Internacional Forças estrangeiras deixam base afegã de Bagram e, logo, todo país

Forças estrangeiras deixam base afegã de Bagram e, logo, todo país

Local era responsável pelos bombardeios contra talibãs e aliados da Al-Qaeda e onde era organizado abastecimento das tropas

AFP
Forças estrangeiras deixam base afegã de Bagram e, em breve, todo país

Forças estrangeiras deixam base afegã de Bagram e, em breve, todo país

WAKIL KOHSAR/AFP - 1.7.2021

Todas as tropas dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) deixaram a base aérea de Bagram, a maior do Afeganistão - confirmou Cabul nesta sexta-feira (2), uma sinal de que a retirada completa das forças estrangeiras deste país é iminente.

"O aeroporto de Bagram foi oficialmente entregue ao Ministério da Defesa. As forças americanas e da coalizão se retiraram completamente da base e, a partir de agora, as forças do Exército afegão vão protegê-la e usá-la para combater o terrorismo", tuitou o porta-voz do Ministério afegão da Defesa, Fawad Aman.

Pouco antes, um funcionário da Defesa dos EUA havia informado, sob a condição do anonimato, que "todas as forças da coalizão" haviam deixado Bagram.

Era de lá que saíam os bombardeios contra os talibãs e seus aliados da Al-Qaeda e onde era organizado o abastecimento das tropas.

Os talibãs reagiram, afirmando que "saúdam e apoiam" a saída de todas as tropas dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) da base aérea de Bagram, no Afeganistão.

"Sua retirada completa (do Afeganistão) abrirá o caminho para os afegãos decidirem seu futuro por si mesmos", disse o porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid, à AFP.

Após 20 anos de presença, a Otan anunciou em 29 de abril o início da retirada de suas tropas, o que abre um período de imensa incerteza para o Afeganistão, ainda atormentado pela violência. 

Outros contingentes menores, como os de Espanha, Estônia e Dinamarca, já deixaram o país.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, estabeleceu a data de 11 de setembro como o prazo para a retirada americana, dia que corresponde ao 20º aniversário dos ataques às Torres Gêmeas por parte de membros da rede Al-Qaeda. 

A retirada se acelerou tanto que algumas vozes sugerem que possa estar concluída em julho.

Desde o início de maio, os talibãs lançaram várias ofensivas de envergadura nas zonas rurais, enquanto as forças do governo lutam para consolidar suas posições em áreas mais urbanas. 

Sua capacidade de manter o controle da base aérea de Bagram será crucial para preservar a capital, Cabul, e manter a pressão sobre os talibãs.

Por décadas, essa base foi fundamental na intervenção dos EUA no Afeganistão, onde o confronto contra os talibã e seus aliados da Al-Qaeda foi realizado por meio de ataques aéreos e missões de abastecimento desse aeroporto.

Uma cidade em miniatura

A retirada das tropas estrangeiras de Bagram "simboliza o fato de que o Afeganistão está sozinho, abandonado e obrigado a se defender sozinho do assalto dos talibãs", disse o especialista australiano Nishank Motwani. 

De acordo com jornais americanos, o Pentágono manterá cerca de 600 soldados no Afeganistão para controlar a imensa embaixada dos EUA em Cabul.

Bagram foi construída pelos Estados Unidos para seu aliado afegão durante a Guerra Fria na década de 1950, para se proteger da União Soviética no norte. 

Durante esses anos, centenas de milhares de militares americanos e da OTAN se instalaram nesta base, quase uma cidade em miniatura. 

Em uma época, chegou a ter piscinas, cinemas e até restaurantes das redes Burger King e Pizza Hut. Nas instalações, também havia uma prisão para detentos talibãs e jihadistas.

Nestes últimos meses, Bagram foi alvo de disparos de foguetes, reivindicados pelo grupo jihadista Estado Islâmico.

Os habitantes da região esperam que a situação não se degrade com a retirada das forças estrangeiras.

"A situação é caótica (...) Tem muita insegurança, e o governo não tem (suficientes) armas nem equipamento", disse à AFP Matiullah, que tem uma sapataria no mercado de Bagram.

Em maio, quase 9,5 mil soldados estrangeiros permaneciam no Afeganistão, sendo 2,5 mil americanos. No momento, apenas Alemanha e Itália confirmaram a retirada total de suas tropas.

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