Internacional Emmanuel Macron: a busca pela reeleição e a tentativa de ser o novo rosto da Europa

Emmanuel Macron: a busca pela reeleição e a tentativa de ser o novo rosto da Europa

Presidente francês disputa um novo mandato neste domingo (10) após assumir o papel de negociador do cessar-fogo na Ucrânia

  • Internacional | Lucas Ferreira, do R7

Presidente da França, Emmanuel Macron, em aparição pública

Presidente da França, Emmanuel Macron, em aparição pública

Ludovic MARIN / AFP

O presidente da França, Emmanuel Macron, encara neste domingo (10) as eleições presidenciais em busca do segundo mandato. Favorito nas pesquisas, o atual mandatário francês tem como grande adversária Marine Le Pen, que o segue de perto nas intenções de voto.

Se dentro do país Macron busca legitimar seu poder com uma reeleição, para a União Europeia o político é o novo rosto da Europa. O professor de relações internacionais da Facamp (Faculdades de Campinas) James Onnig ressalta a sinergia entre o presidente francês e o bloco.

“A pauta política de Macron, com essa visão centrista, combina muito com a visão da União Europeia. Por isso mesmo, quando ele assume o protagonismo, isso não é à toa”, conta Onnig ao R7.

O presidente da França aparece em um momento de renovação dos líderes políticos europeus, com a saída de Angela Merkel da chancelaria alemã após 16 anos e a ascensão de personagens populistas, como o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson.

Esse protagonismo de Macron ficou escancarado com a intermediação das negociações entre os presidentes Vladimir Putin e Volodmir Zelenski sobre a guerra na Ucrânia.

“[Macron] pegou uma crise justamente quando Olaf Scholz estava assumindo o governo alemão. [...] Por mais que exista a maturidade política de Berlim, entregar essa negociação a quem está entrando no governo é uma batata muito quente."

Juventude e tradição

Aos 44 anos, Macron é considerado um político jovem para os padrões da França. Apesar da juventude, o presidente se mantém fiel aos pilares históricos da União Europeia.

“O Macron é um líder que apoia o crescimento e fortalecimento da União Europeia nos moldes de onde ela surgiu, nos anos 1950, que é o comprometimento mútuo que vai promover a paz e o desenvolvimento do continente”, explica Onnig.

Diferentemente de Johnson, que foi colocado no cargo de primeiro-ministro para liderar o Brexit — a saída do Reino Unido da União Europeia —, Macron usa a projeção da política francesa para fortalecer os laços entre os países do bloco econômico.

Apesar de a Alemanha ser a força motriz econômica da Europa, a França tem ganhado cada vez mais protagonismo político em grandes decisões que norteiam o continente.

"O que a gente pode definir é que o Macron, para o continente, representa um elemento de estabilidade para o padrão exigido pelo bloco, que é um padrão controlado por grandes corporações, bancos, empresas, que têm interesses econômicos densos dentro do bloco.”

Ucrânia não é fator determinante para reeleição de Macron

Apesar de o presidente francês se colocar como um dos principais mediadores do conflito entre Rússia e Ucrânia, para Onnig as questões internas é que serão importantes para uma possível reeleição. Segundo o professor de relações internacionais, a classe média francesa aprovou o primeiro mandato de Macron.

“Para a classe média urbana francesa, que aspira ao liberalismo econômico, ele completou o seu ciclo nesse mandato de maneira positiva. Ele lidera a opinião pública”, destaca Onnig.

Se para alguns o governo de Macron pode ter sido positivo, para outros nem tanto. São os trabalhadores que mais sofreram durante os primeiros anos do político no comando da França. A expectativa é que o número de vagas de trabalho no país e na Europa diminua, o que contribui para o maior descontentamento da população.

“Existe uma bolha prestes a explodir no mundo todo, que é a questão salarial e do desemprego. Isso seria, como costumamos dizer, um calcanhar de aquiles do Macron porque a França tem muitas indústrias, que contratam cada vez menos. E o setor de serviços não contrata no mesmo ritmo que as indústrias faziam”, conclui Onnig.

Últimas