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Dupla cidadania em alta: por que cada vez mais pessoas buscam um segundo passaporte

Mobilidade, segurança e oportunidades atraem milhões, mas mudanças legais podem complicar o sonho

Internacional|Da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O interesse por dupla cidadania cresce, impulsionado pela mobilidade, segurança e oportunidades de trabalho.
  • Vários países estão endurecendo os requisitos para obtenção de cidadania, como no caso da Itália e do Ato de Cidadania Exclusiva nos EUA.
  • A pressão por um passaporte mais poderoso resulta em aumento de pedidos por parte de americanos e britânicos, especialmente após eventos como o Brexit e a pandemia.
  • Embora os benefícios da dupla cidadania sejam claros, riscos e complicações legais podem surgir, especialmente em relação à tributação e obrigações civis.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Alta demanda pode mudar as regras para busca pela dupla cidadania Chernykov/iStockphoto/Getty Images via CNN Newsource - 05.01.2025

Viajar de país em país sem restrições. Filas mais curtas na fronteira. O direito de viver e trabalhar no destino dos seus sonhos ou de se reconectar com raízes familiares. Tudo isso — e mais — é o sonho de quem busca a dupla cidadania. E isso inclui o ator George Clooney, que celebrou o fim de 2025 adquirindo a cidadania francesa para si e sua família.

A dupla cidadania — a capacidade de ser cidadão de dois (ou mais) países — há muito tempo é popular entre viajantes, expatriados e sonhadores. Em um mundo com burocracia crescente, quem não gostaria de evitar as longas filas no controle de passaportes e passar direto como os locais? Para aqueles que, como Clooney, sonham em viver e trabalhar em outro país, mas não têm um empregador para patrociná-los, adquirir outra cidadania pode ser a chave que abre essa porta. Mesmo para quem não planeja se mudar, pode ser algo transformador.


Mas na política do século 21, a maré pode estar virando contra a dupla cidadania. Em 2025, vários países europeus endureceram os requisitos para cidadania por descendência e os chamados programas de “passaporte dourado”, que concedem cidadania a grandes investidores. E nos EUA, o senador republicano de Ohio Bernie Moreno sugeriu um “Ato de Cidadania Exclusiva”, que proibiria americanos de manter qualquer outra cidadania.

Aqui está tudo o que você precisa saber:

Quão comum é a dupla cidadania?

Não há como saber os números exatos, afirma Peter Spiro, professor de direito na Temple University. Isso porque a maioria dos países não exige que seus cidadãos declarem se possuem múltiplas nacionalidades.


No entanto, uma coisa parece clara: a dupla cidadania está se tornando cada vez mais popular. No censo de 2021 do Reino Unido, 2,1% dos residentes tinham múltiplos passaportes — aproximadamente o dobro do resultado do censo de 2011, quando 1,1% da população se declarou como cidadã de dois países. E, em uma pesquisa recente da YouGov com americanos, 6% se declararam como cidadãos com dupla nacionalidade.

Que tipo de pessoas têm múltiplas cidadanias?

Desde que existe migração, muitos imigrantes que se naturalizam em um novo país desejam manter a cidadania de origem. Nas últimas décadas, os mais ricos também passaram a adotar a dupla cidadania como uma forma de ampliar a mobilidade global.


Agora, à medida que o mundo se torna cada vez mais volátil, o interesse está se expandindo. Uma pesquisa da Gallup realizada em novembro revelou que um em cada cinco americanos gostaria de emigrar, incluindo 40% das mulheres entre 15 e 44 anos — um aumento de 400% em relação a uma pesquisa semelhante feita em 2014.

Esse desejo por um novo começo no exterior se reflete no número crescente de pedidos de segundo passaporte, afirma Dominic Volek, chefe global de clientes privados da Henley & Partners, empresa que auxilia indivíduos de alto patrimônio a obter dupla cidadania ao redor do mundo. Em 2025, eles atenderam clientes de 91 nacionalidades, mas os americanos lideraram a lista.


“Três ou quatro anos atrás não tínhamos escritório nos EUA e agora temos nove”, diz ele, acrescentando que houve um “grande aumento” no número de americanos buscando dupla cidadania. Entre eles estão pessoas insatisfeitas com a política americana (de ambos os lados do espectro político) e indivíduos ultra-ricos que perceberam, durante as restrições de viagem da Covid, que um passaporte americano não abria tantas portas quanto imaginavam. Clientes americanos agora representam 30% dos negócios da empresa, afirma.

