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Governo colombiano militariza cidade mais violenta do país

Porto de Buenaventura é cenário de assassinatos, esquartejamentos e desaparecimentos 

Internacional|Do R7

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Governo da Colômbia militariza o porto de Buenaventura, a cidade com os maiores índices de violência no país
Governo da Colômbia militariza o porto de Buenaventura, a cidade com os maiores índices de violência no país

Com uma "intervenção especial" de mais de 700 soldados, o governo da Colômbia militarizou nesta sexta-feira (21) o porto de Buenaventura, a cidade com os maiores índices de violência no país, cenário de dezenas de assassinatos, esquartejamentos e desaparecimentos forçados.

O ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, acompanhou a mobilização de tropas em sua segunda visita em 15 dias a Buenaventura, no sudoeste do país, no olho do furacão da opinião pública desde que foram descobertas várias das chamadas "casas de rivalidade", lugares nos quais presumivelmente ocorrem os esquartejamentos de pessoas.


A militarização de algumas zonas, prevista já há algumas semanas por ordem do presidente, Juan Manuel Santos, aconteceu um dia depois que a ONG Human Rights Watch (HRW) apresentou um relatório alertando que "bairros inteiros da cidade se encontram sob o domínio de poderosas organizações que sucederam aos paramilitares".

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Trata-se dos grupos "Los Urabeños" e "La Empresa", ambos herdeiros das desmobilizadas Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC, paramilitares) e imersos em uma violenta guerra pelo controle do território e do tráfico de armas e drogas nesse ponto estratégico banhado pelas águas do Oceano Pacífico.

O titular da Defesa visitou nesta sexta-feira esses bairros localizados no setor conhecido como Bajamar, onde os humildes barracos de madeira foram erguidos sobre palafitas que os protegem da maré, mas não do flagelo do narcotráfico.


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"Por aí não pode!", gritaram umas crianças quando o ministro entrou em uma das ruas escoltado por dezenas de homens fortemente armados e acompanhado de vários jornalistas, em referência a uma das chamadas "fronteiras invisíveis" traçadas pelas organizações criminosas e que ameaçam de morte aqueles que resolvem atravessá-las. No curso deste ano, mais de 50 pessoas foram assassinadas pelo crime organizado nessa cidade e algumas delas acabaram esquartejadas.


Além disso, Buenaventura tem os maiores índices de desaparecimentos forçados da Colômbia, com 153 casos entre 2010 e 2013 segundo dados oficiais, e de deslocamento, com mais de 13 mil pessoas que tiveram que abandonar seus lares entre janeiro e outubro do ano passado, números que segundo a HRW são muito maiores.

Sobre a prática dos esquartejamentos, Pinzón disse nesta sexta-feira que um dos principais objetivos da intervenção militar na cidade é erradicar essa prática, mas acrescentou que a mesma "tem a ver com uma prática cultural inaceitável e incompreensível". Durante a visita, o ministro se dirigiu aos cidadãos para pedir sua ajuda "para que deixem de ver mortos", enquanto alguns mais ousados o respondiam com a palavra "emprego".

Cerca de 50% da população de Buenaventura está desempregada e 80% vive em condições de pobreza. Uma fonte do comando policial da cidade reconheceu para a Agência Efe que o aumento do policiamento é "rejeitado" por grande parte da população e que, além disso, "não serve" para erradicar a violência.

"Buenaventura necessita de investimento social, que os jovens trabalhem porque aqui não há nada para fazer", acrescentou a fonte.

Mas a visita do ministro, que começou cercada de tensão, acabou se transformando em uma festa. O político acabou cercado por crianças, que perambulavam ao seu redor sem se importar com os militares e suas metralhadoras, e a população demonstrou gratidão por sua proximidade.

Em um campo de futebol improvisado no meio de uma rua sem pavimento, um jovem se aproximou do ministro, lhe passou uma bola e disse: "faça um gol na violência", enquanto algumas mulheres reivindicavam a construção de um campo esportivo de verdade.

A comitiva deixou o setor de Bajamar depois do anoitecer da sexta-feira, uma hora vetada normalmente para qualquer um que não seja de confiança ou conhecimento dos membros das gangues que controlam esses bairros.

Com os 700 policiais, soldados e efetivos da Marinha que entraram nesta sexta-feira em Buenaventura, o número de membros das forças de segurança nessa cidade de meio milhão de habitantes, o maior porto colombiano no Pacífico, chega a cerca de 2,4 mil, segundo o ministro. 

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