Internacional Detenção de jovens por dança Happy em vídeo reflete as contradições no Irã

Detenção de jovens por dança Happy em vídeo reflete as contradições no Irã

Nas redes sociais, iranianos se perguntavam: "Ser feliz no Irã é um crime?"

Em abril, um grupo de três homens e três mulheres postou na internet a sua versão de Happy

Em abril, um grupo de três homens e três mulheres postou na internet a sua versão de Happy

Youtube/Ah T

A breve detenção no Irã de jovens que dançavam ao som da música Happy, um sucesso do americano Pharrell Williams, ilustra a contradição entre parte da juventude iraniana e um regime que afirma se defender da "guerra cultural" do ocidente.

Em abril, um grupo de três homens e três mulheres postou na internet a sua versão de Happy, a exemplo de vários internautas de outras partes do mundo.

No vídeo, eles dançam em um apartamento, na rua e sobre vários terraços da capital, Teerã. As jovens não usam o véu, peça de roupa obrigatória no país.

A Polícia de Teerã localizou o grupo e anunciou sua detenção na terça-feira (20) pelo fato de terem "ofendido a castidade do povo", antes de liberá-los após o pagamento de fiança.

Nas redes sociais, muitos iranianos protestaram e alguns se perguntavam se "ser feliz no Irã é um crime".

O próprio Williams criticou as detenções, afirmando que "é mais do que triste que esses garotos tenham sido detidos por tentarem espalhar a felicidade".

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O tema das liberdades públicas está no centro dos debates desde a chegada de Hassan Rohani à Presidência, em junho de 2013, em um país onde as autoridades vasculham a internet e bloqueiam com frequência o acesso a redes sociais.

No entanto, o Irã, que conta com mais de 30 milhões de usuários da internet, é um dos países do Oriente Médio com maior número de pessoas conectadas.

Além disso, mais de 55% da população (77 milhões de habitantes) tem menos de 30 anos.

Em março, o guia supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, advertiu que uma possível "invasão" de valores culturais do ocidente ameaça a República Islâmica.

Já Rohani afirmou na semana passada que a internet deve ser "uma oportunidade para facilitar a comunicação, melhorar a eficácia e criar empregos".

Sua conta no Twitter, provavelmente administrada por um assessor próximo, também enviou uma mensagem de apoio aos jovens fãs de Pharrell Williams.

"A felicidade é um direito de nosso povo. Não deveríamos ser tão severos diante de condutas provocadas pela alegria", indica a conta, que retoma declarações de Rohani pouco depois de sua eleição à Presidência.

Em outras oportunidades, as autoridades deram mostras de alguma indulgência com condutas que a República Islâmica poderia punir em outras épocas.

Em junho de 2013, a polícia não impediu que milhões de iranianos saíssem as ruas, dançando e cantando durante horas para festejar a classificação da equipe nacional para a Copa do Mundo do Brasil.

Naquele momento, Khamenei também agradeceu à seleção de futebol por dar "felicidade" aos iranianos.

De acordo com um diplomata ocidental radicado em Teerã que pediu para não ser identificado, a rápida detenção dos jovens que dançavam no vídeo é uma mensagem de compreensão para a juventude.

— O regime mostra que é capaz de entender a juventude que precisa mostrar alegria, de proteger os valores da República Islâmica, sem ser um Estado policial.

Assista ao vídeo:

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