Cidadãos britânicos também subiram para o top cinco da Henley, diz Volek, após o Brexit ter retirado deles a liberdade de circulação pela União Europeia. Ele acrescenta que políticas fiscais mais duras propostas pelo atual governo trabalhista levaram alguns britânicos ricos a buscar alternativas no exterior.

Essas mudanças marcam uma reversão dos padrões pré-pandemia, quando a demanda era impulsionada por residentes de países emergentes enfrentando instabilidade política ou econômica, diz Volek. Hoje, os cinco principais mercados da Henley são EUA, Índia, Turquia, China e Reino Unido.

Volek afirma que a tendência não é mais predominantemente sobre relocação. Em tempos turbulentos, ter um segundo (ou terceiro, ou quarto) passaporte se torna uma “apólice de seguro”.

“Há muitas vantagens e nenhuma desvantagem”, diz Spiro, que escreveu vários livros sobre cidadania. “E as vantagens certamente se tornaram mais compreendidas após a turbulência política nos EUA.”

Quais são as principais rotas para obter a cidadania de outro país?

A maioria das pessoas se qualifica por uma destas três rotas: descendência, investimento ou naturalização. A cidadania por descendência normalmente exige comprovar que seus antepassados vieram de um determinado país, com regras que variam conforme a nação sobre quantas gerações podem se qualificar e se um antepassado que se naturalizou em outro país interrompe a linha de transmissão.

A cidadania por naturalização envolve residir legalmente em um país por um período determinado — geralmente entre cinco e dez anos — antes de solicitar. Os requisitos costumam incluir verificação de antecedentes criminais, proficiência no idioma, exames sobre história e cultura ou prova de boa conduta. Mesmo após cumprir os critérios, a aprovação não é garantida e o processo pode levar anos. Também não é barato — por exemplo, há uma taxa de US$ 2.335 (cerca de R$ 12.632) para se naturalizar como cidadão britânico.

A cidadania por investimento é um caso diferente, criada para indivíduos de alto patrimônio que podem injetar dinheiro na economia local. Os candidatos investem no país e recebem um passaporte ou residência que pode eventualmente levar à cidadania.

Quais são os benefícios da dupla cidadania?

Eles são inúmeros. A dupla cidadania pode permitir que as pessoas se mudem para outro país, abrir portas para oportunidades de trabalho e desbloquear novas possibilidades educacionais para seus filhos. “Se seus filhos estiverem interessados em trabalhar ou estudar na União Europeia, você pode fazer isso sem complicações”, diz Spiro sobre as sempre populares cidadanias europeias.

Dependendo do passaporte, ela também pode facilitar viagens sem visto ou permitir a compra de imóveis e a abertura de negócios no exterior. “É uma escolha óbvia para quem é elegível”, afirma Spiro.

Em um nível emocional, adquirir uma segunda cidadania pode fortalecer laços com a terra dos antepassados ou oferecer uma conexão com um país há muito admirado. Algumas diásporas, como as da Irlanda e da Itália, ajudaram a valorizar a reputação de seus países de origem ao redor do mundo. “Isso fomentou uma identidade cultural italiana transnacional e reforçou o valor duradouro que a Itália atribui à conexão familiar”, afirma a advogada Adriana Coco Ruggeri, especialista em casos de cidadania italiana.

E quanto às desvantagens?

Surpreendentemente poucas, embora possam ser significativas. Os Estados Unidos e a Eritreia tributam seus cidadãos independentemente de onde vivam, o que significa que cidadãos com dupla nacionalidade enfrentam obrigações fiscais mesmo depois de se mudarem para outro país. Outros países utilizam a tributação baseada na residência, o que ainda pode resultar em contas de impostos mais altas no total.

Os riscos não terminam aí. A Itália, que restringiu severamente a cidadania por descendência em 2025, propôs cobrar dos italianos que vivem no exterior uma taxa anual de 2.000 euros (cerca de R$ 12.680) para acessar o sistema de saúde do país. Os cidadãos poderiam optar por não pagar, mas qualquer pessoa que buscasse atendimento médico posteriormente teria que pagar retroativamente os anos não utilizados. A proposta espelha uma política de 2024 que exige que residentes não pertencentes à UE na Itália paguem a mesma taxa anual.

