Esforços de mediação entre EUA e Irã pelo Paquistão continuam, dizem fontes
País busca evitar ser arrastado para uma guerra que afetaria sua estabilidade interna e suas relações com o Irã
Internacional|Da Reuters
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Esforços para facilitar as negociações entre os Estados Unidos e o Irã estão em andamento, disseram duas fontes paquistanesas com conhecimento das discussões à Reuters nesta terça-feira (7), enquanto os ataques dos EUA ao Irã se intensificavam e o prazo do presidente norte-americano, Donald Trump, para desencadear o “inferno” sobre o Irã se aproximava.
No entanto, uma das fontes, uma autoridade graduada de segurança, disse que os ataques noturnos do Irã às instalações industriais da Arábia Saudita ligadas a empresas norte-americanas ameaçaram inviabilizar as negociações.
Se a Arábia Saudita retaliar, as negociações estariam encerradas, disse a fonte, acrescentando que isso poderia atrair o Paquistão para o conflito, de acordo com seu pacto de defesa com Riad, que vincula as duas nações a lutar uma pela outra em caso de guerra.
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A segunda fonte com conhecimento das negociações disse que o Irã está “caminhando sobre gelo fino” e que as próximas três ou quatro horas seriam críticas para o futuro do diálogo.
O Paquistão tem sido o principal intermediário para as propostas compartilhadas por ambos os lados, mas não há sinal de um compromisso.
“Estamos em contato com os iranianos. Ultimamente, eles têm demonstrado flexibilidade para participar das conversações, mas, ao mesmo tempo, estão adotando linhas duras como pré-requisito para qualquer negociação”, disse a fonte de segurança paquistanesa.
Ele acrescentou que Islamabad está tentando persuadir Teerã a entrar em negociações sem condições prévias.
Mensagens sendo trocadas
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse na segunda-feira que as mensagens ainda estão sendo trocadas entre o Irã e os EUA por meio de mediadores.
Uma fonte iraniana graduada disse que Teerã havia rejeitado uma proposta de cessar-fogo temporário com negociações dependentes do fim dos ataques israelenses e norte-americanos e da compensação por danos.
O Ministério das Relações Exteriores do Paquistão disse nesta terça-feira que os ataques à Arábia Saudita constituem uma escalada perigosa.
“Essas agressões injustificadas têm sérias repercussões, estragando as opções pacíficas em andamento e o ambiente propício”, acrescentou uma declaração do Exército paquistanês após os principais comandantes se reunirem com o chefe do Exército, Asim Munir.
O Paquistão quer evitar ser arrastado para a guerra, o que poderia causar estragos ao longo de sua fronteira ocidental compartilhada com o Irã e provocar descontentamento entre sua grande população xiita, a segunda maior do mundo depois do Irã.
Os analistas dizem que o acordo de defesa pode não desencadear uma ação militar imediata, mas pode ser ativado se o conflito se agravar.
A disposição do Irã de correr o risco de constranger o Paquistão em um momento em que “é crucial para a intermediação de um cessar-fogo revela o quanto Teerã está comprometido com uma estratégia de retaliação que pune o golfo Pérsico pelos ataques dos EUA e de Israel”, disse Adam Weinstein, especialista em Paquistão, Afeganistão e política dos EUA no Quincy Institute.
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