Crise na Venezuela

Internacional Empresário ligado a Maduro teria lavado R$ 1,6 bilhão no Equador

Empresário ligado a Maduro teria lavado R$ 1,6 bilhão no Equador

Alex Saab é acusado de montar esquema de exportações fictícias envolvendo empresas equatorianas e o governo da Venezuela

  • Internacional | Do R7

Saab intermediou exportações fraudulentas no Equador que jamais chegaram à Venezuela

Saab intermediou exportações fraudulentas no Equador que jamais chegaram à Venezuela

Reprodução/Tribunal Federal da Flórida via Infobae

Após a extradição do empresário colombiano Alex Saab, considerado um dos principais aliados do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de seu antecessor, Hugo Chávez, para os EUA, seus negócios com diversos países vêm sendo investigados. No Equador, uma comissão de fiscalização encontrou indícios de um esquema de lavagem de dinheiro por meio de exportações fraudulentas para a Venezuela no governo do ex-presidente Rafael Correa.

De acordo com o portal argentino Infobae, a investigação das transações do empresário no Equador é feita pelo congressista Fernando Villavicencio, presidente da comissão que apura os negócios de Saab no país.

Villavicencio afirma ter descoberto indícios da relação entre Correa — atualmente foragido na Bélgica — e exportações fictícias da empresa Fundo Global de Construções (Fonglocons, na sigla em espanhol),  que pertencia a Saab.

As investigações mostram que o empresário e seu sócio, Álvaro Pulido, criaram a Fonglocons em 2011. No mesmo ano, o então presidente colombiano Juan Manuel Santos e Hugo Chavez assinaram um convênio para a construção de casas populares na Venezuela. A Fonglocons seria a responsável por fornecer os materiais.

Simultaneamente, Pulido montou uma filial da Fonglocons no Equador, em parceria com Luis Eduardo Sánchez Yánes, irmão de Jaime Sánchez Yánez, homem de confiança de Hugo Chávez e assessor de segurança de Rafael Correa. Jaime, segundo Villavicencio, teria ido trabalhar no governo equatoriano por indicação do então presidente da Venezuela.

De acordo com documentos da Alfândega, do Banco Central e da inteligência equatoriana obtidos por Villavicencio, até 2003 a Fonglocons Equador teria declarado exportações de material de construção no valor total de US$ 296 milhões (cerca de R$ 1,6 bilhão na cotação atual). As exportações, no entanto, eram fictícias e jamais chegaram à Venezuela.

Villavicencio afirma que a empresa comprava material elétrico da Electrocables, que pertence a Nassib Neme, presidente do clube de futebol Emelec e amigo de Rafael Correa. Neme teria assinado pelo menos dois contratos com a Fonglocons por US$ 69 milhões (cerca de R$ 380 milhões) para fornecer cabos que nunca chegaram à Venezuela.

As movimentações chamaram a atenção das autoridades equatorianas, especialmente porque a Fonglocons pagou de encargos apenas US$ 2 milhões (cerca de R$ 11 milhões). Esse valor tributário seria correto apenas se as exportações tivessem sido de até US$ 44 milhões (o equivalente a R$ 242 milhões). Isso equivale a menos de 15% do total que a empresa alega ter exportado.

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