Entenda a estratégia de Zelensky para colocar tropas da Otan na Ucrânia
Presidente ucraniano divulgou plano para realização de eleições no país em guerra
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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A Ucrânia pretende anunciar os planos para uma eleição presidencial. Segundo fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters, o país se prepara para a realização de uma votação em conjunto com um referendo sobre um possível acordo de paz com a Rússia.
As autoridades afirmam que as eleições não podem ser realizadas antes de Volodymyr Zelensky concordar com os termos de um acordo de paz. As eleições foram proibidas pela lei marcial em vigor desde o começo do conflito e a maioria dos ucranianos se opõe a uma votação em tempos de guerra. O planejamento deve ser anunciado em 24 de fevereiro, data em que a guerra completa quatro anos.

Em entrevista ao Conexão Record News desta quarta-feira (11), Vitelio Brustolin, professor de relações internacionais e pesquisador, afirma que o plano de anúncio das eleições em 24 de fevereiro só será efetivado se os Estados Unidos e aliados colocarem tropas na Ucrânia, que é exatamente o que a Rússia não quer.
Segundo o analista, o projeto de Zelensky “parece muito estratégico”, pois permite que Kiev cumpra com o que Washington quer, mesmo com a Constituição proibindo eleições em tempos de guerra e com uma lei marcial em vigor, até porque é difícil promover votações em territórios ocupados por forças inimigas.
“O que o Zelensky vem pedindo desde o início é que tropas da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) entrem na Ucrânia, e se ele conseguir isso, essas tropas que forem colocadas ali para garantir eleições não vão sair. Então ele conseguiria avançar com uma pauta ucraniana, seria fazer um cordão de isolamento de contenção das tropas russas e muito provavelmente os russos não vão concordar com isso", explica Brustolin.
“É exatamente essa ironia. Os russos querem derrubar o Zelensky desde o início. E ele se propõe a fazer eleições e sair do poder, mas para que isso seja feito teriam que ser colocadas tropas da Otan dentro da Ucrânia, o que seria ruim para a Rússia. E dificilmente isso, portanto, vai avançar”, conclui o especialista.
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