Dia 8: chegamos à zona de tensão entre Ucrânia e separatistas
Área é próxima de onde acontecem bombardeios e exige atenção redobrada por parte dos jornalistas de todo o mundo
Internacional|Do R7

Domingo (20) foi dia de uma longa viagem de trem. Seguimos de Kharkiv para Mariupol, cidade banhada pelo Golfo de Taganrog, um dos acessos ao mar Negro. Essa é a principal rota comercial de navios ucraniana e onde os russos fazem testes nucleares em navios e prejudicam a economia do país, já que os navios comerciais não querem arriscar a travessia. O medo de uma guerra restringe a circulação na terra e no mar.
Nossa equipe tem mais um objetivo em Mariupol, além de mostrar os prejuízos para a economia local. A cidade fica na região de Donetsk, onde acontece o conflito entre militares ucranianos e grupos separatistas pró-Rússia. Donetsk e a vizinha Luhansk fazem parte de Donbass, na fronteira com a Rússia. A maior parte dessa área é controlada pelos separatistas que travam uma batalha há oito anos com o Exército da Ucrânia para ampliar sua ocupação. É uma região de tensão constante.
Mariupol já foi ocupada pelos grupos separatistas, mas foi reconquistada recentemente pelos militares. A cidade está a menos de 15 quilômetros dos bombardeios. É muito perto em se tratando de mísseis e lançadores de granadas, caças etc. Sabemos que a atenção nesse local precisa ser redobrada.
Nossa viagem até Mariupol durou 12 horas em um trem praticamente vazio. Chegamos por volta de 4 da madrugada. O que chama atenção é que, apesar de a cidade não receber mais turistas por causa da possibilidade de uma invasão russa, está cheia de jornalistas de várias partes do mundo. São repórteres de guerra.
A presença da imprensa em hotéis, no front da batalha e na cidade movimenta de alguma maneira a economia.
Para atravessar o check point (ponto de checagem) e conseguir chegar à linha de frente da guerra é necessária uma autorização do Exército ucraniano. Um dia antes da nossa chegada, os separatistas bombardearam a região de Donbass, ocupada pelos ucranianos, no momento em que o ministro do Interior da Ucrânia visitava a área.
Essa escalada de tensão dificulta nossa chance de conseguir mostrar os ataques de perto, afinal, nenhum governo quer ter jornalistas feridos ou mortos sob sua proteção.
Nossa missão agora é ir atrás das histórias de pessoas que convivem com o risco de ter a própria casa destruída por um ataque a bomba por morarem muito perto da zona de guerra.










