Internacional EUA advertem que Coreia do Norte pode ter mais armas 'em reserva'

EUA advertem que Coreia do Norte pode ter mais armas 'em reserva'

Último míssil testado chegou mais alto e mais longe que qualquer projétil norte-coreano e foi acompanhado de perto por Kim Jong-un

AFP
Último teste de míssil intercontinental  foi acompanhado por Kim Jong-un

Último teste de míssil intercontinental foi acompanhado por Kim Jong-un

AFP - 25.03.2022

Os Estados Unidos advertiram na sexta-feira (25) que a Coreia do Norte pode ter "outras coisas em reserva", após o lançamento de um novo míssil balístico intercontinental, com o qual o regime norte-coreano se considera preparado para "um confronto a longo prazo" com a potência americana.

Pyongyang lançou na quinta-feira (24), pela primeira vez desde 2017, um míssil intercontinental de pleno alcance, que chegou mais alto e mais longe do que qualquer projétil previamente testado pelo país, que tem capacidade nuclear.

O teste do "novo tipo de míssil balístico intercontinental", o Hwasong-17, foi realizado sob a "orientação direta" do líder Kim Jong-un, informou a agência oficial de notícias KCNA.

O lançamento faz parte da estratégia de "provocação desenvolvida nos últimos meses e que vai continuar. Acreditamos que há, provavelmente, outras coisas em reserva", afirmou o conselheiro americano de Segurança Nacional, Jake Sullivan.

Os Estados Unidos pediram ao Conselho de Segurança da ONU uma "resolução para atualizar e fortalecer o regime de sanções" contra Pyongyang, já sujeita a importantes punições pelo desenvolvimento de seu programa nuclear e de mísseis.

Moscou e Pequim descartaram qualquer passo nesse sentido, e o embaixador chinês na Casa, Zhang Jun, defendeu, inclusive, um "alívio oportuno das sanções". Com isso, Washington teve de se conformar com um comunicado que condena o lançamento emitido por 15 países.

O Hwasong-17 é um míssil balístico intercontinental (ICBM, na sigla em inglês) gigantesco exibido pela primeira vez em um desfile em outubro de 2020 e definido como um "míssil monstro" por analistas.

Kim afirmou que a nova arma "desempenhará sua missão como uma poderosa dissuasão ante uma guerra nuclear" e "tornará o mundo claramente consciente do poder das Forças Armadas estratégicas do país", segundo declarações compiladas pela KCNA.

O líder norte-coreano garantiu que o país está "totalmente preparado para um confronto de longo prazo com os imperialistas americanos".

Este primeiro teste provocou indignação entre os países vizinhos e o governo dos Estados Unidos. Esse último decretou novas sanções contra entidades e indivíduos na Coreia do Norte e na Rússia, acusados de "transferirem artigos sensíveis para o programa de mísseis" de Pyongyang.

Supervisão de Kim


A mídia estatal exibiu imagens de Kim caminhando na pista do aeroporto, em frente ao longo míssil, e celebrando com outras autoridades o lançamento.

Os militares sul-coreanos estimaram que o míssil, lançado do aeroporto internacional de Pyongyang, alcançou 6.248,5 km, muito mais do que o último ICBM, o Hwasong-15, que a Coreia do Norte testou em novembro de 2017.

O Japão afirmou que o míssil caiu dentro de sua zona marítima econômica exclusiva.

O Exército da Coreia do Sul calculou o alcance do míssil em 6.200 quilômetros, muito além da estimativa para o Hwasong-15, testado em outubro de 2017 por Pyongyang.

"A Coreia do Norte fez um progresso qualitativo importante", declarou à AFP o analista de segurança Ankit Panda.

"Os norte-coreanos estão no limiar de aumentar significativamente a ameaça aos Estados Unidos", advertiu, acrescentando que este ICBM pode transportar várias ogivas e burlar, com mais facilidade, os sistemas de defesa antimísseis.

O G7, a União Europeia e a ONU denunciaram que o teste viola as resoluções do Conselho de Segurança.

Ruptura da moratória


Apesar das sanções internacionais mais severas por seu programa armamentista e nuclear, a Coreia do Norte executou uma dezena de testes desde o início do ano.

Pyongyang suspendeu oficialmente os testes de longo alcance durante o período em que o dirigente Kim Jong-un participou de negociações de alto nível com Donald Trump, o então presidente dos Estados Unidos. As tentativas de diálogo naufragaram em 2019, porém, e estão paralisadas desde então.

Na semana passada, a Coreia do Sul relatou um teste fracassado no mesmo aeroporto de Pyongyang: o projétil teria explodido no céu da capital. Analistas afirmaram que era o Hwasong-17.

A KCNA informou que o teste mais recente demonstrou que a arma atende aos "requisitos de design" e pode ser usada "em tempos de guerra".

"Este teste parece 'compensar' o lançamento frustrado da semana passada", disse à AFP Soo Kim, analista da Rand Corporation e ex-funcionária da Agência Central de Inteligência americana (CIA, na sigla em inglês).

"O regime parece bastante satisfeito com o resultado", completou.

Os avanços acontecem às vésperas do 110º aniversário do nascimento de Kim Il-sung, fundador da Coreia do Norte e avô do atual líder, em 15 de abril. O regime costuma usar esse tipo de data para demonstrar sua capacidade militar.

Também ocorrem em um momento de instabilidade internacional e regional, consequência do conflito na Ucrânia e do período de transição na Coreia do Sul até a posse do presidente recém-eleito, Yoon Suk-yeol, em maio.

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