Demanda na pandemia é desafio para fábricas de caixões do México
Setor funerário enfrenta, além do aumento nos pedidos, a expansão de um 'mercado negro' com os caixões abandonados após cremações
Internacional|Da EFE

Fabricantes de caixões do México, como Pedro Jaramillo, que tem mais de 20 anos de experiência, enfrentam seus próprios desafios diante do novo coronavírus, com aumentos de até 15% na demanda e uma luta contra o "mercado negro" desses objetos, que às vezes chegam a ser reutilzados.
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Membro de uma família dedicada à indústria, Jaramillo é o responsável legal pela Litomex, que produz 250 caixões por semana, número que cresceu durante a pandemia de covid-19. Nessa época do ano, é comum que sua produção diminua, mas não é o caso em 2020.
"Na verdade, tivemos de aumentar. De início entendemos que foi algo parecido com as compras de pânico, onde a intenção dos responsáveis pelo serviço funerário era se precaver", disse ele em entrevista à Efe, de sua fábrica em Ecatepec, município vizinho à Cidade do México.
O empresário diz que percebeu um "aumento significativo" também nos sepultamentos na fase mais crítica da doença no país, que acumula 42.595 casos confirmados e 4.477 mortos pelo coronavírus.
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De fato, o México registrou seu dia com mais mortes confirmadas pela covid-19 na última terça-feira (12), com 353 óbitos em 24 horas. A zona mais afetada é a Cidade do México, com quase um quarto do total nacional.
Mesmo com o setor funerário tendo sido, desde o início, colocado como uma atividade essencial quando o governo federal decretou estado de emergência sanitária em 30 de março, Jaramillo disse que a indústria também se adaptou às medidas adotadas pelo resto do país.
"Elas também nos afetaram e tiveram seus efeitos. Estamos tomando medidas cada vez mais drásticas, agora mesmo estamos esperando os trajes de proteção para podemos descarregar os caixões quando entregamos algum pedido", explica.
Mercado negro
A crise também trouxe à tona o mercado negro, um problema com que os produtores de caixões têm lidado por anos, especialmente na Cidade do México, "onde a cremação ganhou espaço", denuncia Jaramillo.
"Quando uma pessoa é cremada, o caixão fica em uma situalção indefinida. Ele pertence a quem o comprou, mas ninguém quer um em casa, então esse caixão desaparece e, por caminhos diferentes, sempre acaba indo parar no mercado negro", explica ele.
O governo federal do México não obriga a cremação automática dos corpos por conta da crise nacional de desaparecidos da guerra às drogas, como explicou o subsecretário de Prevenção e Promoção da Saúde, Hugo Lópex-Gatell.
Mesmo assim, crematórios de distritos da capital, como Xochimilco e Iztapalapa, informaram um aumento de 300% nas cremações durante a pandemia.
No país, há quase 6 mil empresas que se dedicam aos serviços funerários, segundo o Instituto Nacional de Geografia e Estatística (Inegi), mas as associações empresariais estimam que 60% delas são informais e 80% de bairro.
"A venda informal, o mercado negro de caixões existe há anos, é algo que tentamos combater faz muito tempo, mas nunca nos escutaram para criar uma norma para eles, como fazer, que características devem ter", lamenta Jaramillo.
Novas soluções
Para o empresário, a crise deve motivar políticos e a sociedade a valorizar o papel fundamental de sua indústria e, se possível, dar início a uma nova regulamentação do setor.
"Acho que com a situação vamos poder encontrar uma solução para esse problema, Durante anos nós tentamos ser ouvidos", diz ele.
Sua fábrica, que fornece para funerárias em 70% das regiões do país, adotou medidas sanitária estritas para seus produtos e seus mais de 30 funcionários.
Por outro lado, Jaramillo também descarta que novidades como caixões de papelão e outros materiais sejam alternativas viáveis para a crise e para o futuro.
"Acreditamos que o verdadeiro caixão ecológico é o metálico e a razão é que é o único 100% descartável. As folhas de metal, o vidro e o plástico que se usa para fabricá-los são 100% recicláveis por meios conhecidos e aceitos", conclui.











