Internacional Entenda as razões dos protestos que paralisam o Haiti

Entenda as razões dos protestos que paralisam o Haiti

Manifestações começaram depois que presidente Jovenel Moise completou dois anos no poder e são motivadas por falta de combustível

Haitianos estão insatisfeitos com governo de Jovenel Moise

Haitianos estão insatisfeitos com governo de Jovenel Moise

REUTERS/Jeanty Junior Augustin

O Haiti atravessa uma nova crise política e econômica em meio a violentos protestos convocados por setores da oposição e grupos sociais contra a gestão do presidente Jovenel Moise, que acaba de completar dois anos no cargo.

Estas são as cinco chaves para entender a situação do país caribenho, o mais pobre da América, cuja economia, de acordo com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), cresceu apenas 1,4% em 2018, uma das taxas mais baixas da região e muito abaixo do 2,2% previsto no início do ano passado e que depois foi reduzido a 1,8%.

Quando começaram os protestos?

Os protestos, nos quais lojas e postos de combustível foram saqueados e que deixaram pelo menos sete mortos e vários feridos, começaram em 7 de fevereiro, mesmo dia no qual Moise completou dois anos no cargo.

Estas manifestações, que mantêm o país paralisado, foram antecedidas por um 2018 muito difícil para esta nação, onde em junho do ano passado ocorreram violentos protestos após um aumento nos preços do combustível, situação que provocou a renúncia do então primeiro-ministro Jack Guy Lafontant.

Entre setembro e novembro de 2018 os haitianos saíram maciçamente às ruas para exigir o esclarecimento do suposto desvio de fundos do Petrocaribe, o acordo pelo qual a Venezuela fornece petróleo em condições favoráveis a vários países caribenhos.

Uma auditoria revelou irregularidades entre 2008 e 2016 neste programa, que envolvem 15 ex-ministros e atuais funcionários, assim como uma empresa que Moise dirigia antes de ser presidente.

Quais são as causas dos protestos?

A situação dos haitianos sempre foi muito precária, mas se agravou nos últimos meses em um contexto econômico difícil, com uma forte desvalorização do gourde, a moeda oficial, uma elevada inflação, ao que se somou uma crise de eletricidade derivada da escassez de gasolina.

Além disso, o governo não conseguiu aprovar seu orçamento para este ano, de US$ 1,65 bilhão, o qual foi rejeitado no mês passado pela Câmara de Deputados, agravando ainda mais a crise econômica.

A isto se acrescenta o descontentamento da população com o presidente Moise, de 50 anos, um empresário do setor da banana que chegou ao cargo sem experiência política, e cuja renúncia é reivindicada insistentemente por um setor da oposição.

Quem respalda os protestos?

Um setor da oposição agrupado no Movimento Democrático Popular, integrado por líderes de partidos opositores e por grupos populares.

As manifestações também contam com o apoio do Grupo Petro Challenger, criado em 2018 para exigir justiça nas supostas irregularidades no programa Petrocaribe.

Qual foi a reação do governo?

No sábado passado, Moise chamou a oposição para dialogar "abertamente" e buscar soluções à crise que assola o país, onde mais da metade dos 10 milhões de habitantes sobrevive com menos de US$ 2 diários, mas sua mensagem não conseguiu frear os protestos.

Qual é a posição da comunidade internacional em relação à crise no Haiti?

O Core Group, integrado pelo representante especial adjunto do secretário-geral das Nações Unidas, os embaixadores de Brasil, Alemanha, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, União Europeia e o representante especial da Organização dos Estados Americanos (OEA), convocou os atores políticos a um diálogo para buscar uma solução para a crise política.

Além disso, o Core Group rejeitou os atos de violência durante as manifestações e lamentou as mortes.