EUA planejam presença da CIA na Venezuela pós-Maduro
Ação faz parte dos planos de Donald Trump para exercer influência sobre o futuro do país
Internacional|Zachary Cohen, Jennifer Hansler e Kylie Atwood, da CNN Internacional
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A CIA (Agência Central de Inteligência) está trabalhando discretamente para estabelecer uma presença permanente dos Estados Unidos na Venezuela, liderando os planos do governo Trump para exercer sua nova influência sobre o futuro do país, segundo múltiplas fontes familiarizadas com o planejamento.
As conversas de planejamento entre a CIA e o Departamento de Estado têm se concentrado em como será a presença americana na Venezuela, tanto no curto quanto no longo prazo, após a captura do presidente deposto Nicolás Maduro no início deste mês.
Embora o Departamento de Estado deva manter a principal presença diplomática americana de longo prazo no país, a administração Trump provavelmente dependerá fortemente da CIA para iniciar esse processo de reentrada, devido à transição política em andamento e à instável situação de segurança na Venezuela pós-Maduro, acrescentaram as fontes.
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“O Departamento de Estado finca a bandeira, mas quem realmente exerce a influência é a CIA”, disse à CNN uma fonte familiarizada com o processo de planejamento, observando que os objetivos de curto prazo da agência incluem preparar o terreno para os esforços diplomáticos — o que envolve o estabelecimento de relações com a população local — e fornecer segurança.
No curto prazo, autoridades americanas poderiam operar a partir de uma instalação da CIA antes da abertura de uma embaixada oficial, o que lhes permitiria começar a estabelecer contatos informais com membros de diferentes facções do governo venezuelano, bem como com figuras da oposição e com terceiros que possam representar uma ameaça, afirmou a fonte, traçando um paralelo com o trabalho da agência na Ucrânia.
“Estabelecer um anexo é a prioridade número um. Antes dos canais diplomáticos, o anexo pode ajudar a criar canais de ligação com a inteligência venezuelana, permitindo conversas que os diplomatas não podem ter”, declarou um ex-funcionário do governo dos EUA que interagiu com venezuelanos.
A CIA se recusou a comentar.
Os Estados Unidos costumam enviar diretores da CIA ou altos funcionários de inteligência para reuniões confidenciais com líderes mundiais, a fim de tratar de assuntos sensíveis com base em informações coletadas pelos serviços de inteligência americanos.
O diretor da CIA, John Ratcliffe, foi o primeiro alto funcionário da administração Trump a visitar a Venezuela após a operação contra Maduro, reunindo-se com a presidente interina, Delcy Rodríguez, e com líderes militares semanas atrás.
Parte da mensagem de Ratcliffe aos novos líderes durante a viagem foi: a Venezuela já não pode ser um refúgio seguro para adversários dos Estados Unidos.
É provável que a CIA seja responsável por informar as autoridades venezuelanas sobre questões de inteligência americana relevantes relacionadas a esses adversários, incluindo China, Rússia e Irã, segundo outra fonte familiarizada com as discussões de planejamento em andamento.
“Se a Venezuela for informada sobre preocupações relacionadas à China, Rússia e Irã, não seria o Departamento de Estado a fazê-lo. O Escritório do Diretor de Inteligência Nacional teria de decidir quais informações desclassificar para compartilhar, e então os agentes de inteligência fariam a apresentação”, afirmou o ex-funcionário.
Presença da CIA na Venezuela de Maduro
Agentes da CIA estiveram presentes na Venezuela durante os meses que antecederam a operação contra Maduro.
Em agosto, a agência havia destacado discretamente uma pequena equipe no país para rastrear hábitos, locais e deslocamentos de Maduro, o que contribuiu para o sucesso da operação no início deste mês, segundo fontes familiarizadas com os planos.
Entre os recursos utilizados estava uma fonte da CIA que atuava dentro do governo venezuelano e ajudou os Estados Unidos a rastrear a localização e os movimentos de Maduro antes de sua captura, conforme informou anteriormente à CNN uma fonte com conhecimento da operação.
A decisão política do governo de apoiar Rodríguez em vez da líder da oposição María Corina Machado também se baseou em uma análise confidencial da CIA sobre o impacto da saída de Maduro da presidência e as implicações de curto prazo de seu possível afastamento, informou a CNN.
