Diário de um Repórter Brasileiro na Ucrânia

Internacional Dia 2: o encontro com uma brasileira e os desafios de uma cobertura na Ucrânia

Dia 2: o encontro com uma brasileira e os desafios de uma cobertura na Ucrânia

As baixas temperaturas e o idioma são alguns dos contratempos para mostrar como está a vida no país, que pode entrar em guerra com a Rússia a qualquer momento

  • Internacional | Leandro Stoliar, da Record TV

Leandro Stoliar entrevista uma brasileira no segundo dia de cobertura da crise na Ucrânia

Leandro Stoliar entrevista uma brasileira no segundo dia de cobertura da crise na Ucrânia

Record TV/R7

Nosso segundo dia na capital ucraniana foi corrido. O frio de 2 graus negativos atrapalhou, mas tivemos outros contratempos. Não é fácil fazer uma cobertura num país sem antes compreender o trânsito, as distâncias, o idioma... Aliás, pouca gente na Ucrânia fala inglês. Nós fomos salvos por um intérprete dos bons que chamo de Rafael. Não arrisco nem tentar pronunciar o nome dele, de tão difícil. 

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Foi com a ajuda do Rafael que conseguimos entrevistar uma conhecida cantora aqui na Ucrânia: Lenara. É incrível como uma voz potente pode emocionar quando se canta com o coração mesmo quem não entende uma palavra do que é dito na música, como eu e o repórter cinematográfico Luís Felipe Silveira.

Lenara nos fez chorar com a entrevista e com a canção. Desde que a Crimeia foi tomada pelos russos, ela ficou sem ver a família e sem fazer shows na região. Ela ainda sonha em voltar para sua cidade natal. Com um filho de 1 ano, a cantora, de 35, tem medo da guerra.

Mas não é a única...

Enquanto os russos violam o acordo de cessar-fogo na fronteira, pessoas como a brasileira Fernanda pensam em deixar a Ucrânia. Casada com um ucraniano, ela mora há um ano e meio no país. Mesmo apaixonada pelo povo, pelo trabalho e pela nova vida, talvez tenha que deixar o sonho para trás. A possibilidade de uma guerra obrigou a paulistana a ter tudo preparado para fugir de carro. O casal correu até atrás da documentação necessária para viajar com seus dois cachorros.

Rotina de repórter

As cinco horas de fuso horário também atrapalham bastante o nosso trabalho. O sol se põe às 5 da tarde, o que significa que só temos até esse horário para terminar de gravar. Começar cedo não é o problema. Talvez o pior seja acompanhar toda a movimentação que se concentra na Ucrânia ultimamente.

A agenda política, a cobertura de guerra, a história de cada vítima dessa disputa por um território que já dura oito anos. Isso sem contar a história das guerras entre ucranianos e moscovitas, muito antes de a Rússia existir de fato.

Hoje tivemos uma aula no maior museu ucraniano do mundo sobre essa relação conturbada entre ucranianos e russos, que já tem quase mil anos. Aos poucos, vamos conhecendo melhor a cultura, a história, as tradições e a política de cada um para entender como chegaram à beira de mais uma guerra, tanto tempo depois.

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