Dia 11: nas últimas 24 horas, foram 59 bombardeios em Donetsk, região mais perigosa desse conflito
Desde que área foi reconhecida pela Rússia como zona separatista independente, ataques foram intensificados
Internacional|Leandro Stoliar, da Record TV

Visitamos hoje um vilarejo perto da zona de conflito em Donetsk, a região mais perigosa desse conflito. Casas destruídas, escolas abandonadas, resorts fechados. A cena é impressionante. Da rua, a cerca de 1 quilômetro da zona de conflito entre o exército ucraniano e os grupos separatistas era possível ouvir o som dos tiros e dos bombardeios.
Militares ucranianos abordam nossa equipe na rua, pedem nossos passaportes, verificam nossas identidades. O clima é bem tenso. O exército orienta para que a gente não saia do carro e se tivermos que sair para mostrar alguma coisa, devemos andar apenas no asfalto. A rua é cercada por descampado com colinas a perder de vista. Segundo os militares, a região é cheia de minas terrestres que podem explodir a qualquer momento.
Seguimos a orientação. No caminho, encontramos uma idosa que tomava conta de um resort aparentemente abandonado. Ela nos conta que desde que o prédio principal foi atingido por um míssel, nunca mais funcionou. O bombardeio atingiu o prédio bem no meio e por sorte a construção continua de pé. "Não tenho mais trabalho. Só fico aqui de guarda para que ninguém invada a propriedade. À noite, ouço os bombardeios e torço para que não nos acertem mais uma vez", diz a ucraniana que já se acostumou com o som das bombas.
A região de Donetsk, em Donbas, foi reconhecida pelo governo russo como zona separatista independente, o que deixou o clima mais tenso e intensificou os ataques. Nas últimas 24 horas, foram 59 bombardeios. O exército ucraniano recolheu 166 equipamentos militares russos do campo de batalha, entre tanques, armas de artilharia e munição. As tropas russas estão na fronteira, a menos de 1 quilômetro da cidade onde estamos.
Mariupol é uma cidade banhado pelo mar de Azov ao sul, ao norte fica a fronteira com a Rússia, ao oeste a zona de conflito e a leste os países bálticos. O problema é que daqui até o país báltico mais próximo, são 12 horas de carro. Nosso plano de fuga, no caso de uma invasão, seria lento e perigoso. Teríamos que cruzar o país e passar pela Crimeia, uma região que já foi da Ucrânia, mas acabou tomada pela Rússia na guerra de 2015. Nossa única saída vai ser pegar um trem até Kiev, que leva 14 horas, e depois alugar um carro.
O repórter cinematográfico Luis Felipe Silveira me acompanha nessa missão. Luis e eu estamos preocupados porque somos os únicos jornalistas no hotel nesse momento. Todos já deixaram a região.
Mais cedo, conhecemos o que eles chamam aqui de "refugiado interno". Vladyslav nasceu em Donetsk, quando a região ainda era controlada pela Ucrânia. Nos últimos 8 anos, viu a cidade virar uma zona de conflito. Ele nos contou numa entrevista que não há ucranianos entre os combatentes separatistas.
"Eles são russos, falam em russo e tem treinamento militar. Esses homens usam as pessoas como escudo humano e obrigam os moradores, principalmente os homens, a pegarem em armas e irem para o campo de batalha", me conta o rapaz. Com ajuda do exército russo que já está na fronteira, os supostos separatistas seriam os primeiros a tomar a cidade.
Os Estados Unidos anunciaram que a Rússia pode invadir a Ucrânia nas próximas horas. São duas da manhã e nossa noite de sono não vai ser das melhores.
Leandro Stoliar, Record TV, está na Ucrânia, cobrindo o conflito que acontece na região, que está sob ataque da Rússia. No 11° dia de viagem, o jornalista, que viaja acompanhado do repórter cinematográfico Luiz Felipe Silveira, visitou um vilarejo na r...
Leandro Stoliar, Record TV, está na Ucrânia, cobrindo o conflito que acontece na região, que está sob ataque da Rússia. No 11° dia de viagem, o jornalista, que viaja acompanhado do repórter cinematográfico Luiz Felipe Silveira, visitou um vilarejo na região de Donetsk, a mais perigosa deste conflito.
ATUALIZADO: No início da madrugada desta quinta-feira (24), horário do Brasil, o presidente Vladimir Putin de fato autorizou o início da operação militar na Ucrânia



















