Enquanto Otan se retira, aumenta número de vítimas civis no Afeganistão
Internacional|Do R7
Cabul, 31 jul (EFE).- O número de vítimas civis aumentou nos últimos meses no Afeganistão, principalmente entre mulheres e crianças, tendência que indica um cenário violento quando as tropas da Otan se retirarem do país em 2014, segundo um relatório apresentado nesta quarta-feira pela Missão das Nações Unidas no Afeganistão (Unama). Enquanto as forças internacionais (Isaf) recuam, a guerra afegã se encontra em um dos momentos mais sangrentos desde seu começo, em 2001, com um aumento do número de mortos entre civis e as forças de segurança afegãs. Na primeira metade deste ano morreram 1.319 civis, o que representa um aumento de 14% em relação aos primeiros seis meses de 2012, segundo o relatório semestral elaborado pela Unama. O número de feridos foi de 2.533, 28% a mais em relação ao mesmo período do ano passado. O maior aumento ocorreu entre as mulheres, com 106 vítimas fatais e 241 feridas, o que significa um crescimento de 61%. No mesmo período, 231 crianças morreram e 529 ficaram feridas, 30% a mais que no ano anterior, acrescentou a Unama. O organismo internacional explicou o aumento de vítimas entre mulheres devido ao crescimento dos enfrentamentos entre as forças de segurança afegãs e os insurgentes islamitas, que já representam a segunda causa de morte de civis, com 9% do total. Os enfrentamentos diretos aumentaram como consequência da transição da segurança das mãos internacionais para as forças afegãs, cuja última fase começou em junho. "Com a aceleração da transição de segurança e o fechamento de bases internacionais aumentaram os ataques dos elementos antigovernamentais", disse em Cabul a diretora de Direitos Humanos da ONU para o Afeganistão, Georgette Gagnon. Os analistas afegãos estão de acordo com o diagnóstico da ONU. "A retirada internacional causou o aumento de civis e policiais mortos, enquanto diminuem as baixas das tropas da Isaf", disse à Agência Efe o analista político Ahmad Sayeedi. Nos seis primeiros meses de 2013 morreram 95 soldados da missão da Otan no Afeganistão, o número mais baixo desde 2006, quando 75 militares perderam a vida no mesmo período, de acordo com o portal independente "iCasualties". Ao mesmo tempo, 2.748 policiais afegãos morreram nos últimos quatro meses, uma média de 22 por dia, segundo o Ministério do Interior. "O aumento de vítimas civis e policiais se deve à fraqueza e pouco profissionalismo das forças de segurança afegãs, que não têm o treinamento adequado", avaliou Sayeedi. "Acho que continuarão aumentando as vítimas civis, já que as forças de segurança operam em zonas residenciais e os talibãs dependem muito dos artefatos explosivos", sentenciou o analista. A detonação de artefatos explosivos foi a principal causa de morte de civis (35%), enquanto os ataques coordenados e os atentados suicidas representaram 17% das vítimas. A Unama atribui a maioria das vítimas civis (74%) a ações da insurgência talibã e outros grupos opositores, 9% aos corpos de segurança governamentais e 12% aos enfrentamentos entre as forças pró e antigoverno. O restante (4%) se deveu a explosivos abandonados. O relatório ressaltou um aumento dos ataques contra civis que trabalham para o governo, tribunais e líderes religiosos. Em comunicado, os talibãs afirmaram que qualquer um que trabalhe para o Executivo do presidente Hamid Karzai é um alvo legítimo. "Nunca consideramos civis aqueles que estão envolvidos diretamente na ocupação de nosso país e trabalham para organismos do inimigo", disse o porta-voz insurgente Zabihula Mujahid. Apesar da maior parte das vítimas ser em função da insurgência, as mortes em operações da missão da Otan não são incomuns e causam atrito com o governo afegão. Os ataques aéreos das forças da Otan são controvertidos e o governo afegão os proibiu em áreas próximas às zonas habitadas. A limitação dos ataques aéreos poderia explicar a queda em 30% dos mortos civis (49) em bombardeios. O número de feridos neste tipo de ataque foi de 41. Os bombardeios de drones (avião não-tripulado) dos Estados Unidos deixaram 15 mortos e sete feridos, segundo a ONU. EFE fpw-jlr/dk












