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Entenda o que afastou Venezuela e EUA após décadas de aproximação

Sob Trump, Washington passou a tratar a Venezuela como uma ameaça à segurança nacional, citando migração e tráfico de drogas

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A relação entre Venezuela e EUA, que começou nos anos 1950, se deteriorou com a ascensão de Hugo Chávez no final dos anos 1990.
  • O governo americano capturou o presidente Nicolás Maduro recentemente, marcando um novo capítulo na tensão entre os países.
  • A relação se agravou após o golpe de 2002 que temporariamente depôs Chávez, levando-o a adotar um discurso anti-EUA.
  • Com Donald Trump, a tensão virou uma questão de segurança nacional, culminando na recente ação militar contra Maduro.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Em 1999, o presidente dos EUA, Bill Clinton, recebeu Hugo Chávez na Casa Branca
Em 1999, o presidente dos EUA, Bill Clinton, recebeu Hugo Chávez na Casa Branca Divulgação/Nações Unidas

A relação entre Venezuela e Estados Unidos, hoje marcada por confronto político e militar, foi durante décadas uma das mais próximas da América Latina. A aliança começou a se formar no fim dos anos 1950, atravessou a Guerra Fria e só se rompeu de forma definitiva com a chegada de Hugo Chávez ao poder, no fim dos anos 1990.

A ruptura histórica ganhou novo capítulo neste sábado (3), quando o governo dos Estados Unidos capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro durante uma operação militar e bombardeou complexos militares em Caracas.


O vínculo entre os dois países ganhou força em 1958, em meio a um episódio que quase terminou em tragédia. Durante visita oficial a Caracas, o então vice-presidente americano Richard Nixon teve sua comitiva cercada por uma multidão enfurecida que protestava contra a decisão de Washington de conceder asilo a um ditador venezuelano recém-deposto. Manifestantes atacaram os carros com pedras e objetos e gritaram ameaças de morte. “Por um instante, passei a pensar que poderíamos ser mortos”, escreveu Nixon mais tarde.

Apesar do episódio, a crise acabou tendo um efeito positivo. A Venezuela iniciava uma transição para a democracia, e Nixon avaliou o ataque como “um tratamento de choque muito necessário que nos tirou de uma complacência perigosa”. Washington passou a dedicar mais atenção ao país, dando início a uma parceria que duraria cerca de quatro décadas.


Durante a Guerra Fria, a Venezuela se consolidou como aliada estratégica dos Estados Unidos por três fatores centrais. O país mantinha um regime democrático, adotava postura anticomunista e possuía vastas reservas de petróleo. A combinação transformou Caracas em um parceiro prioritário em uma região marcada por instabilidade política e pela influência crescente de Cuba após 1959.

A proximidade ficou evidente nos anos 1960. Em 1963, o presidente John F. Kennedy ofereceu um jantar de Estado ao presidente venezuelano Rómulo Betancourt, a quem chamou de “o melhor amigo dos Estados Unidos” na América do Sul. Empresas americanas expandiram sua atuação no setor energético, enquanto Washington passou a vender armas ao governo venezuelano.


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Mesmo quando a Venezuela nacionalizou sua indústria petrolífera nos anos 1970, a reação dos Estados Unidos foi moderada. O país pagou mais de 1 bilhão de dólares em compensações às empresas americanas e seguia sendo um parceiro relevante dentro da Opep. Manter boas relações com Caracas também era considerado estratégico em meio à disputa com a União Soviética.

Nos anos 1980, o governo Ronald Reagan passou a exaltar publicamente a Venezuela como um exemplo democrático no hemisfério, ao mesmo tempo em que combatia movimentos de esquerda na América Central. Em 1981, os Estados Unidos venderam 24 caças F-16 ao país, na maior operação militar americana na região em mais de uma década.


O cenário começou a mudar após o fim da Guerra Fria. Embora a Venezuela tenha se tornado o principal fornecedor de petróleo dos Estados Unidos no fim dos anos 1990, Washington reduziu sua atenção política à América Latina. Foi nesse contexto que emergiu Hugo Chávez, eleito presidente em 1998 com um discurso nacionalista, crítico das elites e hostil aos Estados Unidos.

Inicialmente, a reação americana foi cautelosa. Em 1999, o presidente Bill Clinton recebeu Chávez na Casa Branca, quando o venezuelano afirmou que pretendia manter boas relações e descartou mudanças radicais. A desconfiança, porém, cresceu rapidamente.

O ponto de inflexão ocorreu em abril de 2002, quando Chávez foi deposto por dois dias após ser preso por militares em meio a protestos. O golpe fracassou depois que grandes manifestações exigiram seu retorno ao poder. Reintegrado ao cargo, Chávez passou a reprimir adversários e acusou os Estados Unidos de apoiar a tentativa de derrubá-lo.

O governo de George W. Bush negou envolvimento, mas documentos desclassificados posteriormente mostraram que autoridades americanas tinham conhecimento prévio da conspiração. Os registros também indicaram que Washington alertou líderes da oposição contra a destituição de Chávez por meios inconstitucionais.

A partir daí, a relação entrou em deterioração acelerada. Chávez adotou um discurso cada vez mais agressivo contra Washington e passou a usar os Estados Unidos como antagonista central de sua política externa. Em 2006, na Assembleia Geral da ONU, afirmou que “o diabo esteve aqui ontem, e ainda hoje cheira a enxofre”, ao se referir ao então presidente americano.

No ano seguinte, o governo venezuelano reafirmou o controle estatal sobre o petróleo, forçando empresas estrangeiras a aceitar participações minoritárias em projetos dominados pela estatal. As americanas Exxon Mobil e ConocoPhillips se recusaram e tiveram seus ativos confiscados.

Após a morte de Chávez, em 2013, Nicolás Maduro manteve a mesma orientação política. O isolamento internacional aumentou, acompanhado de sanções econômicas e pressões diplomáticas impostas pelos Estados Unidos. Em resposta, a Venezuela estreitou laços com rivais estratégicos de Washington, como Rússia, China e Cuba.

Sob o governo de Donald Trump, a tensão atingiu o nível mais alto. A Casa Branca passou a tratar a Venezuela como ameaça à segurança nacional, citando migração e tráfico de drogas. Neste sábado, ao anunciar a captura de Maduro após um ataque militar, Washington encerra simbolicamente um ciclo iniciado há cerca de 25 anos, marcando o colapso definitivo de uma relação que foi, por décadas, uma das mais estreitas dos Estados Unidos na América Latina.

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