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Dia 9: crianças e adolescentes ucranianos aprendem a se movimentar no campo de batalha

Órfãos que vivem em Donetsk se preparam para uma possível invasão do Exército russo

Internacional|Do R7

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Equipe da Record TV conhece bunker em Donetsk, na Ucrânia
Equipe da Record TV conhece bunker em Donetsk, na Ucrânia

Um sino toca no centro de reabilitação para jovens órfãos em Donetsk, perto da fronteira com a Rússia. É o sinal para buscar abrigo num bunker que fica no subsolo da escola. São meninos e meninas de 4 a 17 anos que ainda não foram adotados. Para as crianças, tudo pode ser uma diversão. Mas aqui esse treinamento é levado muito a sério.

Depois de aprender como se proteger, é hora de aprender a se defender. Dhamir, de 15 anos, é o representante do grupo. Ele me mostra um lançador de granadas portátil que aprendeu a usar para defender a cidade no caso de uma invasão russa.


"Eu preciso saber atirar e me movimentar no campo de batalha. Esse é o nosso território", diz o pequeno ucraniano. 

Trincheira em Donetsk
Trincheira em Donetsk

Aqui tudo funciona como uma pequena vila. Eles tem dinheiro próprio (não vale nada, mas pode ser usado pelos internos para trocar por comida e brinquedos), regras próprias e são muito religiosos. Quando descobrem que sou do Brasil, me chamam para brincar com uma bola de futebol. Nosso país é famoso no mundo por causa do futebol... Eles ficam empolgados com nossa presença e agradecem por sermos a única equipe de reportagem do mundo a entrar no centro para mostrar como as crianças aprendem a se proteger na guerra. Mas a participação dos jovens não termina aqui.


Os mais velhos são levados pelo capelão ao que pode ser a linha de frente do campo de batalha, perto do mar de Azov, caso a Rússia decida invadir o país pelo mar. Para chegar lá, passamos por um posto de checagem com militares armados. Nossos passaportes são registrados. Essa é uma área de tensão porque é uma das portas de entrada do país.

No alto de uma colina, com vista privilegiada do mar, os adolescentes aprendem a cavar trincheiras e fazer a manutenção das que foram cavadas em 2014, quando a guerra começou.


Um deles me diz que, se for preciso, pega uma arma e entra na trincheira para ajudar os militares na troca de tiros. "Sei atirar muito bem!", diz ele.

São mais de 20 trincheiras e várias casas de metal construídas como pontos de artilharia e observação de frente para o mar, onde dá pra ver os navios russos navegando. Me impressiona como os meninos têm consciência clara do que pode ser uma guerra e como aprendem desde cedo sobre patriotismo.

Acompanhamos um dia na vida desses ucranianos que, apesar de muito jovens, já sabem bem o que fazer.

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