Internacional Fala de Biden sobre Ucrânia pode desestabilizar situação, diz Rússia

Fala de Biden sobre Ucrânia pode desestabilizar situação, diz Rússia

Presidente dos Estados Unidos ameaçou uma resposta "severa" no caso de um ataque russo ao território ucraniano

AFP
O presidente Joe Biden fala com repórteres durante uma entrevista coletiva na Casa Branca

O presidente Joe Biden fala com repórteres durante uma entrevista coletiva na Casa Branca

Getty Images via AFP - 19/01/2022

A Rússia denunciou, nesta quinta-feira (20), os comentários "desestabilizadores" do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. O líder americano ameaçou uma resposta "severa" no caso de um ataque russo à Ucrânia, no momento em que o chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, busca em Berlim apoio dos europeus contra Moscou.

A reação do Kremlin veio depois que o presidente dos Estados Unidos disse que Moscou pagaria um alto preço se invadisse a Ucrânia, incluindo perda de vidas e duras sanções à sua economia. "Será um desastre para a Rússia", insistiu.

Para o Kremlin, essas declarações "podem contribuir para desestabilizar a situação" e "levantar esperanças totalmente falsas" entre algumas autoridades ucranianas, segundo o porta-voz, Dmitri Peskov.

Na capital alemã, Blinken iniciou reuniões com seus colegas da França e Alemanha e com a secretária de Relações Exteriores britânica, antes de negociações cruciais com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, em Genebra, na próxima sexta-feira (21).

Na quarta-feira, o secretário de Estado esteve em Kiev para mostrar seu apoio à Ucrânia e instou o presidente russo, Vladimir Putin, a permanecer na "via diplomática e pacífica".

Com dezenas de milhares de soldados russos na fronteira ucraniana, crescem os temores de um conflito aberto.

Moscou insiste que não quer invadir a Ucrânia e justifica o deslocamento de tropas pela suposta ameaça representada pela Otan. Antes das negociações, apresentou exigências, incluindo um veto à adesão da Ucrânia à aliança militar transatlântica.

Sem promessas escritas


Washington rejeitou os pedidos, e o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse esta semana que "não comprometerá seus princípios básicos, como o direito de cada nação escolher seu caminho".

Importantes reuniões entre as partes foram realizadas na semana passada em Genebra, Bruxelas e Viena, sem avanços.

Os aliados da Otan sinalizaram sua disposição de continuar conversando, mas Moscou está pedindo uma resposta por escrito às suas propostas, que também incluem a limitação das manobras ocidentais na antiga zona de influência soviética.

Em Kiev, Blinken disse que não daria uma resposta formal a Lavrov em suas negociações em Genebra na sexta e pediu ao Kremlin que dissipe a ameaça de uma invasão da Ucrânia.

A Ucrânia luta contra forças separatistas pró-russas no leste do país desde 2014, ano em que Moscou anexou a península da Crimeia. Mais de 13 mil pessoas morreram nesse conflito.

Neste contexto, Washington anunciou na quarta "uma provisão de 200 milhões de dólares em ajuda para segurança defensiva adicional" à Ucrânia, quantia que completa os 450 milhões de dólares já acordados.

O Reino Unido também anunciou esta semana o envio de armas defensivas para a Ucrânia. E, nesta quinta, uma autoridade informou que os Estados Unidos aprovaram pedidos de países bálticos para enviar armas de fabricação americana à Kiev.

As autoridades de Kiev solicitaram em várias ocasiões armas à Alemanha, mas Berlim até agora recusou.

Gasoduto alemão


Durante sua primeira visita à Ucrânia na segunda-feira, a nova ministra das Relações Exteriores, Annalena Baerbock, assegurou que a Alemanha "faria tudo para garantir a segurança da Ucrânia", mas descartou o envio de armas.

Em Berlim, as discrepâncias entre os aliados ocidentais podem reaparecer sobre o polêmico gasoduto Nord Strem 2, que deve dobrar o fornecimento de gás natural da Rússia para a Alemanha, sem passar pela Ucrânia.

O chanceler Olaf Scholz alertou que as novas tensões com Moscou podem ter consequências para este gasoduto, que já está concluído, mas não entrou em serviço até a luz verde do regulador de energia alemão.

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