Internacional Fraudes em universidades dos EUA foram descobertas por acaso

Fraudes em universidades dos EUA foram descobertas por acaso

Esquema em que pais ricos pagavam propinas para colocar os filhos em universidades de renome foi descoberto em outra investigação

  • Internacional | Fábio Fleury, do R7, com agências internacionais

William Singer era o operador do esquema

William Singer era o operador do esquema

Brian Snyder / Reuters / 12.3.2019

Revelado na última terça-feira (12) pelo FBI, o esquema que pais ricos, incluindo as atrizes de Hollywood Felicity Huffman e Lori Loughlin, usavam para fraudar os processos de seleção de algumas das principais universidades norte-americanas e garantir vagas para seus filhos foi descoberto quase por acaso, enquanto os agentes faziam outra investigação. 

Segundo a CNN, uma fonte da equipe de investigadores confirmou que eles chegaram ao esquema enquanto reuníam provas contra um executivo acusado de fraudes. Em uma tentativa de se livrar do processo, ele contou aos agentes que pagou propina para colocar sua filha na renomada Universidade de Yale.

Morrie Tobin, que estava sendo investigado por um esquema de fraude do mercado de ações, no qual ele usava uma empresa para subir o valor das ações de outra, sendo o dono de ambas. Dessa forma, ele lucrava com a valorização artificial da empresa.

Durante um depoimento, Tobin contou aos agentes que o técnico da equipe feminina de futebol da Universidade de Yale, Rudolph Meredith, tinha pedido propina para garantir uma vaga para sua filha na instituição, uma das mais prestigiadas dos EUA.

Um ano de investigação

Essa informação deu início a uma investigação que durou quase um ano. Seguindo as transferências de dinheiro, o FBI conseguiu apurar que Meredith trabalhava em conjunto com William Singer, dono de uma escola preparatória na Califórnia e conseguiu desvendar o esquema.

Tobin não chegou a ser acusado na investigação sobre o esquema das vagas universitárias. Por outro lado, ainda aguarda sua sentença na investigação sobre as fraudes.

Por outro lado, segundo o Wall Street Journal, Singer fez um acordo com os investigadores em setembro do ano passado e passou a cooperar com eles, após se declarar culpado.

Ele revelou que, ao longo de sete anos, recebeu cerca de US$ 25 milhões (cerca de R$ 95 milhões) de pais para colocar seus filhos em algumas das universidades mais importantes dos Estados Unidos.

Singer foi instruído a continuar recebendo os pais, usando uma escuta escondida, e a concluir os acordos que já estavam em andamento. Era a época do ano em que o esquema funcionava com mais força, já que é quando os exames de admissão são realizados.

Obstrução de justiça

Em uma audiência recente com a Justiça federal norte-americana, Singer admitiu que avisou ao pai de um aluno com quem estava conversando que estava usando uma escuta e que ele devia parar de falar antes de cometer algum crime.

"Você ainda não fez nada errado, então por favor não diga nada que possa ser prejudicial a vocês, vocês não fizeram nada ilegal ainda", disse Singer. Segundo procuradores, ele ainda avisou a vários clientes que, se recebessem uma ligação sua, ela estaria grampeada.

Por conta disso, Singer ainda foi acusado de obstrução de justiça nos casos de seis famílias que planejavam ou já tinham feito parte de seu esquema.

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