Governo de Hong Kong proíbe uso de máscaras durante manifestações

Governo lançará uma lei de emergência que constituirá como crime o uso de máscaras. Objetivo é 'restaurar a ordem', segundo líder Carrie Lam

Máscaras serão proibidas em protestos de Hong Kong

Máscaras serão proibidas em protestos de Hong Kong

REUTERS/Jorge Silva/01.10.2019

A chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou nesta sexta-feira (4), em entrevista coletiva, a proibição a partir de hoje do uso de máscaras com as quais os manifestantes ocultam sua identidade durante os protestos que ocorrem há quatro meses na cidade semiautônoma.

Para fazer isso, o governo lançará uma lei de emergência que constituirá como crime o uso de máscaras para tentar "restaurar a ordem", disse Lam, acrescentando que "a lei não implica que Hong Kong esteja em estado de emergência", mas "os protestos são cada vez mais frequentes e violentos, e as pessoas estão preocupadas".

"Esperamos que a lei possa ter um efeito dissuasivo", disse Lam, especificando que a lei "tem como alvo pessoas que recorrem à violência".

Segundo Carrie Lam, tomar a decisão de aprovar esse tipo de legislação "não foi fácil, mas necessário" e esclareceu que se tratar de uma legislação subsidiária que será apresentada no Conselho Legislativo no próximo dia 16, para que os legisladores possam modificá-la, mesmo depois de já ter sido implementada.

A lei de emergência prevê sentenças de até um ano de prisão e multas de até 25 mil dólares de Hong Kong (cerca de US$ 3,1 mil), revelou o secretário de Segurança do Executivo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu.

Para Lee, "a medida ajudará os policiais a coletar informações", uma vez que "nos últimos quatro meses a maioria das pessoas que participou de incidentes violentos usava máscaras para esconder sua identidade com o objetivo de jogar coquetéis molotov e causar danos a edifícios públicos".

No entanto, a proibição pode provocar novas manifestações na cidade financeira, já que centenas de pessoas foram para as ruas hoje para protestar contra esta lei cantando palavras de ordem como "Hong Kong resiste".