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Estreia de filme de Bollywood causa onda de protestos na Índia

Padmaavat, filme sobre rainha lendária dos hindus rajput, chega aos cinemas após meses de confusões, vandalismo e protestos em várias cidades indianas

Internacional|Fábio Fleury, do R7, com agências internacionais

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Manifestantes queimaram motos na cidade de Ahmedabad, no oeste da Índia
Manifestantes queimaram motos na cidade de Ahmedabad, no oeste da Índia

O impacto do lançamento de um filme pode ser medido por sua bilheteria. O lançamento de Padmaavat, uma super produção de Bollywood (Hollywood da Índia), poderá ter seu impacto medido por danos e vítimas na Índia.

A chegada deste drama épico aos cinemas vem causando uma onda de protestos no país. Por conta de boatos sobre o conteúdo da obra, grupos de hindus têm feito manifestações, incendiado veículos e até ameaçado suicídios coletivos.


Começou a circular entre os hindus o boato de que o filme traria cenas românticas entre a rainha e o rei muçulmano Alauddin Khilji, supostamente durante um sonho, em que eles teriam relações sexuais.

O filme estreou na quinta (25) sob um forte esquema de segurança montado pelo governo, que mobilizou policiais e homens das forças armadas para ficarem de prontidão diante de prédios onde funcionam salas de cinema.


Com toda a polêmica, mais de um milhão de indianos assistiram o filme no primeiro dia, segundo a empresa que fez a distribuição, mesmo com os governos algumas províncias mais conservadoras do norte, como Rajastão, Uttarakhand e algumas cidades de Uttar Pradesh, proibindo a exibição da obra.

Nesses locais, membros de grupos radicais hindus cercaram prédios e queimaram veículos para protestar contra o filme. Um grupo de 150 mulheres da casta rajput chegou a pedir permissão ao governo para se auto-imolarem. Elas queriam incendiar os próprios corpos para demonstrar sua indignação.


Na última quarta, um grupo atacou com pedradas um ônibus escolar na cidade de Gurgaon. Apesar do susto, nenhum estudante se machucou com seriedade. A polícia prendeu 18 pessoas por participarem da violência. No vídeo abaixo, é possível ver os estragos no veículo.

Boatos e vandalismo


A confusão começou durante a produção do filme, quando grupos hindus começaram a ameaçar os envolvidos no filme pelo que eles consideram heresias contra a figura lendária da rainha Rani Padmaavati, uma importante figura história do hinduísmo.

Em janeiro do ano passado, manifestantes do grupo rajput Karni Sena invadiram um set de filmagens em Jaipur e agrediram o diretor Sanjay Leela Bhansali. As gravações foram transferidas para a cidade de Kolhapur, mas em março, membros do Karni Sena vandalizaram o novo set e botaram fogo em cenários e fantasias.

A imprensa indiana expôs o envolvimento de dirigentes do grupo em um esquema para extorquir os produtores do filme em troca de dinheiro, mas os protestos não pararam. Assista abaixo ao trailer de Padmaavat.

Tanto o diretor quanto os atores do filme negaram que existam as cenas de amor entre os dois monarcas. A produtora chegou a convidar os líderes de movimentos hindus para sessões privadas antes do lançamento, mas eles não aceitaram.

Figura lendária

A história da rainha Padmaavati, da maneira como ela é conhecida hoje, se baseia no poema épico Padmaavat de 1540, do escritor Malik Muhammad Jayasi. A rainha teria vivido na virada do século 13 para o 14, no reino de Medapata, onde hoje fica a província do Rajastão.

Ela era famosa por sua beleza e senso de justiça, e teria atraído a cobiça de Alauddin Khalji, sultão de Déli. A lenda conta que o monarca atravessou a Índia com seu exército apenas para invadir a fortaleza de Chitrakuta e sequestrar a rainha.

Depois da morte de seu marido, o rei Ratan Sen, e da derrota de seus exércitos, Padmaavati teria cometido suicídio, para não cair em mãos inimigas.

Por sua coragem diante do inimigo, Padmaavati, vivida no filme pela atriz Deepika Padukone, se transformou em uma das grandes heroínas do hinduísmo.

A simples existência da rainha, no entanto, jamais foi confirmada plenamente pelos historiadores. O conflito entre Ratan Sen e Alauddin Khalji, por sua vez, realmente aconteceu.

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