O serviço militar também pode apresentar complicações. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, Volek afirma que tinha clientes de ambos os países vivendo no exterior. “Se o passaporte deles expirasse, seriam obrigados a voltar para casa para renová-lo”, diz ele. Isso, é claro, trazia o risco de serem convocados para lutar.

“Mas se você tivesse um passaporte caribenho, poderia deixar seu passaporte russo ou ucraniano expirar e ainda assim viajar, fazer negócios e fazer o que precisa com sua segunda cidadania.”

Outro risco é a capacidade de renunciar à cidadania. Alguns países, incluindo Argentina e Irã, não reconhecem a renúncia. A Turquia permite a renúncia, mas, para homens, apenas após a conclusão do serviço militar ou pagamento de uma taxa de isenção. Homens com menos de 45 anos que não cumprirem esses requisitos são criminalizados como desertores e não podem abrir mão da cidadania.

Por fim, o valor de um segundo passaporte não é fixo. O programa de cidadania por investimento de Granada sempre foi popular, pois cidadãos granadinos podem obter um visto de investidor E-2 para os Estados Unidos, que permite residência. Mas, em 2025, Washington endureceu as regras, exigindo que os candidatos tenham vivido em Granada por três anos. “Os países receptores estão ficando espertos quanto a esses usos calculados da cidadania”, alerta Spiro.

O que é o Ato de Cidadania Exclusiva dos EUA?

Em dezembro, o senador Bernie Moreno, republicano de Ohio, apresentou a proposta do Ato de Cidadania Exclusiva de 2025. Moreno, que nasceu na Colômbia e se naturalizou cidadão americano aos 18 anos, argumenta que os americanos devem ter “lealdade única e exclusiva aos Estados Unidos”.

“Se você quer ser americano, é tudo ou nada”, disse ele em um comunicado anunciando o projeto.

Spiro descarta a proposta como amplamente simbólica. “Isso não vai acontecer por vários motivos”, afirma, prevendo uma oposição “vigorosa” de ambos os partidos políticos. “Muitas pessoas têm dupla cidadania, incluindo a esposa e o filho de Donald Trump. Isso nunca vai se concretizar”, diz. E mesmo que acontecesse? “É claramente inconstitucional.”

Spiro afirma que o aspecto mais interessante da proposta de Moreno é a atenção que ela recebeu — o que ele acredita ser, em parte, devido ao número crescente de americanos com dupla cidadania. “Isso não é mais algo marginal”, diz.

A reação foi mista. Uma pesquisa da YouGov realizada após o anúncio de Moreno descobriu que 45% dos entrevistados acreditam que as pessoas não deveriam ter que abrir mão da cidadania original ao se naturalizarem como americanos, enquanto 31% concordaram com o senador. No entanto, as atitudes mudaram quando os entrevistados consideraram sua própria situação — 56% disseram que americanos que adquirirem outra cidadania não deveriam ser obrigados a renunciar ao passaporte dos EUA, e 65% afirmaram que não renunciariam à cidadania americana se adquirissem outra nacionalidade.

Qual passaporte os cidadãos com dupla nacionalidade usam para viajar?

Cidadãos com dupla nacionalidade normalmente usam o passaporte do país pelo qual estão entrando ou saindo. George Clooney, por exemplo, sairia dos Estados Unidos com um passaporte americano, entraria na União Europeia com um passaporte francês e, ao retornar, faria o processo inverso.

Alguns países proíbem a dupla cidadania?

Sim. Caso o projeto de lei de Moreno fosse aprovado, os EUA se juntariam a um pequeno grupo de países que proíbem totalmente a dupla cidadania, incluindo Irã, Cuba e Coreia do Norte. Mais de uma dúzia de outros seguem políticas semelhantes, incluindo Singapura, que a Henley classifica como tendo o passaporte mais poderoso do mundo.

China, Índia e Japão não reconhecem a dupla cidadania, embora a Índia permita que cidadãos que adquiram outra nacionalidade mantenham um status limitado conhecido como Cidadania no Exterior da Índia.

