Economista faz balanço do tarifaço de Trump e prevê impactos ‘ambíguos’ para 2026
Taxas impostas pela Casa Branca reorganizaram a economia mundial e o mercado interno dos EUA
Internacional|Do R7
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Apesar do recuo nos últimos meses, as taxações do presidente Donald Trump devem continuar a impactar a economia mundial em 2026. Além de reorganizarem grandes acordos internacionais, as tarifas marcaram o ano de 2025 ao provocarem a guerra comercial com a China e a interrupção de fluxos importantes de importação e exportação.
Em entrevista à RECORD NEWS, Igor Lucena analisa a linha do tempo desde o anúncio das medidas e avalia suas consequências para o mercado interno dos Estados Unidos, bem como para a economia dos países atingidos pelo tarifaço.

O economista e doutor em relações internacionais explica que a política comercial foi concebida a partir de uma visão bastante “mercantilista” de Washington, que considerava perder muito em déficits comerciais e ter prejuízos na geração de empregos.
“[Trump] fez uma análise muito simples de quanto cada país teria um superávit comercial e como uma quantidade pré-especificada de tarifas poderiam diminuir esse déficit”, diz Lucena, que relembra a escalada das taxas, potencializadas ao longo do ano.
Para o especialista, a visão de Trump é tão interessante quanto complexa. “Tem um certo sentido de que existe uma quantidade de americanos que perderam seus empregos e que não entraram na visão da globalização. Então essas tarifas teriam como objetivo também atrair empresas do chamado chão de fábrica tradicional para dentro dos Estados Unidos”.
O ideia seria conter o deslocamento dessa produção para o sudeste asiático. Nesse sentido, Lucena entende que algumas realizações foram corretas. “Países como a Arábia Saudita, o próprio Japão, se comprometeram a abrir fábricas. A gente viu os taiwaneses abrindo fábricas de microchips no Texas. Então, de certa maneira, houve sim vitórias para o presidente Donald Trump com essas políticas de tarifas”, pondera.
Ao mesmo tempo, outro lado da equação ficou desequilibrado e não foi tão receptivo às imposições norte-americanas. As tarifas também levaram a um movimento inflacionário, pontua o economista, que destaca o aumento de preços de produtos, principalmente os do dia a dia, nos Estados Unidos.
“Uma coisa ficou muito clara. Os Estados Unidos não vão perder a sinalização de principal potência do mundo. Eu acho que de certa maneira ele está conseguindo o objetivo dele. Eu não sei se na totalidade. Eu acho que os efeitos rebotes de isso, principalmente voltados para a inflação, são muito negativos. Mas quando a gente está falando de análises macroeconômicas que envolvem tarifas e inflação, não são efeitos que são muito práticos e diretos”, afirma.
O ano de 2026 deve mostrar o efeito líquido das taxas e esclarecer se elas são sustentáveis a longo prazo. “Essas tarifas de fato trouxeram novas empresas, abriram novas postas de trabalho? Em alguns mercados, provavelmente sim. Provavelmente os mercados mais intensivos em tecnologia, setor de carros, acho que isso vai ser muito forte. Outros mercados não”.
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