Entenda o que é a Otan e a sua relação com a guerra no Irã
Donald Trump chamou países que formam a aliança de ‘covardes’
Internacional|Do R7
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) ao mencionar a guerra no Irã.
Em declaração na sexta-feira (20), o republicano chamou os aliados que formam a aliança militar de “covardes”, afirmando que eles “não quiseram entrar na luta” para impedir que o país persa obtenha uma arma nuclear.
Além disso, o republicano alega que a Otan não contribuiu para a reabertura do estreito de Ormuz, fechado por Teerã no início do conflito, limitando-se, segundo ele, a “reclamar” do preço do petróleo.
LEIA MAIS
Mas, afinal, o que é a Otan e qual o seu objetivo?
A Otan é uma aliança militar que tem o objetivo de defender incondicionalmente seus Estados-membros. Trata-se de um sistema de segurança coletiva, no qual cada integrante concorda em defender-se mutuamente de ataques de nações externas.
Como o próprio nome diz, só podem fazer parte do bloco países que se localizam no Hemisfério Norte da Terra. Hoje, 30 nações integram a Otan: Albânia, Alemanha, Bélgica, Bulgária, Canadá, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Estônia, França, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Montenegro, Macedônia do Norte, Noruega, Países Baixos, Polônia, Portugal, Reino Unido, Romênia, República Tcheca e Turquia.
A aliança surge no contexto da Guerra Fria, que marcou a segunda metade do século 20, época em que o mundo ficou dividido entre a influência e o poderio de duas superpotências, com visões políticas e ideológicas distintas: os Estados Unidos e União Soviética (URSS), cujo principal país-membro era a Rússia. O objetivo da Otan era conter a influência geopolítica dos soviéticos.
A Otan foi criada em 1949, depois de acordos entre alguns países, principalmente os EUA, Canadá, Reino Unido e França. A Segunda Guerra Mundial tinha acabado quatro anos antes e, mesmo tendo ajudado a derrotar a Alemanha nazista, os soviéticos se tornaram adversários dos países europeus e dos Estados Unidos, por causa da oposição entre os campos capitalista e comunista. Portanto, a aliança é, desde o início, fruto da rivalidade com a Rússia.
Anos depois, com a unificação da Alemanha, em 1990, e a dissolução da União Soviética, em 1991, os países da Otan revisaram seus propósitos. Posteriormente, nas décadas de 1990 e 2000, houve acordos de reduções militares específicas com a Rússia, que também estabeleceu parcerias com membros da aliança.
Em 1994, a Rússia assinou um acordo para a paz com a Otan. Os russos tentaram entrar para a organização, sem sucesso, e, em 2002, foi fundado o conselho Rússia-Otan. Entretanto, com a invasão russa da Crimeia (2014), essa cooperação foi suspensa.
Avanço para o leste
Desde o fim da União Soviética, a organização militar começou a se expandir para o leste da Europa, aceitando mais países-membros: em 1952, entraram para o grupo Grécia e Turquia; em 1955, Alemanha Ocidental; em 1982, Espanha; em 1999, República Tcheca, Polônia e Hungria; em 2004, Letônia, Lituânia, Estônia, Eslováquia, Eslovênia, Romênia e Bulgária; em 2009, Croácia e Albânia; em 2017, Montenegro; e, em 2020, Macedônia do Norte.
As divergêrcias com a Rússia aumentaram em 2004, quando Estônia, Letônia e Lituânia, ex-repúblicas soviéticas, aderiram à aliança. O governo de Moscou afirmou que, em 1990, os Estados Unidos concordaram que o bloco não chegaria à antiga União Soviética, mas essa cláusula nunca fez parte de nenhum acordo assinado entre as partes.
A partir de então, os russos vêm tentando bloquear novas parcerias. Hoje, a Rússia está praticamente rodeada por membros da organização, e as fronteiras que ainda estavam livres eram as da Ucrânia e da Geórgia. A Ucrânia, desde 2014, busca uma aproximação com o Ocidente e sinaliza seu interesse de se juntar aos Estados-membros da Otan. Com seu ingresso, Vladimir Putin teme perder a soberania na região.
Qual a relação da Otan com a guerra no Irã?
Trump criticou a aliança após Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão afirmarem estar prontos para ajudar a liberar o estreito de Ormuz, ainda que não tenham especificado como.
A rota, essencial para o fluxo de cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo, foi fechada pelo Irã, que vem atacando navios que passam pelo local.
Antes, o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, já havia afirmado que os países da aliança não pretendem se envolver na guerra no Oriente Médio, embora considerassem as operações americanas e israelenses “realmente importantes”.
“Isso está eliminando e degradando a capacidade do Irã de obter capacidade nuclear e capacidade de produzir mísseis balísticos”, disse Rutte à emissora alemã ARD.
Ainda segundo Rutte, “não há absolutamente nenhum plano para que a Otan seja arrastada para isso ou faça parte disso, além de aliados individuais fazerem o que puderem para viabilizar o que os americanos estão fazendo em conjunto com Israel”.
A posição foi criticada por Trump, que a classificou como um “erro muito tolo”.
“Acho que a Otan está cometendo um erro muito tolo. Todos concordam conosco, mas não querem ajudar. E nós, como Estados Unidos, precisamos nos lembrar disso, porque achamos bastante chocante”, comentou o republicano.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp









