‘Existe sim um risco real do regime cair’, diz professor sobre protestos no Irã
Inflação disparada, cortes em subsídios e orçamento voltado à elite religiosa ampliam a insatisfação popular
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
Os atos contra o governo no Irã escalaram nas últimas semanas. Além de pedir mudanças na economia do país, os manifestantes clamam pelo fim do regime comandado pelo aiatolá Ali Khamenei. Até o momento, as mobilizações resultaram em mais de 10 mil prisões.
Em entrevista ao Jornal da Record News, Antônio Henrique Lucena, professor de Relações Internacionais da Unicamp, afirma que há chances reais de o governo de Khamenei cair, especialmente pela dimensão das manifestações e pelo agravamento da crise econômica.

“Existe sim um risco real do regime cair. É importante ressaltar que esses protestos, eles são os maiores que o Irã tem vivenciado. [...] E por que a gente deve considerar que esses novos protestos, eles são muito relevantes e a gente precisa olhar eles com bastante atenção? Porque eles vêm exatamente no movimento do colapso do rial [moeda iraniana] e a inflação que ela simplesmente explodiu no país, só no último mês de em torno de 56%”, destaca o especialista.
Lucena aponta que um dos fatores que inflamaram a revolta da população iraniana foi a divulgação do orçamento para 2026, realizado pelo presidente do país, Masoud Pezeshkian. “Há pouquíssimos subsídios para conter a inflação e boa parte do orçamento está destinado para a segurança e para a elite religiosa, o que gerou uma percepção na população iraniana de benefício de uma elite cleptocrática”, afirma Lucena.
Leia mais
Na visão do docente, uma das estratégias que o regime está utilizando para conter a revolta é o controle da internet, criando até uma rede de conexão própria, intitulada Halalnet.
“Eles estão tentando derrubar e evitar que esse movimento seja espalhado pela internet, que é algo que os iranianos já aprenderam com o famoso levante árabe que aconteceu lá no final de 2007, 2008, que começou na Tunísia. Então a internet sem restrição, principalmente no caso do Egito, fez com que os protestos eles se intensificassem, os aiatolás aprenderam com essa prática e passaram a controlar e reprimir ainda mais a internet”, diz o professor.
O PlayPlus agora é RecordPlus: mais conteúdo da RECORD NEWS para você, ao vivo e de graça. Baixe o app aqui!











