El Chapo, um criminoso com currículo mais longo que o túnel de sua fuga

José Antonio Torres. México, 15 jul (EFE).- Com milhares de mortes nas costas e mais de 30 acusações no México e nos Estados Unidos, o currículo criminal de Joaquín "El Chapo" Guzmán Loera é mais longo do que o túnel de um quilômetro e meio em que fugiu da prisão de segurança máxima do Altiplano I, no centro do México. Guzmán, apontado como um dos grandes responsáveis pela guerra de cartéis do narcotráfico dos últimos anos, é réu em 20 acusações nos Estados Unidos e por crimes contra a saúde em uma dezena de tribunais mexicanos. Nos Estados Unidos, tribunais federais dos estados de Arizona, Califórnia, Illinois, Texas e Nova York têm abertos há quase duas décadas dois processos contra Chapo por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. As autoridades americanas ofereceram até US$ 5 milhões por sua captura; as mexicanas acabam de oferecer 60 milhões de pesos (US$ 3,82 milhões) e deram um alerta mundial após sua fuga. Testemunhos de policiais publicados pela imprensa mexicana após a captura do Chapo em fevereiro de 2014 indicaram que ele está vinculado diretamente com pelo menos três mil mortes. O Cartel de Sinaloa, dirigido por Chapo com Ismael "Lo Mayo" Zambada, seria responsável ?por 67% das 45 mil mortes da guerra entre quartéis no México, revelou esta semana o historiador Héctor Aguilar Camín em artigo no jornal "Milênio". Em um perfil psicológico feito no passado e comentado por analistas da publicação "Nexos", as autoridades o definiram como uma pessoa com sentimento de inferioridade por causa de sua baixa estatura, 1,65 metro, que gosta de mostrar superioridade intelectual e com habilidades para manipular seu entorno. "Sedutor, afável, sabe gerar sentimentos de lealdade e dependência para si. É tolerante à frustração, mas não indulgente com seus adversários. Suas respostas são sempre calculadas e ele define claramente suas metas", publicou a revista. Desde que em 1991 conseguiu evitar a prisão com um suborno de US$ 100 mil até sua fuga neste fim de semana de Altiplano I, Guzmán acumula um dos mais longos currículos criminais do México. Chapo entrou na mira da justiça em maio de 1993, quando o cardeal mexicano Juan Jesús Posadas Ocampo morreu em meio a tiroteio entre o capo e pistoleiros do Cartaz de Tijuana, incidente que terminou com sua captura no mesmo ano na Guatemala. Após quase oito anos em prisão o narcotraficante escapou em janeiro de 2001 no carrinho de lavanderia da penitenciária de Puente Grande, no estado de Jalisco, no oeste do México. Capturado de novo há menos de um ano e meio, a justiça conseguiu mantê-lo encarcerado por apenas 15 meses até fugir por um túnel que começava no banheiro da prisão e terminava em uma casa a 1,5 quilometro de distância. Chamado já "o senhor dos túneis" por sua espetacular fuga, Chapo viu sua fama se tornar lendária, depois de o México oferecer a recompensa mais alta da história por ele. Seu escape do forte de Altiplano já tinha sido antecipado nas redes sociais por mensagens atribuídas a seus filhos, que estão na mira da justiça dos Estados Unidos. Publicações atribuídas a dois deles no Twitter mostraram satisfação com a fuga do chefe do Cartel de Sinaloa. Ivan Guzmán escreveu em 26 de junho "Meu papai todos os dias apresenta algo ao mundo, embora o mundo não saiba". O jornal "El Universal" publicou hoje que os nomes de três dos filhos do Chapo - Ivan Archibaldo, Jesús e Ovidio - aparecem em diversos expedientes judiciais e do Departamento do Tesouro americano por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. EFE jth/cd