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Filho de sócio de El Chapo revela suborno a segurança de presidente

Segundo Vicente Zambada, o chefe de segurança do ex-presidente Vicente Fox era pago pelo cartel de Sinaloa para avisar sobre movimentos da polícia

Internacional|Fábio Fleury, do R7

Vicente Zambada foi preso no México em 2009 e extraditado no ano seguinte
Vicente Zambada foi preso no México em 2009 e extraditado no ano seguinte Vicente Zambada foi preso no México em 2009 e extraditado no ano seguinte

Na retomada do julgamento do traficante mexicano Joaquín "El Chapo" Guzmán, nesta quinta-feira (3), o dia foi todo reservado para o depoimento de Vicente Zambada Niebla, filho de Ismael "El Mayo" Zambada, um dos principais líderes do cartel de Sinaloa e sócio de Chapo.

Vicente contou que desde a adolescência participava de reuniões e ações do cartel e mostrou conhecimento sobre centenas de crimes cometidos em nome ou a mando de Chapo, de tráfico de drogas a assassinatos, passando por pagamento de propina a figuras importantes.

O segurança do presidente

Segundo ele, o chefe da segurança pessoal do ex-presidente Vicente Fox (que governou de 2000 a 2006), trabalhava como espião do cartel e 'vendia' informações sobre as movimentações das forças de segurança que caçavam Chapo pelo México.

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Marco Antonio de León Adams, apelidado de "El Chicle" por causa do sobrenome, recebeu dezenas de milhares de dólares em propina. Ele foi afastado do governo sem nenhuma explicação em 2006 mas, segundo Vicente, foi um importante colaborador do cartel.

Cada vez que o Exército ou a Polícia Federal do México se aproximavam de um local onde Chapo estava escondido, Adams entrava em contato com El Mayo para avisá-los. Guzmán então fugia para outro lugar, de helicóptero, e conseguia escapar.

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Foi dessa maneira que ele permaneceu em liberdade de 2001, quando fugiu pela primeira vez de uma prisão de seguança máxima, até 2014.

Adolescência no cartel

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No depoimento, Zambada Niebla relatou diversas passagens que mostraram as origens de confrontos sangrentos entre os cartéis mexicanos. Ele contou que, ainda adolescente na década de 1990, foi a uma reunião com Amado Carrillo, então chefão do cartel de Juárez, com líderes do cartel de Tijuana, que estavam em guerra com Sinaloa, o cartel de Chapo.

Ele ficou na cozinha da casa enquanto Carrillo conversava com Benjamin Arellano-Felix, líder do cartel de Tijuana. Arellano contou a Amado que pretendia matar El Chapo e El Mayo e pediu sua bênção para o plano. Amado não aceitou e disse estar do lado dos demais.

Quando viu Vicente na cozinha, Arellano, que era um dos chefões mais perigosos da época, gritou para ele: "vou matar seu pai e Chapo, eles vão se arrepender de não ter nos matado!"

Colaboração com a Justiça

Zambada foi preso em março de 2009 na Cidade do México e extraditado para os EUA em fevereiro de 2010. Ele fechou acordo para cooperar com as autoridades e entregou uma fortuna de US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 4,9 bilhões), além de pegar 10 anos de prisão.

Desde então, ele vem fornecendo informações sobre o cartel de Sinaloa e testemunhando nos julgamentos de outros traficantes. Nesta sexta-feira, Zambada voltará a depôr.

Leia mais: As mil vidas de "El Chapo", o traficante mais famoso do México

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