Entenda quais os reais planos de Trump na Groenlândia e as possíveis consequências de retaliações europeias
Presidente americano afirmou que não pensa mais somente em paz e anunciou taxações a países europeus em fevereiro
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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A tensão entre Estados Unidos e Groenlândia cresceu durante o último final de semana. Segundo o presidente americano, Donald Trump, a segurança do mundo depende do controle do país sobre o território dinamarquês. Combinado a isso, no último sábado (17), Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 10% a países europeus que se opõem à anexação do território a partir de 1º de fevereiro.
Durante mensagem enviada ao primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, nesta segunda-feira (19), o líder estadunidense afirmou que não pensa mais somente na paz, relacionando a posse do território no Ártico ao fato de não ter ganhado o Prêmio Nobel da Paz — prêmio entregue na Noruega.
“Não me sinto mais obrigado a pensar na paz, embora ela seja predominante, mas agora posso pensar no que é bom e apropriado para os Estados Unidos”, declarou.

Para Leonardo Trevisan, professor de relações internacionais da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), as falas preocupam, principalmente, pela imprevisibilidade de Trump somada à capacidade ofensiva dos Estados Unidos, algo difícil de ser combatido por outras nações.
“De certa forma, essa sinceridade dele é uma sinceridade que põe o mundo bastante preocupado. Até que ponto isso vai ‘Eu não estou mais pensando na paz’? Veja bem, não sou eu, não é você, não é o guarda da esquina que está falando isso, é quem tem o poder sobre um PIB de US$ 30 trilhões [cerca de 160,8 trilhões, em conversão direta] e sobre uma força armada que é indiscutivelmente maior do que qualquer outra”, comenta.
Em entrevista ao Conexão Record News desta segunda, ele ressalta que, para além da alegação de paz e segurança, a Groenlândia é de interesse aos americanos por concentrar reservas fundamentais de petróleo, gás, urânio e terras raras — itens de valor para Trump.
“Embaixo daquele gelo todo da Groenlândia, que está diminuindo, embaixo do gelo todo, tem muito petróleo, tem a medida, tem muito gás, tem urânio, mas tem principalmente metais das terras raras. Ninguém sabe exatamente quanto, mas é uma reserva muito grande. É isso que Trump está de olho”, comenta Trevisan.
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Após as ofensivas verbais, líderes europeus estudam quais possíveis respostas seriam as mais adequadas a uma possível taxação ao velho continente. Após uma conversa com o político americano neste domingo (18), o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, pediu uma discussão calma para evitar uma possível guerra comercial com os Estados Unidos.
Starmer afirmou que tarifas não devem ser usadas contra aliados como forma de ameaça, além de recomendar a Donald Trump o respeito a alianças como a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). O premiê ainda informou que deve usar todo o poder do governo para tentar impedir a decisão americana com o foco em evitar uma disputa comercial.
Trevisan pontua que, apesar dos pedidos de calma pelo líder inglês, os países europeus buscam alguma forma de resposta ao governo americano por sentirem que a soberania do continente pode ser violada, como medidas que podem ser taxações a produtos americanos que poderiam custar cerca de 93 bilhões de euros (cerca de R$ 589,3 bilhões).
O professor ainda destaca que, dentre possíveis medidas retaliatórias, uma possível limitação à exportação de serviços americanos de tecnologia seria o mais custoso a Trump, uma vez que o presidente possui uma relação estreita com os CEOs das big techs do país, como Google e Amazon.
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