Outros países impõem restrições à dupla cidadania. A Espanha exige que estrangeiros renunciem à nacionalidade existente — a menos que sejam de uma ex-colônia espanhola ou de um pequeno grupo de outras nações, como Portugal ou França. Cidadãos espanhóis que adquirirem uma segunda cidadania (que não esteja na lista acima) terão sua nacionalidade espanhola cancelada, a menos que façam um pedido formal ao governo para mantê-la dentro de três anos.

Os Países Baixos também desencorajam a dupla cidadania, muitas vezes exigindo renúncia e, em alguns casos, revogando automaticamente a cidadania holandesa quando outra é adquirida.

Os países estão endurecendo seus requisitos?

Sim, para todas as três rotas de cidadania. “A demanda é imparável, só cresce”, diz Volek. “Mas, do lado da oferta, há um endurecimento claro.”

Vários países, especialmente na Europa, apertaram seus critérios em 2025.

A Itália emitiu um decreto de emergência em 2025 limitando a cidadania por descendência a duas gerações, exigindo que o antepassado mais recente na linha tenha nascido na Itália e tenha morrido como cidadão italiano. Vários juízes já encaminharam a lei ao Tribunal Constitucional da Itália, que agendou uma audiência para março de 2026.

“O Tribunal provavelmente vai derrubar ou modificar a lei, pois ela efetivamente constitui uma revogação geral da cidadania adquirida no nascimento, algo permitido apenas sob condições específicas (como confirmado por decisões do Tribunal da UE), que não estão presentes neste caso”, prevê a advogada Adriana Coco Ruggeri.

“Ela viola princípios constitucionais ao revogar retroativamente direitos já adquiridos e protegidos pela Constituição italiana, como cidadania, unidade familiar e identidade individual e coletiva; carece de proporcionalidade e foi promulgada por meio de um decreto de emergência sem urgência real, contornando a devida análise legislativa.”

Portugal também tentou endurecer suas regras, propondo aumentar o requisito de residência para naturalização de cinco para dez anos. A medida foi bloqueada pelo Tribunal Constitucional do país, que apontou elementos inconstitucionais e devolveu a lei para revisão. A Suécia anunciou planos para elevar seu requisito de residência de cinco para sete anos, enquanto a Polônia propôs aumentar seu limite de três para oito anos.

Algumas rotas tradicionais estão se fechando. O caminho rápido de Portugal para descendentes de judeus sefarditas expulsos no século XV foi encerrado, enquanto o programa semelhante da Espanha expirou. A Espanha ainda oferece uma rota de naturalização abreviada — dois anos em vez de dez — para candidatos capazes de provar ascendência sefardita.

Para aqueles afetados pelo Holocausto e pelo Fascismo, a Alemanha tem um caminho separado para quem perdeu a cidadania sob o regime nazista. A Itália, que retirou direitos civis dos judeus em 1938, não possui nada semelhante para aqueles que fugiram do Fascismo.

O que está acontecendo com a cidadania por investimento?

As autoridades europeias têm agido de forma agressiva para restringir os chamados programas de “passaporte dourado”, argumentando que eles reduzem a cidadania a uma transação comercial. Malta aboliu seu programa em 2025 após uma decisão do principal tribunal da União Europeia. Chipre e Bulgária já haviam feito o mesmo, e a Espanha encerrou seu esquema de visto dourado no mesmo ano, seguindo os passos da Irlanda e do Reino Unido.

Mas outros países continuam oferecendo esses programas. Vários países do Caribe, incluindo Antígua e Barbuda, Dominica, Santa Lúcia, Granada e São Cristóvão e Nevis, oferecem cidadania em troca de investimento, concedendo acesso sem visto a grande parte da Europa e aos Estados Unidos. Volek afirma que muitos investidores são americanos que buscam adquirir um documento de viagem politicamente neutro.

Existe alguma outra forma de se qualificar?

Como George e Amal Clooney sabem, ajuda ter amigos influentes. O casal e seus filhos receberam a cidadania francesa a pedido do ministro das Relações Exteriores do país, sob uma cláusula de “cidadão distinto”. Isso aconteceu no final de 2025, poucos dias antes de os requisitos de idioma e civismo serem endurecidos.

Tom Hanks, Rita Wilson e seus filhos receberam a cidadania grega em 2020. Os atores possuem propriedades no país e divulgaram os incêndios devastadores de 2018, segundo informou anteriormente o ministro do Interior da Grécia à CNN.

