Explosões matam 52 em universidade síria
Internacional|Do R7
Por Mariam Karouny
BEIRUTE, 15 Jan (Reuters) - Duas explosões deixaram 52 mortos e dezenas de feridos na terça-feira em uma das maiores universidades da Síria, no primeiro dia de exames, segundo um grupo que monitora a situação no país.
A violência afeta o cotidiano sírio desde que o governo de Bashar al Assad passou a reprimir manifestações pró-democracia, no começo de 2011, dando início a uma guerra civil.
Mais de 50 países pediram na terça-feira ao Conselho de Segurança da ONU que encaminhe o caso ao Tribunal Penal Internacional, que processa indivíduos por crimes de guerra e genocídios. Mas a Rússia --tradicional aliada e fornecedora de armas de Assad-- bloqueou a iniciativa, qualificando-a de "inoportuna e contraproducente".
As duas partes em conflito na Síria se culparam mutuamente pelas explosões na Universidade de Aleppo, localizada em uma área controlada pelo governo na mais populosa cidade síria.
Alguns ativistas em Aleppo disseram que um ataque governamental provocou as explosões, mas a TV estatal acusou "terroristas" --termo frequentemente usado para descrever os rebeldes-- de dispararem dois foguetes contra o campus. Um combatente rebelde disse que as explosões aparentemente foram causadas por mísseis "terra-terra".
O Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede na Grã-Bretanha, disse que pelo menos 52 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas, mas não identificou a origem das explosões.
"Dezenas estão em estado crítico. O total de mortos pode subir a 90", disse o Observatório em nota, citando médicos e estudantes.
A TV estatal, que não citou um número de vítimas, mostrou um corpo caído na rua e vários carros em chamas. Um dos prédios da universidade estava danificado.
Um vídeo mostrou estudantes retirando livros da universidade após uma das explosões, afastando-se rapidamente da fumaça. A câmera então treme ao som de outra explosão, e as pessoas são vistas correndo.
A área rebelde mais próxima da universidade é o bairro de Bustan al Qasr, a mais de 1,5 quilômetro. Se a versão do governo for confirmada, seria a primeira vez que rebeldes da área conseguem obter armas tão potentes.
Mas ativistas negaram que os insurgentes tenham cometido o ataque. "Os aviões de guerra desse regime criminoso não respeitam uma mesquita, uma igreja nem uma universidade", disse o estudante que se identificou como Abu Tayem.
Os rebeldes há meses tentam tomar Aleppo, outrora um vibrante polo comercial, mas não conseguem vencer a resistência das forças de Assad, mas bem armadas e organizadas.
(Reportagem adicional de Oliver Holmes em Beirute e Steve Gutterman em Moscou)









