Internacional Defensoria confirma 42 mortos em 13 dias de protestos na Colômbia

Defensoria confirma 42 mortos em 13 dias de protestos na Colômbia

Forças de segurança são acusadas de diversos crimes na repressão a manifestações contra o governo do presidente Ivan Duque

  • Internacional | Do R7

Colombianos estão protestando nas ruas desde o fim de abril

Colombianos estão protestando nas ruas desde o fim de abril

Juan Barreto / AFP - 11.5.2021

Pelo menos 42 pessoas, incluindo um agente público, morreram na Colômbia em meio aos protestos contra o governo que explodiram em 28 de abril e levaram a uma grave crise devido à repressão condenada internacionalmente.

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A Defensoria Pública, que zela pelos direitos humanos, ajustou para cima o balanço anterior de 27 vítimas fatais. Segundo a entidade, são "41 civis" e "um membro das forças de segurança" mortos nesses dias de mobilização.

Por sua vez, o Ministério da Defesa afirma que até o momento há 849 policiais feridos, 12 por arma de fogo. Também tem o dado de que 716 civis sofreram ferimentos, mas sem especificar os feridos a bala.

Os números tornam os protestos de longe os mais sangrentos sob o governo de Iván Duque desde as grandes passeatas de 2019 e os atos contra a brutalidade policial em 2020.

Também são um marco em um país empobrecido pela pandemia e que não conseguiu extinguir seu conflito interno de longa data, apesar de ter assinado um acordo de paz com as Farc em 2016, após décadas de luta contra a extinta guerrilha.

A Defensoria tem um relatório de vítimas próximo ao das ONGs Temblores e Indepaz, que reportam 47 mortes. De acordo com essas organizações, "39 delas por violência policial".

Abusos sob investigação

As denúncias sobre excessos da polícia — alimentadas por uma enxurrada de vídeos que apontam para a suposta responsabilidade de agentes das forças de segurança — estão no centro da convulsão social.

Na segunda-feira, falhou um primeiro diálogo entre o governo e o coletivo de manifestantes mais visível. A ideia era acalmar a crise que começou com a rejeição nas ruas de um projeto do governo que buscava aumentar os impostos e enfrentar os estragos da pandemia que já deixou quase 79 mil mortos.

Duque “foi complacente com o uso excessivo da força pública”, lamentou a líder estudantil Jennifer Pedraza, antes de convocar novas mobilizações para esta quarta-feira.

A Central Unitária de Trabalhadores pediu protestos "em massa" nas ruas contra a brutalidade policial e a não realização de transações financeiras naquele dia.

A reação das forças policiais alimentou a ira popular e hoje a Colômbia tem vários focos de protesto que reivindicam uma mudança na liderança do país, diante do aumento da pobreza que castiga 42,5% da população, a desigualdade e a corrupção e o retorno da violência após o pacto de paz.

Miguel Ceballos, alto comissário para a Paz, assegurou nesta à Rádio W que os "abusos policiais" não só foram "condenados como já estão sendo judicializados".

Na segunda-feira, a polícia anunciou a suspensão de cinco agentes e 62 investigações em andamento por supostos abusos cometidos durante as manifestações.

Além das passeatas que acontecem diariamente e costumam terminar em confrontos com o esquadrão de choque, há cidades bloqueadas por manifestantes, como Cali, onde já se registram cenas de desabastecimento e acúmulo de lixo nas ruas.

“Estamos muito indignados porque o cheiro é terrível”, disse Katherine Suárez à AFP em Cali. Duque viajou para aquela cidade nesta terça-feira, onde planeja liderar uma reunião com a força pública.

As vítimas

Nesta terça foi anunciada a morte de dois homens que passaram vários dias em estado crítico, devido a ferimentos sofridos nos protestos.

Lucas Villa, um estudante universitário de 37 anos, foi baleado múltiplas vezes em uma marcha pacífica na cidade de Pereira em 5 de maio.

A Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) solicitou ao Estado que "investigue com a devida diligência" o assassinato de Villa, "castigue os responsáveis" e "proteja" os manifestantes. Duque lamentou a morte e pediu que "os responsáveis" sejam punidos com "todo o peso da lei".

A ONG Lazos de Dignidad também divulgou a morte de Alejandro Zapata, de 20 anos, "gravemente ferido por membros da Esmad" (o esquadrão de choque) durante uma manifestação em 1º de maio em Bogotá.

Segundo a prefeita da capital, Claudia López, esta é a primeira fatalidade na cidade em 13 dias de protestos. “Uma ONG afirma que [o ataque] aconteceu durante o protesto e, como tal, vamos investigá-lo”, acrescentou a prefeita no Twitter.

A ONU, a União Europeia, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e países como os Estados Unidos denunciaram o uso desproporcional da força para conter aos protestos.

José Miguel Vivanco, diretor para as Américas da Human Rights Watch, afirmou no Twitter que a ONG recebeu "relatos confiáveis de 46 mortes ocorridas na Colômbia desde o início dos protestos".

“Até agora, confirmamos que 13 dessas mortes (12 manifestantes e um policial) estão relacionadas às manifestações”, acrescentou.

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