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Estacionamento de hospital turco vira necrotério improvisado

De acordo com funcionários e voluntários da unidade de saúde, cerca de 70% dos corpos levados ao local não são identificados

Internacional|Do R7

Sacos pretos com corpos dentro se acumulam no estacionamento de hospital turco
Sacos pretos com corpos dentro se acumulam no estacionamento de hospital turco Sacos pretos com corpos dentro se acumulam no estacionamento de hospital turco

"Encontramos minha tia, mas não o meu tio", diz Rania Zaboubi, com a voz embargada, enquanto olha cada um dos corpos cobertos por sacos pretos no estacionamento do principal hospital de Antakya, no sul da Turquia, que virou um necrotério improvisado após o forte terremoto de segunda-feira (6).

A refugiada síria perdeu oito familiares na tragédia, que já deixou cerca de 20 mil mortos na Turquia e na Síria.

No estacionamento do hospital de Antakya, uma cidade com 360 mil habitantes na província de Hatay, outros sobreviventes buscam familiares e conhecidos. Na noite desta quarta-feira (8), jornalistas da AFP contabilizaram cerca de 200 corpos espalhados em ambos os lados das tendas onde os feridos são tratados.

Diante da magnitude da catástrofe, o espaço do estacionamento não conseguiu comportar a quantidade de corpos que ali chegavam, então sete deles foram colocados ao lado de uma lixeira que transbordava.

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O hospital, que tem enormes rachaduras visíveis em um dos muros, precisará ser evacuado, pois, segundo as autoridades, o edifício não tem mais capacidade de receber pacientes ou cadáveres.

Corpos não identificados

Os pacientes, divididos em três cores de acordo com a gravidade dos ferimentos, são atendidos em tendas localizadas fora do prédio. Muitos foram levados de helicóptero a outros hospitais que resistiram aos tremores e vários foram transferidos para a cidade de Adana. Mas os corpos dos que não resistiram permanecem no asfalto congelado.

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Ao ser perguntado sobre a quantidade de cadáveres levados àquele estacionamento desde segunda, Yigitcan Kayserili, um voluntário de Ankara, responde que "muitos [...] talvez 400 ou 600", diz.

Há dois dias sem dormir, Kayserili ajuda pessoas a encontrar familiares e fornece apoio psicológico. No estacionamento, as indas e vindas são constantes. Ao lado direito do voluntário, um homem e o filho, um adolescente de cabelos cacheados, pegam um corpo e se afastam impassíveis, vencidos pela tragédia.

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Atrás dele, um homem dirige lentamente um carro azul velho. Ele transporta, no banco traseiro, um corpo que procurava. Uma van branca está estacionada próximo ao local. Ao contrário de outros carros a caminho de Antakya, este não é utilizado para transportar ajuda, mas, sim, corpos não identificados.

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"Quase 70% dos corpos aqui não foram identificados", contou Kayserili.

Aqueles que não são reconhecidos após 24 horas são levados pela van e acabam em valas comuns.

"Podemos carregar 50 cadáveres", diz ele. "Poderíamos carregar mais, mas não queremos empilhá-los", lamenta.

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