Internacional Governo do Cazaquistão renuncia após protestos violentos 

Governo do Cazaquistão renuncia após protestos violentos 

Manifestantes se rebelaram na da praça principal de Almaty contra o aumento do preço do combustível

  • Internacional | Reuters e AFP

Manifestação contra o aumento do preço do combustível, em Almaty, no Cazaquistão

Manifestação contra o aumento do preço do combustível, em Almaty, no Cazaquistão

AFP - 05.12.2021

O presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, aceitou a renúncia do gabinete do primeiro-ministro Askar Mamin,nesta quarta-feira (5), após manifestações violentas sobre o aumento do preço do combustível. Até a formação de um novo governo, o vice-primeiro-ministro Alikhan Smailov vai liderar o governo interinamente.

Tokayev ainda decretou estado de emergência, que entrou em vigor nesta quarta-feira e irá até 19 de janeiro. A medida implica a imposição de um toque de recolher das 23h às 7h.

A renúncia ocorre um dia depois que a polícia usou gás lacrimogêneo e granadas de luz e som para expulsar centenas de manifestantes da praça principal de Almaty, capital econômica do país. Nesta quarta-feria, um grupo de manifestantes invadiu a sede da prefeitura da cidade.

Correspondentes da AFP em Almaty testemunharam alguns homens de uniforme policial jogando seus escudos e capacetes no chão e abraçando os manifestantes. "Passaram pro nosso lado", gritava uma mulher. Os policiais se recusaram a falar com a AFP.

Um correspondente da Reuters também viu milhares de manifestantes avançando em direção ao centro da cidade, alguns deles em um grande caminhão, depois que as forças de segurança não conseguiram dispersá-los.

Atameken, o grupo de lobby empresarial do Cazaquistão, disse que seus membros estavam relatando casos de ataques a bancos, lojas e restaurantes.

A polícia informou que mais de 200 pessoas foram detidas durante os protestos no país da Ásia Central. O Ministério do Interior anunciou que as detenções aconteceram por "perturbação da ordem pública" e que os manifestantes bloquearam estradas e tráfego. De acordo com a mesma fonte, 95 policiais ficaram feridos.

Manifestações não previamente autorizadas pelas autoridades são proibidas no Cazaquistão, uma antiga república soviética autoritária, mas também a principal economia da Ásia Central. 

Os serviços de WhatsApp, Telegram e Signal foram cortados no país de 19 milhões de habitantes.

"Fora o velho" -
O movimento contra o aumento do preço do gás começou no fim de semana na cidade de Khanaozen, no coração da região ocidental de Mangystau, antes de se espalhar para Aktau, nas margens do Mar Cáspio, e Almaty.

A televisão noticiou nesta quarta-feira que o diretor de uma usina de gás na região de Mangystau foi demitido por ter "aumentado o preço do gás sem motivo".

Os manifestantes gritavam pela "renúncia do governo" e "fora o velho", em alusão ao ex-presidente Nursultan Nazarbayev, mentor de Tokayev.

Na terça-feira (4), o presidente tuitou que as autoridades decidiram reduzir de 120 para 50 tengues (0,11 dólar) o preço do litro do GLP em Mangystau para "garantir a estabilidade do país". A medida não apaziguou os protestos.

Pequenas marchas e prisões também foram relatadas na capital Nursultan (antiga Astana). A localidade foi rebatizada em homenagem a Nursultan Nazarbayev, que liderou o país desde a independência soviética até 2019, quando nomeou Tokayev como seu sucessor.

Nazarbayev, de 81 anos, mantém forte controle do país como presidente do conselho de segurança e "Líder da Nação", uma função constitucional que lhe garante privilégio político e imunidade na Justiça.

Embora protestos espontâneos e não autorizados sejam ilegais no Cazaquistão, uma lei foi aprovada no ano passado para amenizar algumas restrições à liberdade de reunião. Potência na região, a Rússia pediu nesta quarta-feira um "diálogo" no Cazaquistão.

"Somos a favor de uma solução pacífica para todos os problemas dentro da estrutura legal e constitucional e por meio do diálogo, e não por meio de tumultos de rua e violação das leis", declarou o Ministério russo das Relações Exteriores em um comunicado.

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