Freio ao modus operandi de Trump só poderá vir do próprio parlamento dos EUA, avalia professor
Após aumento das tensões em relação à anexação da Groenlândia, Trump anunciou tarifas de 10% a oito países europeus
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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Após trocas de ameaças entre o presidente Donald Trump e países europeus em torno de uma possível anexação da Groenlândia, o aumento da tensão entre aliados de longa data preocupa o mundo. Em carta enviada ao primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, Trump afirmou que não se sente mais obrigado a pensar na paz totalmente e pode ter o foco de suas ações nos interesses americanos.
Em sua carta, ele relacionou o interesse na ilha dinamarquesa ao fato de não ter ganhado o Prêmio Nobel da Paz, que é entregue na capital norueguesa — algo rebatido por Støre. Outro ponto que aumentou as tensões foi a ameaça do presidente americano em taxar oito países europeus que se contrariam à anexação da ilha dinamarquesa.

Uma reunião da União Europeia marcada para esta quinta-feira (22) deve discutir possíveis alternativas à taxação e possíveis respostas. É o que aponta Rodrigo Milindre Gonzalez, doutor em estudos estratégicos internacionais e professor de relações internacionais da Univale (Universidade Vale do Rio Doce). Ele explica que o bloco pode acionar a “bazuca econômica”, resolução aprovada em 2023 que autoriza a UE a retaliar aqueles países que utilizam meios econômicos como forma de coerção.
“Porque a gente não está falando só das tarifas da União Europeia, quando a gente pega a questão dos países, por exemplo, os Estados Unidos está abrindo mão ou discutindo e tarifando seu aliado mais antigo e mais estratégico, mais de 250 anos desde o surgimento do país, que é o Reino Unido. Que divide segredos, que divide e compartilha informações estratégicas, arsenal nuclear [...], nós vimos os Estados Unidos e o Reino Unido divididos ou em discussão.”
Para o professor, depois do tarifaço de 2025, que levou EUA e União Europeia à mesa de negociações, outra taxação seria vista pelos países do bloco como algo inaceitável. Desta forma, ele explica que, por essa razão, líderes como o francês Emmanuel Macron estão classificando a medida como uma “chantagem”.
“A alegação lá atrás era de que havia um comércio deficitário entre os Estados Unidos e a Europa para prejudicar os Estados Unidos. Agora é: ‘Eu quero comprar Groenlândia e vocês não querem? Então tá bom, vai sofrer’. Então, por isso que eles enxergam com uma chantagem, porque cada vez que o Donald Trump busca alguma coisa, usa tarifa”, comenta.
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Em entrevista ao Hora News desta segunda-feira (19), Gonzalez aponta que apesar de alguns tipos de taxações serem aceitas pelas regras do comércio internacional, como em casos de proteção das indústrias locais, as taxas americanas podem extrapolar alguns limites.
No entanto, ele ressalta que órgãos que poderiam fiscalizar as tarifas, como a OMC (Organização Mundial do Comércio), não possuem tanta força atualmente, principalmente por entraves americanos no órgão desde a gestão de Joe Biden. Desta forma, a única forma de limitar a ações de Trump seria por ações internas, por meio das eleições de meio de mandato que acontecem neste ano.
“A única alternativa é uma alternativa interna, de que forma? Nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, quando vai ter uma troca de uma parcela da Câmara dos Senadores e da Câmara dos Deputados para, por exemplo, ter uma maneira de contrabalancear as medidas unilaterais do Donald Trump e fazer essa contestação via parlamento nos Estados Unidos. Fora isso, não há alternativas”, finaliza.
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