O relatório de inteligência, de caráter altamente confidencial, foi encomendado por altos formuladores de políticas, e esperava-se que a CIA continuasse fornecendo recomendações semelhantes sobre a situação da liderança na Venezuela no futuro, segundo várias fontes disseram anteriormente à CNN.
Influência americana na Venezuela
Após a captura de Maduro, a CIA agora se concentra em exercer discretamente a influência americana dentro das fronteiras da Venezuela e em avaliar o desempenho da nova liderança que ajudou a instalar.
No entanto, autoridades americanas envolvidas nas primeiras conversas de planejamento ainda aguardam que a Casa Branca articule claramente seus objetivos gerais, segundo as fontes, apesar da afirmação do presidente Donald Trump de que sua administração “dirigiria” o país após a captura de Maduro.
“Isso complica as coisas”, reconheceu a primeira fonte ouvida, acrescentando que autoridades americanas planejam estabelecer uma presença na Venezuela e esperam definir o objetivo real mais adiante.
Como resultado, os planos de longo prazo da administração Trump para a Venezuela permanecem incertos, incluindo a data para a reabertura da embaixada americana em Caracas.
Os Estados Unidos retiraram seus diplomatas e suspenderam as operações na embaixada de Caracas em 2019. A Unidade de Assuntos Venezuelanos tem operado com uma equipe de diplomatas americanos na embaixada em Bogotá.
Na semana passada, o Departamento de Estado anunciou que havia designado a diplomata veterana Laura Dogu para chefiar a Unidade de Assuntos Venezuelanos. O cargo era anteriormente ocupado pelo embaixador interino dos EUA na Colômbia, John McNamara.
Um alto funcionário do Departamento de Estado afirmou que o plano da administração para a Venezuela “exige um encarregado de negócios em tempo integral na Unidade de Assuntos Venezuelanos” e que “Dogu está bem posicionada para liderar a equipe durante esse período de transição”.
Embora o Departamento de Estado tenha identificado alguns funcionários do serviço exterior que planeja enviar de volta à Venezuela, autoridades envolvidas nas conversas de planejamento disseram à CNN que não receberam planos ou diretrizes coerentes dos altos funcionários da administração ou da Casa Branca.
O departamento começou a dar os primeiros passos para a reabertura da embaixada.
No início de janeiro, pouco depois da queda de Maduro, enviou uma equipe de pessoal diplomático e de segurança da Unidade de Assuntos Venezuelanos à embaixada na capital venezuelana para “realizar uma avaliação inicial com vistas a uma possível retomada gradual das operações”.
Um alto funcionário do Departamento de Estado afirmou na segunda-feira (26) que “um número limitado de pessoal diplomático e técnico americano está em Caracas realizando avaliações iniciais para uma possível retomada gradual das operações”.
Segundo outra fonte familiarizada com o assunto, havia funcionários locais encarregados de proteger o prédio em Caracas durante a ausência diplomática, mas isso não garante que o edifício esteja em condições adequadas para retomar rapidamente as operações.
As visitas ressaltam o desejo da administração de restabelecer uma presença diplomática no país que, segundo Trump, os Estados Unidos vão “dirigir”.
Ex-diplomatas observaram que a falta de presença americana em campo representaria um desafio para a reconstrução e para as garantias de responsabilização na Venezuela.
Trump afirmou que quer que empresas petrolíferas americanas retomem suas operações no país e contribuam para sua reconstrução.
Na semana passada, disse que os Estados Unidos haviam sido “solicitados” a reabrir a embaixada, mas não forneceu mais detalhes.
A situação de segurança na Venezuela continua incerta e pode afetar os planos da administração Trump. Funcionários do serviço exterior geralmente não são treinados para se proteger, razão pela qual a CIA prevê assumir um papel importante desde o início, dado que a Venezuela se encontra em um estado de transição política.
Ainda não se sabe como o povo venezuelano reagirá a uma presença mais visível da CIA no país na fase pós-Maduro.
Durante anos, Maduro usou a CIA como bode expiatório, acusando repetidamente a agência — sem provas — de tentar derrubar seu regime enquanto se mantinha no poder apesar da oposição dos Estados Unidos.
Agora, a CIA ajudou a derrubar Maduro e está preparada para participar ativamente da condução das relações da administração Trump com a nova liderança venezuelana.
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