Internacional EUA homenageiam vítimas de ataque racista em supermercado

EUA homenageiam vítimas de ataque racista em supermercado

Payton Gendron assassinou dez pessoas a tiros e foi preso na cena do crime, um bairro em que a maioria da população é negra

  • Internacional | Do R7, com informações da AFP

As dez vítimas do ataque de Buffalo, Nova York, foram homenageadas pela população local

As dez vítimas do ataque de Buffalo, Nova York, foram homenageadas pela população local

USMAN UKALIZAI/AFP - 15.5.2022

Moradores emocionados de Buffalo, no estado de Nova York, se reuniram neste domingo (15) em vigílias e serviços religiosos para homenagear as dez pessoas assassinadas a tiros por um jovem, suposto supremacista branco, em um ato descrito pelas autoridades como "terrorismo doméstico, puro e simples".

O atirador, identificado como Payton Gendron, de 18 anos, foi preso na cena do crime, um supermercado em um bairro em que a maioria da população é negra, depois que a polícia respondeu a chamados de emergência.

Os moradores se reuniram na parte externa do supermercado para a vigília, enquanto a governadora de Nova York, Kathy Hochul, a procuradora-geral do estado, Letitia James, e o prefeito de Buffalo, Byron Brown, participavam de uma missa em uma igreja batista da cidade.

Com sentimentos que iam da raiva à tristeza, os oradores denunciaram essa última erupção de violência racista e o fácil acesso a armas de alto poder de fogo, algo que vem se transformando em uma cena tristemente familiar nos Estados Unidos.

Hochul, que nasceu em Buffalo, descreveu o crime como uma "execução ao estilo militar", ao assinalar que o atirador portava um fuzil de assalto semiautomático AR-15, e denunciou as mensagens racistas, que se "espalham como fogo em um rastro de pólvora".

Em entrevista à emissora ABC, ela classificou as redes sociais de "instrumentos desse mal" e afirmou que elas permitiam que os temas racistas "se propagassem como um vírus".

O incidente trouxe à tona lembranças de alguns dos piores ataques racistas na história recente do país, entre eles o assassinato de nove fiéis em uma igreja da comunidade negra na Carolina do Sul por um jovem branco, em 2015, e o ataque de um homem branco no Texas, em 2019, que resultou na perda de 23 vidas, a maioria delas pessoas de origem latina.

O ataque racista

Para realizar o crime, Gendron dirigiu até Buffalo de sua cidade natal, Conklin, a mais de 320 quilômetros de distância, segundo a polícia.

O jovem foi denunciado no sábado (14) à noite por uma só acusação de assassinato em primeiro grau e detido sem direito a fiança, informou o escritório do promotor distrital do condado de Erie.

O atirador usava um colete à prova de bala e portava um fuzil de assalto, segundo o departamento de polícia local, que detalhou que, entre os dez mortos e três feridos, 11 eram negros. Além disso, Gendron usava um capacete equipado com câmera que transmitia sua ação ao vivo pela internet.

O presidente Joe Biden se pronunciou neste domingo sobre o fato em um serviço religioso de homenagem aos policiais americanos mortos em serviço. "Todos devemos trabalhar juntos para lidar com o ódio, que continua sendo uma mancha na alma dos Estados Unidos", afirmou.

Ontem, Biden havia deplorado o ataque ao classificá-lo de "terrorismo doméstico", cometido em nome da "repugnante ideologia nacionalista branca".

'Crime de ódio'

O ato de ontem está sendo investigado como "crime de ódio" e um "caso de extremismo violento por motivos raciais", declarou aos jornalistas Stephen Belongia, agente especial responsável pelo escritório de campo do FBI em Buffalo.

A mídia local vinculou o atirador a um manifesto de 180 páginas que descreve uma ideologia supremacista branca e apresenta um plano para atacar um bairro habitado principalmente por pessoas negras.

Além de mencionar o ataque na igreja da Carolina do Sul, o agressor afirmou ter se "inspirado" no homem armado que matou 51 pessoas em uma mesquita na Nova Zelândia em março de 2019.

Se for declarado culpado, Gendron poderá ser condenado à pena máxima de prisão perpétua, sem liberdade condicional.

Em 2020, os Estados Unidos registraram 19.350 homicídios por armas de fogo, um índice quase 35% maior que o de 2019, segundo dados recentes dos CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças).

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