Esses casos podem gerar críticas, mas Volek afirma que os governos estão cada vez mais formalizando caminhos para candidatos excepcionais à medida que os programas tradicionais de investimento desaparecem. “Os programas estão sendo eliminados, mas substituídos por estruturas baseadas em mérito”, diz ele.

Há mais alguma coisa que vale saber?

Existe uma diferença entre o que as regras dizem e o que as pessoas conseguem fazer na prática. Algumas pessoas conseguem manter múltiplas cidadanias, mesmo em circunstâncias que não deveriam permitir isso — talvez porque um país reconheça e outro não. A aplicação das regras também pode ser inconsistente.

Os governos podem não divulgar todos os caminhos disponíveis. Na Itália, por exemplo, a orientação oficial afirmava há muito tempo que a cidadania não poderia ser transmitida por mães antes de 1948 — uma posição que os tribunais italianos têm repetidamente derrubado desde 2009.

Por esse motivo, se você tiver qualquer tipo de vínculo com outro país, sempre vale a pena consultar um especialista para avaliar suas opções.

O que os países “anfitriões” ganham com isso?

Os governos citam diferentes motivações. A Itália apontou para a influência política de sua vasta diáspora, enquanto a Espanha mencionou a pressão sobre o mercado imobiliário ao encerrar seu programa de visto dourado. Outros enfatizam benefícios econômicos ou demográficos.

Pequenos estados ou países vulneráveis estão experimentando modelos de investimento direcionados. Nauru, a terceira menor república do mundo, localizada na Micronésia, lançou em 2024 seu Programa de Cidadania para Resiliência Econômica e Climática, exigindo uma contribuição mínima de US$ 105.000 (cerca de R$ 568.050) para o fundo de resiliência climática da ilha. Um passaporte de Nauru permite viagens sem visto para 85 países, incluindo Hong Kong, Singapura e Emirados Árabes Unidos.

Volek, cuja empresa trabalhou no projeto, prevê que os novos cidadãos de Nauru arrecadarão cerca de US$ 50 milhões (cerca de R$ 270 milhões) para “literalmente salvar o país… movendo pessoas para o centro da ilha e implementando mecanismos contra as mudanças climáticas”.

Há algum país para ficar de olho?

Algumas nações estão refinando seus esquemas de cidadania por investimento em vez de abandoná-los. A Argentina deve lançar um programa exigindo um investimento mínimo de US$ 500.000 (cerca de R$ 2,7 milhoes) ainda este ano, enquanto El Salvador introduziu um caminho para cidadania vinculado ao investimento em Bitcoin. Nenhum dos dois exige residência, e um passaporte argentino garante acesso ao poderoso bloco Mercosul de países sul-americanos.

Volek prevê que os governos continuarão estreitando a elegibilidade enquanto desenvolvem programas que direcionem recursos para setores prioritários.

E, embora Spiro afirme que passaportes da UE, EUA, Austrália e Nova Zelândia sejam tipicamente os mais cobiçados, sua dica atual para dupla cidadania seria um estado do Golfo.

Vale a pena aplicar agora, mesmo que eu não precise?

Absolutamente, segundo os especialistas. Spiro tem cidadania alemã por descendência, o que significa que, mesmo sem planos de emigrar, seu filho pôde estudar em Berlim. “Se ele quiser trabalhar em qualquer lugar da União Europeia, poderá fazê-lo”, afirma.

Para Volek, trata-se de ter um “plano B” em um mundo cada vez mais incerto. Nascido na África do Sul, ele também possui um passaporte montenegrino por investimento (o que deve torná-lo cidadão da UE em 2028), um visto dourado para Dubai e residência em Singapura.

“Basta olhar as notícias — é um momento volátil e isso não vai mudar”, diz Volek.

E quanto antes, melhor, afirmam eles.

“As regras vão mudar, os programas ficarão mais caros e um pouco mais rigorosos”, diz Volek. “Independentemente da capacidade financeira, se você pode fazer isso por descendência ou tem dinheiro para investir, deve 100% aproveitar.”

Spiro concorda. “A mudança na Itália trouxe um novo senso de urgência. Há uma compreensão de que, mesmo que você seja elegível hoje, pode não ser amanhã. A elegibilidade não é algo fixo.”

“Pegue o que puder.”

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