assim como em relação a assuntos da minha religião.
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Ele afirma que a ideia do avô deu resultado. Sua família deixou a pobreza e acabou encontrando uma nova vida em Israel, após o mandato britânico (que entrou em cena após o término da Primeira Guerra, em 1918) ter se encerrado.
— Eles pensaram: "um novo país está surgindo ao nosso lado, com oportunidades. Vamos para lá".
E eles vieram. Saeb tem certeza de que situação similar poderá acontecer com muitos palestinos em um futuro próximo, já que o interesse de Israel, segundo ele, é ajudar no desenvolvimento da região.
— É uma oportunidade que Israel dá às minorias, dentro de um estado democrático. A única coisa necessária é sentar e conversar. É certo que isso poderia ser feito agora (com os palestinos).
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